Atividade integra programação do CAV Seguro, com protocolo “Não é Não” e encaminhamento para rede de proteção
Atividade preparou servidores para reconhecer situações de violência, acolher relatos e orientar sobre os serviços de apoio disponíveis. Fotos: Carla Torres
Reconhecimento de situações de assédio ou de violência, acolhimento de quem procura ajuda e orientação sobre os encaminhamentos adequados foram alguns dos pontos abordados em uma capacitação de servidores do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), em Lages na quinta-feira, 1º de outubro. Parte da agenda do projeto
CAV Seguro, a atividade tratou do protocolo “Não é Não”, da escuta sem julgamento e dos serviços que podem ser acionados após uma ocorrência.
A formação dá continuidade às discussões sobre segurança, prevenção e acolhimento no
campus. As ações incluem rodas de conversa com a comunidade acadêmica e atividades voltadas à orientação sobre violência, assédio, formas de proteção e caminhos disponíveis para buscar ajuda.
A Diretora de Extensão da Udesc Lages, professora doutora Verônica Flores da Cunha Scheeren, explica que a capacitação acrescenta uma nova etapa ao trabalho ao preparar servidores para receberem relatos dentro da instituição. Entre as situações abordadas estão casos de assédio moral ou sexual e outras formas de violência que possam ocorrer tanto no
campus quanto em seu entorno.
Para Verônica, uma das primeiras responsabilidades de quem recebe um relato é acolher. “Acolher, ouvir e não julgar”, resume. A orientação também busca evitar a revitimização e preparar os profissionais para indicar os próximos procedimentos de acordo com as características de cada caso.
O reconhecimento de situações de violência
O protocolo “Não é Não” esteve entre as referências trabalhadas durante a capacitação. A diretora de Articulação de Políticas Públicas e Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Secretaria de Políticas para a Mulher e para o Idoso de Lages-SC, Marina Liz Pereira, explica que as orientações estão relacionadas à prevenção e ao enfrentamento da violência e do constrangimento contra mulheres. A preparação também busca ampliar o olhar dos profissionais para comportamentos que podem parecer comuns no cotidiano, mas representar assédio, importunação, constrangimento, intimidação, controle ou outras formas de violência.
Atitudes tratadas como “brincadeira”, “cantada” ou “insistência”, por exemplo, podem ultrapassar limites de consentimento e autonomia. Mudanças de comportamento e pedidos indiretos de ajuda também merecem atenção, especialmente quando a pessoa não consegue expressar de forma clara o que está acontecendo. Marina destaca que preparar os profissionais amplia a capacidade de resposta diante dessas situações: “Ter servidores preparados significa ampliar a capacidade de identificar situações de violência, orientar corretamente e saber quais caminhos devem ser acionados quando uma mulher procura ajuda”.
Primeiro atendimento exige escuta e cuidado
A primeira providência diante de um relato é verificar se a pessoa está segura. Caso exista risco imediato, a prioridade é afastá-la da situação de perigo e acionar o atendimento necessário, como a polícia ou o serviço médico. A assessora jurídica Talissa Sâmilly da Silva orienta que a conversa ocorra, sempre que possível, em um local reservado e sem a presença do possível agressor. As perguntas devem se limitar ao necessário para avaliar a segurança e a urgência da situação.
O atendimento também deve evitar julgamentos sobre roupa, comportamento, consumo de álcool ou o tempo levado para procurar ajuda. Outro cuidado é não fazer com que a pessoa repita desnecessariamente os detalhes do episódio. Talissa ressalta que o profissional que realiza esse primeiro acolhimento não precisa investigar nem determinar se houve crime antes de prestar auxílio. “Ele não precisa confirmar que houve um crime para oferecer proteção” - afirma. Quando houver necessidade de registro, as informações devem ser objetivas, com data, local, relato recebido e providências adotadas, sem julgamentos ou conclusões pessoais. O encaminhamento será definido conforme cada ocorrência e pode envolver setores internos da Universidade, serviços de saúde ou autoridades de segurança.
Acolhimento também envolve a rede de proteção
O atendimento realizado dentro da Udesc não substitui o acionamento de serviços externos quando a situação exigir providências fora da esfera institucional. A capacitação também tratou dos diferentes canais que podem ser indicados a quem procura orientação. Para Marina, o enfrentamento à violência depende da articulação entre diferentes áreas. Universidade, Secretaria da Mulher, serviços de saúde, segurança pública, Judiciário e assistência social possuem atribuições próprias nos processos de prevenção, acolhimento, orientação e proteção. “O primeiro acolhimento precisa ser uma porta de entrada para a proteção, e não mais uma barreira”, afirma.
A preparação dos servidores, portanto, não significa que cada profissional deverá resolver sozinho uma ocorrência, mas que precisa saber como receber o relato e quais serviços podem ser acionados na sequência. A integração entre os diferentes órgãos também busca evitar que a pessoa atendida tenha de descobrir sozinha onde procurar auxílio ou repetir diversas vezes sua história. Marina avalia que uma rede articulada permite atuar desde a prevenção até o encaminhamento dos casos.
CAV Seguro terá continuidade
As atividades do CAV Seguro devem continuar ao longo do semestre, com rodas de conversa previstas quinzenalmente. A Direção de Extensão também pretende retomar a programação no próximo ano. Outra possibilidade discutida é incorporar o tema à formação continuada dos docentes, para ampliar o número de profissionais preparados para reconhecer situações de violência e orientar alunos que procurem ajuda.
A Diretora de Extensão da Udesc Lages considera que manter o assunto presente na rotina acadêmica pode ampliar o conhecimento sobre os procedimentos disponíveis e melhorar a resposta oferecida a quem busca apoio. A expectativa é que professores e servidores saibam como acolher, proteger e orientar diante de situações que possam ocorrer dentro ou fora do campus.
Onde buscar ajuda
Dentro da Udesc, podem ser procurados a Direção, a Ouvidoria, a assistência estudantil e os setores responsáveis pela apuração.
A rede externa inclui:
● 190 - emergências policiais
● 192 - urgências médicas
● 180 - Central de Atendimento à Mulher
● (49) 3289-8160 - delegacia especializada (DEAM ou DPCAI)
● (49) 3019-7454 - Secretaria da Mulher
● (49) 98402-9413 - plantão da Secretaria da Mulher
● (49) 98403-1225 - Conselho Tutelar, para situações que envolvam crianças ou adolescentes.
Assessoria de Comunicação da Udesc Lages
Estagiário Matheus Rosa*
E-mail: comunicacao.cav@udesc.br
Telefone: (49) 3289-9130
*sob supervisão da jornalista Carla Simone Doyle Torres