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Centro de Ciências da Saúde e do Esporte

Notícia

08/12/2017-10h53

Professora da Udesc Oeste elabora documentário sobre plantas medicinais com agricultoras

 
Produção destaca o saber popular - Foto: Divulgação
A professora Kiciosan Bernardi Galli, do curso de Enfermagem do Centro de Educação Superior do Oeste (CEO), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), elaborou um documentário com depoimentos de cinco agricultoras do Oeste Catarinense que cultivam, usam e plantas medicinais há mais de 30 anos.

O trabalho integra a tese de doutorado da docente sobre o saber popular no cultivo de plantas medicinais, defendida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Na pesquisa, Kiciosan destaca o trabalho das agricultoras Linda Canton e Asti Dreissing, de Cunha Porã; Ilany Toigo, de Caibi; Teresinha Royer, de Mondaí; e Ebel Schneider, de Palmitos.

Todas elas têm uma horta medicinal em casa e estão vinculadas à Pastoral da Saúde, ao Movimento de Mulheres Camponesas e ao projeto de Farmácia de Natureza Itinerante.

As agricultoras fornecem plantas à comunidade, preparam xarope, chás e creme e realizam cursos sobre plantas medicinais. Atualmente, existem cerca de 200 plantas medicinais, com destaque para manjericão, hortelã, cidreira, orégano, ginkgo biloba e boldo.



Análise de discursos

Na tese, a professora da Udesc Oeste, procura conhecer os discursos das agriculturas sobre plantas medicinais, seus deslocamentos e suas rupturas, além de analisar suas experiências no cultivo e uso das plantas, identificando saberes sobre a implantação e a regulamentação da fitoterapia na rede básica de saúde.

Kiciosan confronta os discursos das agricultoras com os do governo, representado pelas políticas públicas, e com os discursos profissionais, que tendem a valorizar pesquisas clínicas considerando os saberes populares como não científicos e subordinados aos saberes dos profissionais de saúde.

No trabalho das agricultoras, a docente disse ter encontrado formações que se unem e fortalecem o discurso de ser agricultora e de superar o preconceito e as dificuldades impostas para se aperfeiçoar e adquirir conhecimento por meio de cursos, capacitações e pesquisas na internet, assim como valorizar as plantas medicinais e "desqualificar o conhecimento dos profissionais de saúde por não terem a prática da cadeia produtiva das plantas".

Saber científico

Sobre a experiência  das agricultoras no cultivo e na indicação de plantas medicinais, Kiciosan destaca que suas formações discursivas apontam o saber e o poder dos quais se sentem investidas e entendem que o chá não destrói o organismo, além de afirmarem que suas atividades são respaldadas por profissonais.

Ao identificar os saberes das agricultoras sobre a implantação e a regulamentação da fitoterapia na rede básica de saúde, a professora da Udesc Oeste destaca que elas não têm conhecimento sobre as portarias, manuais e demais publicações governamentais e questionam a autoridade do profissional de saúde e o espaço no Sistema Ùnico de Saúde (SUS) para quem conhece plantas medicinais.

"Dar voz e visibilidade às histórias dessas agricultoras agregou novas habilidades em minha prática de enfermeira e docente no sentido de juntar seus saberes para, em parceria, construirmos conhecimento na qualificação do cuidado e apresentar aos alunos outro olhar sobre tais saberes", ressalta Kiciosan. 

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