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Centro de Ciências da Saúde e do Esporte

Notícia

09/11/2020-11h03

Pesquisador da Udesc fala sobre protocolos para jogos de futebol na pandemia

 
Alexandro Andrade, da Udesc Cefid, abordou retorno do futebol em entrevista a jornal local - Foto: Pexels
Pesquisador da área esportiva há mais de 30 anos, o professor Alexandro Andrade, do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte (Cefid), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), levantou questionamentos sobre os protocolos de segurança adotados para os jogos de futebol na pandemia, em entrevista concedida ao jornal Notícias do Dia (ND). Acesse a reportagem, que foi publicada na última quinta-feira, 5.

Na Udesc Cefid, Andrade coordena o Laboratório de Psicologia do Esporte e do Exercício (Lape), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciência do Movimento Humano (PPGCMH) e formado por cerca de 25 pesquisadores, entre acadêmicos de graduação, bolsistas de iniciação científica, de mestrados, doutorado e pós-doutorado.

Desde o início da pandemia, o Lape desenvolve pesquisas no Brasil e na Europa que buscam avaliar o impacto da Covid-19 e do isolamento social sobre a saúde mental de atletas e da população, inclusive com jogadores de futebol profissional.

Segurança na pandemia

Na extensa entrevista concedida ao ND, publicada na íntegra pelo jornal, Andrade analisou os protocolos de segurança adotados para a realização de jogos de futebol no contexto da pandemia.

Inicialmente, o pesquisador chamou a atenção para o fato de que não há um único protocolo adotado na Brasil, mas diversos, "em virtude das pressões sobre todos os atores, dirigentes, atletas, patrocinadores e público, que levaram a decisões de retorno ou distanciamento diferentes".

Andrade afirmou que, na sua opinião, o retorno dos jogos, da forma que foi feita, gera riscos para jogadores e comissões técnicas, em virtude do futebol ser um jogo de contato físico intenso e direto, com momentos de altíssima probabilidade de contaminação.

Contágio

"Tanto pelo contato físico, havendo contato com material contaminado nos olhos, nariz ou boca, quanto pela respiração de gotículas no ar, que carregam partículas que podem levar o vírus, o jogo de futebol favorece este tipo de proximidade, contato e portanto contaminação."

Para ele, um fato que comprova esse risco são os atletas e dirigentes infectados com Covid-19 em muitos clubes de futebol do País. "Esse fato é algo muito grave, que coloca diretamente essas pessoas e suas famílias sob grave risco de prejuízos à saúde, o que deveria ser inadmissível. Risco de contrair um vírus mortal e que pode deixar sequelas graves. Sabemos pouco sobre este vírus e as consequências de médio e longo prazo desta doença."

Prioridades

O pesquisador alertou que, na pandemia, as prioridades para a prática do esporte devem ser "rigor absoluto na testagem, distanciamento e controle diário em todas as equipes" e que a principal dificuldade é realizar plenamente esse controle.

"O que todos devem estar cientes é: não havendo isolamento e distanciamento social de membros da equipe e sem testagem adequada, um atleta ou dirigente contaminado pode colocar em risco não apenas a equipe, como atletas de outras equipes em disputa e, consequentemente, suas famílias."

Ele citou ainda bons modelos e experiências que foram testadas para os atletas, como a bolha de isolamento usada na NBA, com "resultado excelente".

Torcedores

Já para o retorno das torcidas aos estádios, Andrade afirmou que um protocolo é "teoricamente possível" e que deveria envolver distanciamento (não apenas nas filas e no interior do estádio, mas no transporte público e no entorno), uso permanente de máscaras e uso de álcool em gel.  

"O problema maior me parece a pouca capacidade de controle de torcedores fora e dentro do estádio quanto às medidas rigorosas de autoproteção, do uso correto de máscaras, álcool-gel, distanciamento social e testagem", afirmou. Ele destacou ainda que, embora estádios sejam ambientes em grande parte abertos, muitas arenas de futebol no País têm estrutura limitada e modesta.

A principal dificuldade, na opinião do docente, é a postura de parte da população: "Infelizmente, no Brasil, há uma parcela significativa da população e também no futebol que negou, desde o início, a seriedade desta pandemia e desconsiderou os graves problemas de saúde que o vírus pode causar, como sequelas e mortes. Muitos gestores minimizam isso, diante dos graves problemas e dificuldades econômicas causados pelo confinamento social, o desemprego e a economia. Some isso ao fato de que há milhares de jovens e adultos simplesmente descuidando de sua segurança, esse comportamento explica boa parte dos números. O Brasil está entre os líderes negativos na pandemia".

Exercício em grupo  

Desde o início de sua carreira, Andrade já publicou, em parceria com colegas e alunos, mais de 200 artigos científicos. Em junho deste ano, um deles foi usado como base para reportagem no New York Times com o título “Qual o futuro das aulas de exercício em grupo?”.

Publicado no periódico internacional Environmental Science and Pollution Research, em 2018, o trabalho era resultado de uma pesquisa do Lape, da qual também participaram os pesquisadores Fábio Dominski e Carla Liz, da Udesc Cefid, Marcelo Pereira, do Instituto Federal de SC (IFSC), e Giorgio Buonanno, da Universidade de Cassino, na Itália.

Dominski foi orientando do professor Alexandro na graduação, no mestrado e no doutorado, durante o qual desenvolveu uma tese na área da qualidade do ar no exercício físico e no esporte, defendida recentemente "com brilhantismo", nas palavras do docente .

Precauções

Ao NY Times, Andrade declarou que as orientações para exercício em grupo deveriam incluir a redução do tamanho das turmas, o uso de máscaras e demais proteções faciais durante as atividades e, quando possível, a realização de aulas ao ar livre, em locais com ampla circulação de ar.

Por ocasião da reportagem, em declaração ao portal da Udesc, ele acrescentou ainda que "o aspecto mais importante nos ambientes internos das academias é o sistema de ventilação, que deve garantir renovação constante do ar". "Salas fechadas ou pouco ventiladas são ambientes de alto risco neste contexto da pandemia."

Mais informações

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail alexandro.andrade@udesc.br.

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