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Notícia

12/06/2026-14h39

Mais dois alunos da Udesc Joinville vão estudar na China

Bolsas de mestrado integral e doutorado sanduíche contemplam estudantes de Ciência da Computação e Química Aplicada, ampliando internacionalização do CCT

Bruno Nazário (à esquerda) colou grau em gabinete nesta sexta-feira. Foto: Beatriz Cordeiro
Além da comitiva de 12 estudantes e um professor, que embarca para a China no próximo mês, mais dois alunos da Udesc Joinville estarão partindo para Pequim no segundo semestre. Um deles vai fazer doutorado sanduíche, e o outro vai cursar o mestrado integralmente na mesma universidade. A oportunidade para as duas ações de mobilidade surgiu no passado, com a vinda do professor visitante Diao Xungang para um intercâmbio de três meses no Centro de Ciências Tecnológicas (CCT). Diao ministrou a disciplina “Introduction to Renewable Energy Technologies” e, ao final do período, em 14 de agosto de 2025, deu uma palestra sobre possibilidades de bolsas de estudo na sua instituição, a Universidade de Beihang.

Bruno Nazário Alves estava no último semestre da graduação em Ciência da Computação, e não fez a disciplina com o professor Diao, que era voltada à pós-graduação nas áreas de Engenharia, Física e Química, mas assistiu à palestra dele “por curiosidade”. Gostou do que viu, e semanas depois resolveu escrever para Diao, perguntando: “Tem espaço para alguém da Computação?”. Como havia feito iniciação científica em Análise de Dados e sua pesquisa de TCC envolvia Inteligência Artificial na criação de um modelo de previsão de ozônio atmosférico, foi aceito na Escola de Engenharia Eletrônica e da Informação da Universidade de Beihang.

Além do envio do projeto de pesquisa, Bruno passou por uma maratona de entrevistas online em inglês: primeiro com a professora que será sua orientadora na Universidade e Beihang, depois com os doutorandos da orientadora, e por fim com o corpo de professores do departamento onde irá estudar. “Fiquei nervoso”, confessa Bruno, “foram muitas perguntas, e nessa hora o inglês some, mas deu tudo certo”. Ele faz questão de agradecer ao professor Luis César Fontana, do Departamento de Física do CCT, que ajudou no trâmite do processo.

Bruno recebeu a bolsa completa para cursar mestrado durante três anos na China. Vai pesquisar os grandes modelos de linguagem (LLM). Ele faz a colação de grau em gabinete, como bacharel em Ciência da Computação, nesta sexta-feira, e embarca para a China no final de julho.

Doutorado sanduíche

André Felipe Dezidério Borges percebeu possibilidades de cooperação com a China ao cursar a disciplina oferecida pelo professor Diao. Um dos conteúdos tratava de hidrogênio e outras formas de energia sustentável, tema de sua pesquisa de doutorado em Química Aplicada no CCT. Quando saiu o edital da Capes para doutorado sanduíche no exterior, André inscreveu-se. O resultado saiu em maio. Ele vai ficar seis meses na Universidade de Beihang com bolsa da Capes, que inclui mensalidade, auxílio para deslocamento, auxílio para instalação, seguro-saúde e o chamado adicional de localidade, quando o bolsista for para cidades com alto custo de vida, como é o caso de André Felipe: ele vai estudar no campus de Hangzhou, no Sul da China.

André se considera “filho da Udesc”: fez licenciatura em Química, mestrado em Química Aplicada e voltou ao CCT para o doutorado após breve período no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em São José dos Campos). Ele também agradece a ajuda do professor Fontana nos contatos com a Universidade de Beihang.

Atualmente, sua pesquisa sobre hidrogênio está nível 2 de maturidade, ou seja, na fase fundamental. “Esta é a fase da ciência pura, estou desenvolvendo o material, testando suas propriedades, ainda sem a preocupação de colocar esse material num dispositivo funcional”, explica. O plano é, durante o doutorado, avançar mais um ou dois níveis no índice TLR (Technology Readiness Level, ou nível de prontidão tecnológica), com perspectiva de dar continuidade aos estudos até chegar à aplicação industrial.

O caso de André Felipe tem ainda outro ingrediente inédito: além de ter sido contemplado com o doutorado sanduíche, ele também faz parte da lista dos 12 alunos do CCT selecionados para participar do Programa Brasil-China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica, que ficará um mês na Universidade de Beihang. Então, embarca para Pequim no início de julho pelo edital de mobilidade, volta em agosto, e na primeira semana de outubro voa novamente para a China pelo edital do doutorado sanduíche.

Conselhos para novatos

Além de contar pontos para a meta de internacionalização das universidades, os intercâmbios marcam a trajetória acadêmica e profissional dos alunos. Aqui, André e Bruno dão dicas para quem está começando:

  • André Felipe - “Para quem está começando, o principal conselho é prestar muita atenção nas oportunidades que aparecem, porque tem muito edital de agência de fomento. A Capes, principalmente, abre todos os anos. Os cursos de pós-graduação em geral têm foco na internacionalização, até porque é um dos parâmetros de avaliação dos cursos, os professores estão sempre tentando parcerias com o exterior, ou trazer pesquisadores, ou ir para outras instituições. É uma grande oportunidade profissional, agrega muito no currículo, no conhecimento. É só dizer para o orientador que pretende ou gostaria de fazer pesquisa no exterior. E não ter medo, porque viver um período fora do país pode causar apreensão em pessoas como eu, que nunca saiu do Brasil”.
  • Bruno Nazário - “Para quem quer dar sequência nos estudos, tem que ter um bom currículo acadêmico. E a Udesc oferece muitas opções de iniciação científica, extensão e pesquisa, então se enfia num projeto desses, entra como voluntário, vai se aperfeiçoando na área que tem interesse. Se ainda não definiu a área, testa de tudo. Eu fiz tudo que dava pra fazer: duas IC, um ano e meio de monitoria, fiz extensão, e em algum momento descobri que gostava da área de IA. Tem que aproveitar as oportunidades, especialmente de pesquisa, que engrandece seu currículo. Nunca esquecer que a universidade tem três eixos: ensino, pesquisa e extensão. Se você fizer só ensino, pode comprometer a sua carreira, inclusive para pegar emprego. E além disso, gastar tempo para estudar por fora da universidade para definir com clareza e profundidade a área em que vai atuar. Então, no plano institucional, usa e abusa da universidade, e no plano pessoal, aprofunda os estudos por conta própria”.


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  • Bruno Nazário (à esquerda), colou grau como bacharel em Ciência da Computação nesta sexta-feira. Ato foi realizado pelo professor André Leal Bittencourt (centro), diretor-geral em exercício
  • André Felipe vai passar seis meses na Universidade de Beihang
 
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