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Centro de Ciências da Saúde e do Esporte

Notícia

08/12/2021-16h48

Pesquisas da Udesc Oeste sobre avicultura beneficiam produtores e indústrias

 
Pesquisas ocorrem em instalações da Udesc em Guatambu e em Chapecó - Fotos: Divulgação
Um trabalho realizado há quase uma década pelo Centro de Educação Superior do Oeste (CEO), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), leva assistência técnica gratuita a produtores de aves da região de Chapecó e produz diversas pesquisas voltadas ao desenvolvimento da avicultura catarinense.

Os projetos sobre avicultura de corte e de postura são desenvolvidos em dois setores da Udesc Oeste: no Departamento de Zootecnia, em Chapecó, e na Fazenda Experimental do CEO (Feceo), em Guatambu.

O professor Marcel Manente Boiago é um dos principais pesquisadores sobre o tema e o responsável por coordenar diferentes ações na área.

Segundo o docente, a avicultura é um dos principais agronegócios da Região Oeste Catarinense, onde diversas empresas de alimentos estão instaladas e têm parcerias com a Udesc. Essa condição possibilita diversas frentes de atuação para a universidade, voltadas tanto para a agroindústria quanto para pequenos produtores.

Apoio técnico para avicultores

Na área da extensão, uma das ações da universidade busca auxiliar os pequenos produtores, conforme explica Boiago: "É comum encontrarmos na região instalações para frangos desativadas, devido ao elevado grau de exigência em investimentos das agroindústrias. Essas instalações podem ser aproveitadas para a produção de aves poedeiras e de frango colonial, produtos que possuem nichos de mercado específicos".

Desde 2014, o professor coordena o programa "Apoio Técnico a Pequenos Avicultores do Oeste Catarinense", que presta assessoria técnica gratuita para pequenos produtores de aves, orientando desde a montagem das instalações até a comercialização dos produtos.

"O maior desafio nessa área é a escassa assistência técnica disponível para os pequenos produtores. Muitos não sabem por onde começar e não têm onde buscar auxílio", conta.

Boiago estima que, considerando as famílias que passaram a produzir frango caipira e ovos na região a partir das ações do programa, mais de 800 pessoas já foram indiretamente beneficiadas.

Um deles é o produtor Valmir Vivian, que mantém cerca de 700 galinhas poedeiras na sua propriedade, no interior de Chapecó, em sistema caipira, e comercializa os ovos em diversos mercados da cidade.

Vivian relata que esse trabalho com as aves, viabilizado pelo apoio da Udesc Oeste, lhe proporciona uma renda líquida mensal em torno de R$ 3,5 mil.

Pesquisas

Em relação às pesquisas, Boiago conta que, tanto no Departamento de Zootecnia, em Chapecó, quanto na Feceo, em Guatambu, a Udesc Oeste conta com instalações que permitem a condução de experimentos com frangos de corte, galinhas poedeiras e codornas.

"As primeiras instalações do centro de ensino para pesquisas com aves foram feitas em 2016, para estudos com codornas. Atualmente, são desenvolvidos aproximadamente 20 experimentos por ano com aves", afirma.

Os resultados gerados nas pesquisas são muitas vezes compartilhados com produtores, por meio do programa de extensão ou com outras ações.

Aditivos alimentares

Parte significativa das pesquisas na área diz respeito ao uso de aditivos alimentares para substituir antibióticos. Segundo os pesquisadores da Udesc Oeste, para as aves de postura, os estudos demonstram que os aditivos melhoram a qualidade dos ovos e são importantes para fortalecer a saúde das galinhas.

Já na avicultura de corte, os aditivos alimentares aumentam o ganho de peso dos frangos e melhoram a qualidade da carne.

Restrição aos antibióticos

Uma das linhas de pesquisa busca solucionar um problema enfrentado pela indústria: o uso de antibióticos. "Um desafio que temos hoje na produção de carne de aves e ovos é a restrição de alguns países importadores quanto ao uso de antibióticos como melhoradores de desempenho dos animais, algo comum no Brasil e no mundo desde a década de 1950", afirma Boiago.

Segundo ele, os antibióticos são utilizados em dosagens mínimas na avicultura catarinense, "para controlar a população de bactérias patogênicas e evitar perdas de desempenho geradas por doenças subclínicas".

Com as restrições para exportação, no entanto, tornou-se essencial estudar produtos naturais que os substituam. "Os animais precisam ter na dieta algum composto que controle problemas causados por microrganismos patogênicos, evite que adoeçam e mantenham um bom desempenho", explica o docente.

Os projetos de pesquisa da Udesc Oeste nessa área avaliam o uso de produtos naturais como extratos herbais, ácidos orgânicos e pré e probióticos, entre outros, como aditivos nas dietas das aves. O objetivo é verificar se o desempenho, a saúde e a qualidade dos produtos (carnes e ovos) são afetados pelas alterações na dieta.

Potencial

Boiago destaca que o potencial de geração de valor com essas pesquisas "é muito grande, pois a necessidade de substituir os antibióticos é real".

"Alguns países importadores da carne brasileira já não aceitam mais o uso de antibióticos na produção animal. Por isso, o potencial é imenso: as agroindústrias precisam utilizar esses produtos para manter a produção em escala e evitar problemas sanitários", afirma.

Com participação de professores e alunos da Udesc e de universidades parceiras, as pesquisas desenvolvidas sobre o tema já geraram dissertações, trabalhos de conclusão de curso (TCC) e diversos artigos publicados em revistas científicas da área.

Parte dos alunos envolvidos no trabalho atua como bolsistas de iniciação científica ou de extensão, e muitos participam como voluntários. A maioria das pesquisas também conta com recursos externos de agências de fomento, como a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e da iniciativa privada.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail marcel.boiago@udesc.br.

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