Atividades fizeram parte do Projeto
UniAldeias - Fotos: Divulgação
Uma equipe da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) realizou neste mês uma série de oficinas de tiro de arco e flecha, dentre outras atividades, como o mapeamento de trilhas com GPS, em cinco comunidades Guarani do Litoral Norte catarinense.
Promovidas por integrantes do programa de extensão do
Pa-Kua Udesc, do
Centro de Educação a Distância (Cead), as ações fizeram parte do Projeto UniAldeias, realizado pelo Núcleo Extensionista Rondon (NER) e parceiros entre 11 e 14 de novembro.
As oficinas ocorreram nas aldeias Jabuticabeira, Jabuti Mirim, Ywapuru, Conquista e Reta, mobilizando em torno de 25 moradores locais em cada uma delas.
Nos encontros, os indígenas ensinaram à equipe da universidade suas técnicas com o arco e flecha, enquanto os extensionistas mostraram como é o tiro chinês.
Equipe
As atividades foram conduzidas pelo técnico universitário Rogério Bodemüller Júnior, que coordena o Pa-kua Udesc, com participação dos estudantes Caio Mateus Alves, Beatriz Catarino Vianna, Beatriz da Rosa Santos e Vitória Vieira Nunes.
Os quatro discentes envolvidos estudam no
Centro de Educação Superior da Região Sul (Ceres), em Laguna, e atuaram como rondonistas no Projeto UniAldeias. Caio é bolsista do programa Pa-kua e as estudantes do Laboratório de Botânica (Labot), da Udesc Laguna.
Tiro com arco
No programa de extensão universitária, a modalidade de arqueria, o tiro com arco e flecha, é praticada conforme antigas técnicas chinesas e o conhecimento Pa-Kua, que é baseado na fenomenologia e valoriza a vivência como processo de aprendizagem.
Nas aldeias, os indígenas compartilharam um exercício que fazem de tempos em tempos, no qual homens (e meninos) ingressam na mata para construir seus próprios arcos e flechas e caçar.
Mapeamento de trilhas
Em outra atividade, a equipe da Udesc mapeou cinco trilhas, uma em cada aldeia. Conforme eles, a iniciativa tem como finalidade "atrair a comunidade, gerar fonte de renda, divulgar a cultura e conhecimentos guarani, além de movimentar um pouco mais o território e inibir invasores e caçadores".
Idealizada pelas três alunas da equipe, que cursam Ciências Biológicas, a ação incluiu o mapeamento dos trajetos com GPS, para uso em aplicativos, e a sinalização das trilhas com placas feitas pelos moradores locais.
A identificação dos trajetos e pontos de interesse revelou diversas curiosidades. Em uma das trilhas, o caminho passou um clareira do tamanho de um campo de futebol, na qual cresce somente capim, que os indígenas apontaram como um cemitério ancestral.
Em outra aldeia, uma bifurcação da trilha levou a um sambaqui, em uma praia de água doce, onde, segundo os moradores, havia uma aldeia milenar abandonada por causa das inundações.
Outra aldeia fica ao pé de uma montanha, que os locais afirmam ser "a morada um antigo guardião, que, em tempos de conflito, esconde a aldeia e a região dos invasores com a fumaça de seu cachimbo".
Troca de conhecimento
Representante da Udesc Cead no NER, Rogério destaca dentre os ganhos, além dos resultados práticos, as "muitas trocas de conhecimento e os ensinamentos guarani para nossa equipe".
Para a estudante Beatriz da Rosa, "foi um privilégio visitar e conhecer aldeias indígenas tão de perto, com direito a trilhas, brincadeiras e rodas de conversa".
"Participar do projeto foi muito além de uma simples visita, foi um encontro com histórias, culturas e pessoas. Uma vivência que nos conectou com outra realidade, trouxe aprendizados profundos e ampliou nossa forma de enxergar o mundo. Sem dúvida, foi uma experiência incrível, que vamos levar para a vida toda", afirma.
Sobre o UniAldeias
Conforme os organizadores, o projeto buscou, a partir de ações de extensão universitária, promover o diálogo intercultural e a integração entre instituições públicas de ensino superior e comunidades Guarani do Litoral Norte catarinense.
Ao todo, 12 aldeias foram contempladas, com cerca de 1,2 mil atendimentos e 120 atividades em diferentes áreas, mobilizando 20 ações de extensão.
Conforme o coordenador de Extensão da Udesc, Rafael Gue Martini, que é professor da Udesc Cead, as ações abrangeram áreas como saúde, primeiros socorros, agroecologia, artesanato, saneamento ecológico, comunicação, cultura, patrimônio, alimentação indígena, cuidado dos animais, horta medicinal, desenvolvimento de projetos e língua Guarani, dentre outros temas.
Parceiros
Além da Udesc, participaram da iniciativa representantes da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), Instituto Federal Catarinense (IFC), Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e Universidade Federal de Goiás (UFG).
Coordenada pelo Núcleo Extensionista Rondon da Udesc, com apoio da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade (Proex), o projeto contou ainda com a parceria da Funai, Coordenadoria Regional de Educação (CRE) de Joinville, Federação Catarinense dos Municípios (Fecam), prefeituras municipais e organizações da sociedade civil.
Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas pelo e-mail
ner.proex@udesc.br ou pelos telefones (48) 3664-7929 e (48) 3664-8137; e, sobre o Pa-kua Udesc, pelo e-mail
pakua@udesc.br, no Instagram e pelo WhatsApp (48) 99203-7511.
Assessoria de Comunicação da Udesc Cead
Jornalista Gustavo Cabral Vaz
E-mail: comunicacao.cead@udesc.br
Telefone: (48) 3664-8454