Docente é graduado, mestre e doutor pela Udesc e hoje atua como professor no DAC e como Diretor de Ensino de Graduação
Professor Diego Medeiros. Foto: Isadora Pavei
Esta é a quarta parte de uma série de conversas com professores do Centro de Artes, Design e Moda (Ceart) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) que também são egressos da unidade de ensino. O especial faz parte dos conteúdos que celebram os 40 anos do Ceart.
Desde a infância, Diego de Medeiros Pereira se expressa em palcos de teatro. Aluno de escola pública, contudo, teve poucas oportunidades de aprimorar os estudos na área das artes cênicas em sua cidade natal, Tubarão (SC). Aos 14 anos, participou do Festival de Teatro Universitário, em Blumenau, e ali ouviu falar da graduação na Udesc. Quando assistiu a um espetáculo produzido pela universidade, pôde ver um cenário de futuro.
Em 2003, ingressou no curso de Licenciatura em Educação Artística com Habilitação em Artes Cênicas na instituição. Depois de formado, atuou na rede pública de ensino com aulas de teatro para crianças. Voltou para a Udesc em 2010 para fazer mestrado e, dois anos depois, iniciou o doutorado. Com a pós-graduação concluída, desde 2018 Diego é professor do Departamento de Artes Cênicas (DAC) e, atualmente, também Diretor de Ensino de Graduação do Ceart (gestão 2025-2029).
Núcleo de Comunicação (N.C.): Como você descreve a experiência de estudar na Udesc Ceart?
Diego Pereira (D.P.): Acho que é um choque cultural, porque você chega no Ceart e vê um mundo muito diverso, em todos os sentidos. Há diversidade de pessoas, produções artísticas e também de professores. Isso é incrível porque amplia muito o repertório. Lembro de me matricular e olhar super curioso para o Ceart. Depois, aos poucos, fui entendendo o curso e como ele era qualificado, no sentido de conteúdos, estrutura e professores, que são conhecidos em todo o país. Foi uma possibilidade de conhecer um universo que, de alguma maneira, o meu contexto me negava. Quando a gente está na escola, tem uma visão meio estereotipada no teatro. Mas, quando começa a ver espetáculos e produções, entende a complexidade dessa linguagem e desta arte. O choque se transforma em paixão.
N.C.: Como foi a decisão de voltar para a Udesc como professor?
D.P.: Quando me formei, fui para a rede pública de ensino. Trabalhei em Floripa, São José e no Sesc [Serviço Social do Comércio]. Então, pensei em fazer mestrado, queria voltar a estudar. E foi ali que vislumbrei a possibilidade de ser professor universitário. Entendi que estava fazendo pesquisa e que o meu trabalho na escola era válido. Às vezes, tem um preconceito com a arte produzida nesse espaço, como se ela fosse menor.
Já no fim do doutorado, prestei processo seletivo para professor substituto na área de pedagogia e passei a orientar estágios voltados para o ensino do teatro em escolas. No final de 2018, fui chamado pela Udesc e hoje ministro as disciplinas de "Estágio curricular supervisionado na escola: educação infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental" e "Infância, teatro e docência: práticas e pesquisas com crianças".
N.C.: Quais as principais mudanças que você notou do curso durante esses anos?
D.P.: Como estudante, não temos dimensão da estrutura que suporta todas as atividades e da quantidade de trabalho até chegar no ensino de qualidade que a gente prioriza. Depois de ser professor, também fui Chefe de Departamento e agora estou na Direção de Ensino de Graduação do Ceart. Isso vai ampliando a nossa percepção da estrutura do trabalho, de todas as pessoas envolvidas e dos setores, como comunicação, administração e serviços gerais.
Acho que esse aspecto administrativo foi algo que me causou grande percepção de mudança, do quanto a gente é responsável por mudar aquilo que não concorda enquanto uma gestão democrática. Sendo estudante, muitas vezes nos debatemos com o que discordamos, mas não compreendemos que também podemos levantar pautas. Essa responsabilidade é maior quando somos professores e servidores numa universidade pública. Penso em como mudar essa estrutura para que ela seja mais representativa, diversa e que dialogue mais com a realidade. Eu me sinto no dever de estabelecer uma ponte constante com a sociedade.
N.C.: O que você aprendeu como aluno e hoje aplica como docente?
D.P.: Quando eu comecei a dar aula, voltei a todos os meus materiais da graduação, eu era o estudante que anotava tudo [risos]. Olhando para a minha experiência, vi o que faz sentido hoje para esse grupo de estudantes. Porque sinto que, a cada ano, muda um pouco o perfil dos alunos que entram. Essa dimensão do que eu aprendi foi importante para mostrar aos estudantes o quanto esse espaço é especial, de excelente formação e carinho, que a gente precisa cuidar.
N.C.: Como uma pessoa que fez parte da história do Ceart, o que você imagina para os próximos anos?
D.P.: Para o Ceart, eu penso muito em como ele pode ser cada vez mais acessível. Nós ainda temos uma necessidade de ampliar, principalmente, a acessibilidade para pessoas com deficiência.Temos entraves pedagógicos e estruturais. Mesmo com os avanços nos últimos anos, eu acho que essa ainda é uma questão para todos os cursos.
Já para o curso de Artes Cênicas, especificamente, o grande desafio é manter as atividades com um quadro reduzido de docentes. Eu quero muito que o curso possa ter toda a potência que já teve, de pesquisa, ensino e extensão com maior número de professores efetivos. Desejo uma valorização maior desse corpo permanente de docentes e de técnicos. O curso já teve mais servidores, o que sobrecarrega menos a estrutura e faz com que a gente consiga entregar os trabalhos com mais qualidade. Tendo mais pessoas para trabalhar, temos mais tempo para estar junto com os estudantes, de pensar novos projetos e de olhar melhor para a realidade.
N.C.: Como você se sente tendo feito toda a sua trajetória dentro da Udesc Ceart?
D.P.: Eu sou muito feliz no Ceart. Sou realizado no meu trabalho como professor de arte e como gestor de ensino. Ocupar esse espaço de gestão tem a responsabilidade de trazer pautas importantes, no meu caso, a da infância e das diversas crianças. Acho que sempre tem coisas para aprender sobre o centro e sobre a universidade. Esse caminho de estudante para professor e gestor é muito prazeroso, ainda que tenha dificuldades. Eu me sinto realizado.
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Entrevista por Isadora Pavei e Valentina Orlandi, estagiárias de jornalismo
Núcleo de Comunicação Udesc Ceart
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