Evento reúne pesquisadores de diferentes instituições para discutir os desafios da nova realidade metropolitana da Capital catarinense
A capital catarinense passa a integrar oficialmente a rede nacional de pesquisa sobre desenvolvimento urbano com a criação do
Núcleo Florianópolis do Observatório das Metrópoles. O lançamento será marcado por um seminário nos dias 12 e 13 de agosto, reunindo pesquisadores, gestores públicos, estudantes e representantes da sociedade civil para discutir os desafios da urbanização contemporânea e os impactos do processo de metropolização da Capital.
O evento é promovido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Universidade Regional de Blumenau (FURB) e Instituto Cidade e Território, instituições que compõem o núcleo catarinense da rede nacional.
Criado em 2025, o Núcleo Florianópolis passa a integrar o Observatório das Metrópoles, um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) sediado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Atualmente, a rede reúne 21 núcleos regionais dedicados aos estudos sobre as transformações urbanas e o desenvolvimento das metrópoles brasileiras.
Nova condição metropolitana
A criação do núcleo ocorre em um momento emblemático para Florianópolis. Segundo o estudo Regiões de Influência das Cidades (REGIC 2018), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Capital catarinense passou a integrar o grupo das 15 metrópoles brasileiras.
De acordo com a chefe do Departamento de Geografia da Udesc Faed, Renata Rogowski Pozzo, o reconhecimento representa uma mudança importante na posição de Florianópolis dentro da rede urbana nacional.
"A classificação do IBGE não considera apenas o tamanho da cidade ou sua população. O principal critério é a capacidade de influência sobre outras regiões, especialmente por meio de fluxos de gestão, informação, serviços especializados e tomada de decisões", explica.
Segundo a pesquisadora, Florianópolis deixou de ser reconhecida apenas como uma capital regional para exercer funções típicas das metrópoles contemporâneas.
"O desenvolvimento do setor de tecnologia, dos serviços especializados, a presença de instituições públicas e a concentração de atividades ligadas à gestão empresarial e governamental fazem parte desse processo", afirma.
Ela destaca ainda que o IBGE analisa o conjunto formado por Florianópolis e os municípios vizinhos, como São José, Palhoça, Biguaçu e Santo Amaro da Imperatriz, entendidos como um único arranjo populacional.
Para Renata, essa transformação acompanha mudanças observadas em diversas cidades do mundo.
"As metrópoles deixaram de ser predominantemente industriais e passaram a concentrar atividades ligadas à gestão, à inovação, à produção de conhecimento e aos serviços de alta especialização. Florianópolis apresenta justamente esse perfil", observa.
Pesquisa para compreender os desafios
A proposta do Núcleo Florianópolis é acompanhar as transformações da região metropolitana e produzir conhecimento científico que contribua para o planejamento urbano e para a formulação de políticas públicas.
"A metropolização traz novos desafios. Questões como mobilidade, habitação, valorização imobiliária e segregação socioespacial deixam de ser problemas exclusivamente municipais e passam a exigir soluções pensadas para toda a região metropolitana", destaca Renata.
Segundo ela, compreender essas transformações será uma das principais missões do novo núcleo de pesquisa.
"O objetivo é dar os primeiros passos para entender esse processo de metropolização de Florianópolis, que é recente e apresenta características bastante próprias quando comparado às metrópoles tradicionais do país", observa.
Programação
A abertura do seminário será realizada no dia 12 de agosto, das 19h às 21h, no Auditório da Udesc Faed, com a Aula Magna "Transformações da ordem urbana no Brasil: metrópoles, desigualdade e os desafios para um desenvolvimento igualitário, justo e sustentável", ministrada por Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, coordenador nacional do Observatório das Metrópoles.
No dia 13 de agosto, as atividades acontecem no Auditório do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSC.
Pela manhã, a mesa-redonda "Transformações urbanas e desenvolvimento desigual nas metrópoles do Sul do Brasil" reunirá pesquisadores dos núcleos de Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis.
À tarde, o debate será dedicado à realidade catarinense, com a mesa "Florianópolis, nova metrópole: transformações da ordem urbana, desigualdades emergentes e desafios para um desenvolvimento igualitário e sustentável", reunindo pesquisadores que discutirão os impactos da nova condição metropolitana da Capital.
Integração entre universidades
Além de fortalecer os estudos sobre o desenvolvimento urbano, o Núcleo Florianópolis nasce com uma proposta de atuação integrada entre ensino, pesquisa e extensão.
"A criação do núcleo representa uma importante articulação entre universidades e instituições de pesquisa de Santa Catarina, ampliando a participação do estado em uma das principais redes nacionais dedicadas aos estudos urbanos", destaca Renata.
O seminário é gratuito e aberto ao público. As inscrições podem ser feitas pelo
site, com emissão de certificado. As mesas-redondas também serão transmitidas ao vivo pelo canal do Núcleo Florianópolis – Observatório das Metrópoles no
YouTube, ampliando o acesso às discussões para participantes de todo o país.
Assessoria de Comunicação da Udesc Faed
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