Atividade integra a disciplina Prática Curricular, Ensino de História e suas Linguagens II e será aberta à participação da comunidade
A equipe do filme Eglê, dirigido por Adriane Canan, estará no
Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed) na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) para roda de conversa com estudantes da disciplina Prática Curricular: Ensino de História e suas Linguagens II, do curso de Licenciatura em História, ministrada pela professora Ana Luíza Mello Santiago de Andrade. A atividade é aberta à todas as pessoas interessadas em conhecer mais sobre a produção audiovisual e os processos envolvidos na realização de um filme. A exibição é nesta terça, 29, às 18h30min, no Auditório Tito Sena.
A proposta é estabelecer diálogo entre a produção cinematográfica e o ensino de História, a partir da experiência da equipe responsável pelo filme focado na trajetória da escritora, professora e tradutora Eglê Malheiros.
“A disciplina está organizada para discutir diferentes linguagens a partir das quais a história se expressa, tudo vinculado ao ensino da história”, explica a professora Ana Luiza.
A intenção é além de exibir, discutir a obra. Durante a conversa, os participantes podem conhecer aspectos do processo de produção audiovisual, falar sobre as escolhas envolvidas na construção de uma obra cinematográfica e refletir sobre as possibilidades do cinema como linguagem para abordar temas históricos.
Todo o acervo de Eglê Malheiros e Salim Miguel, que foram casados por mais de 50 anos, foram doados para o Instituto de Documentação e Investigação em Ciências Humanas (IDCH) da Udesc Faed.
Equipe destaca possibilidade de troca
A diretora, Adriane Canan, acredita que espaços de discussão dentro da universidade, e particularmente no curso de História, são considerados fundamentais para ampliar o conhecimento sobre essa trajetória e promover o diálogo com as novas gerações.
Para Adriana, a importância dessa discussão também está relacionada à trajetória de Eglê Malheiros, que ao longo de toda a sua vida, defendeu a universidade e a educação pública como instrumentos fundamentais para a transformação da realidade.
“Exibir o [documentário] Eglê em espaços como esse é fundamental porque o filme precisa ser visto. Porque dona Eglê precisa ser mais conhecida”, diz a cineasta Adriane Canan.
“A gente fica feliz de o filme ser esse instrumento, de mais visibilização da obra, da vida, da trajetória, da grande atuação política, revolucionária que teve dona Eglê em Santa Catarina e também no Brasil, porque dona Eglê foi uma mulher muito contemporânea em todos os tempos que viveu”, afirma.
Sobre a protagonista
A trajetória de Eglê Malheiros foi perpassada por lutas desde a infância. Ainda muito jovem, após perder o pai, ela enfrentou o contexto político do Estado Novo e, recém-completados 18 anos, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), tornando-se uma liderança da organização. Também atuou como professora de História,com uma perspectiva marxista, que visa estimular os estudantes a desenvolverem uma leitura crítica da realidade brasileira e do mundo.
Eglê também teve participação fundamental no Grupo Sul, movimento de grande importância para a história cultural de Santa Catarina, embora ainda seja pouco conhecido, especialmente o papel desempenhado por ela nesse processo.
Além de proporcionar o contato direto com profissionais envolvidos na realização do filme, a atividade busca aproximar os estudantes das diferentes etapas que integram uma produção audiovisual, ao ampliar as possibilidades de utilização do cinema em contextos educativos.
Sobre o filme
O documentário Eglê, dirigido por Adriane Canan e produzido em 2023, apresenta a trajetória de Eglê Malheiros, escritora, professora, roteirista e advogada natural de Tubarão (SC).
“Escolhemos a voz dela em primeiro plano. Não é um documentário que você vai ver especialistas falando sobre a obra dela”, explica Canan.
Com 82 minutos de duração, o filme registra a história de uma mulher que marcou a cultura e a educação catarinenses e abriu caminhos para outras mulheres, destacando sua atuação e seu percurso de coerência e generosidade.
Eglê Malheiros morreu em Brasília (DF), em 17 de dezembro de 2024, aos 96 anos. Ela foi a primeira mulher roteirista de cinema em Santa Catarina. A produção é resultado de um coletivo de mulheres que quis homenageá-la.
O filme ganhou o Prêmio Catarinense de Cinema 2019. A produção foi desenvolvida em 2021, durante a pandemia, e concluída em 2023.
Assessoria de Comunicação da Udesc Faed
Jornalista Magali Moser
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