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Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas

Notícia

16/04/2026-14h58

Estudo da Udesc Esag analisa participação feminina em áreas tecnológicas e diferenças salariais no Brasil

Ciência que transforma: estudo tem a condução da professora Patrícia Bonini

Uma pesquisa acadêmica em andamento no Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) investiga a participação das mulheres no mercado de trabalho, com foco especial nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), e os diferenciais salariais de gênero no Brasil. O estudo é conduzido pela professora Patrícia Bonini, do Departamento de Economia da Udesc Esag, e também compara o país com outras economias, buscando compreender fatores que influenciam a escolha profissional de mulheres nessas áreas.

Segundo a pesquisadora, a ideia do trabalho surgiu do interesse em entender como o Brasil se posiciona em relação a outros países em termos da convergência de gênero e seu papel no contexto do desenvolvimento tecnológico, que, por sua vez, é determinante da produtividade e do crescimento econômico. Nesse contexto, o mercado de trabalho é visto como elemento central da capacidade produtiva de um país.

“Minha motivação é pesquisar qual a nossa velocidade nesse processo. Quais as perspectivas de convergência com outras economias.

O Brasil foi um dos primeiros países a atingir a convergência de gênero na universidade: desde início dos anos 2.000 que as mulheres são mais de 50% da população feminina no ensino superior. Porém nas áreas de ciência e tecnologia, tanto em termos de formação quanto em termos de atuação profissional, a participação feminina é tímida, um perfil semelhante observado nos outros países” explica a professora Patrícia.

A investigação começou a partir de análises sobre diferenças salariais entre homens e mulheres e sobre polos tecnológicos na região Sul do Brasil, incluindo recortes no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A pesquisa identificou que, embora exista em média uma desvantagem salarial para as mulheres, esse cenário varia significativamente conforme a ocupação.

Diferenças entre áreas

Um dos achados apontados é que, em áreas como engenharia, a diferença entre médias salariais é reduzida, ocorrendo até mesmo uma inversão do gap salarial, com média salarial feminina superior à média masculina. O estudo também destaca que o Brasil apresenta padrões semelhantes aos de países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, França e Reino Unido no que se refere aos diferenciais salariais de gênero.

Por outro lado, países como China e Índia aparecem com diferenças salariais menores, o que, segundo a pesquisadora, indica maior convergência de gênero nesses contextos. O levantamento também observa variações internas significativas dentro do próprio Brasil, considerando suas diferenças regionais.

Atualmente, o projeto avança para uma etapa que busca compreender as causas desses padrões. Entre as hipóteses investigadas está a teoria da “falta de modelos de representação”, que sugere que a ausência de referências femininas em determinadas carreiras pode influenciar a decisão das jovens de não ingressarem ou de se afastarem de áreas mais técnicas e tecnológicas.

A partir dessa hipótese, a pesquisa está conduzindo estudos em escolas de ensino médio com base em metodologia experimental, utilizando a comparação entre grupos de tratamento e grupos de controle para avaliar possíveis impactos sobre as intenções de escolha profissional dos estudantes.

Além da análise sobre ingresso e permanência das mulheres nessas áreas, a pesquisadora destaca que o tema da diversidade no mercado de trabalho vai além de questões de equidade. Segundo ela, equipes diversas tendem a produzir soluções diferentes para os mesmos problemas, o que pode ser estratégico em um contexto de inovação e competição tecnológica global.

O estudo segue em andamento e busca contribuir para o debate sobre políticas públicas, educação e incentivo à participação feminina em áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico.

Esta reportagem integra a série Ciência que transforma, da Udesc Esag. O projeto tem como foco principal fortalecer a iniciação científica e estimular a participação da comunidade acadêmica em projetos de pesquisa, com ênfase na linguagem simples.

Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br

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