"As falas foram altamente qualificadas e representativas. Diversos segmentos mostraram e comprovaram a necessidade da abertura do curso. Isso torna nossa audiência muito válida, verdadeira, autêntica. Foi realmente muito importante a participação de cada um aqui", ressaltou a diretora-geral da Udesc Cefid, professora Suzana Matheus Pereira.
No encontro, o presidente do Crefito-10, fisioterapeuta André Cruz, fez uma apresentação sobre a importância de o curso de graduação em TO ser ofertado em SC por uma universidade pública, pois o conselho conta com menos de mil terapeutas ocupacionais registrados, sendo boa parte oriunda de outros estados, e esse número é insuficiente para atender as demandas crescentes dos municípios catarinenses em questões como acessibilidade nas escolas e no serviço público.
Por isso, o Crefito-10 iniciou um movimento pela implantação de cursos de Terapia Ocupacional no Estado. Conforme Cruz, até três anos atrás, havia uma única graduação, em Joinville, mas agora já são dez cursos em instituições privadas de várias regiões.
"É difícil ouvir o pedido de socorro de um pai que nos procura para saber onde existem terapeutas porque ele não encontra esse profissional próximo, porque ele necessita e está preocupado com o desenvolvimento do seu filho", afirmou o presidente do conselho. "A abertura do curso na Udesc é uma necessidade social e estratégica. A Udesc tem a qualidade e competência necessárias para isso."
A necessidade de se implantar o curso na Udesc Cefid também foi reforçada não somente por profissionais de TO que se manifestaram durante a audiência pública, afirmando que a falta de um curso público em SC limita a pesquisa e a extensão nessa área, mas também por entidades como a Federação das Apaes do Estado de Santa Catarina (Feapaes-SC) e a Associação de Pais e Amigos dos Autistas (AMA), que relataram as dificuldades para encontrar terapeutas ocupacionais no mercado de trabalho e destacaram o quanto isso prejudica o desenvolvimento das pessoas com deficiência.
Para a coordenadora da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), Luciana Ayres de Souza, a instituição recebe com entusiasmo a notícia da criação de um curso de TO na Udesc. "A formação pública de terapeutas representa um avanço significativo para a inclusão, a acessibilidade e a garantia dos direitos das pessoas com deficiência", declarou. "Essa abertura dialoga com as necessidades da sociedade, pois os municípios têm demandado cada vez mais profissionais."
Participação de gestores
A Udesc foi representada na audiência pública pelo reitor, professor José Fernando Fragalli, e pela diretora-geral da Udesc Cefid, professora Suzana Matheus Pereira, que disse que a proposta de projeto pedagógico do curso de Terapia Ocupacional já está pronto, após proposta de criação feita pelo Crefito-10 no ano passado, e garantiu que o centro tem condições de oferecer essa graduação.
O projeto pedagógico foi elaborado sob responsabilidade da professora Fernanda Romaguera dos Santos, do Departamento de Fisioterapia, com o apoio da pedagoga Silvana Rodrigues de Souza, e prevê o funcionamento do curso no período noturno, aproveitando a estrutura física da graduação em Fisioterapia, que concentra suas atividades nos turnos da manhã e da tarde.
Na audiência, a professora Fernanda enfatizou que a formação em TO não qualifica somente a profissão e os profissionais, mas também a oferta do serviço. "São necessários os estágios. Quando os alunos e os professores vão a campo, eles levam uma demanda de atualização, de geração de produtos novos, e isso renova as energias do serviço, isso é muito rico".
"A Udesc e o Cefid são muito fortes em pesquisa, e, na hora que a gente fala em qualificação profissional, o Cefid está aí com programas de pós-graduação super bem qualificados e pode muito bem contribuir demais para a formação de recursos humanos, para a pesquisa, para a docência", complementou.
Para que o curso de Terapia Ocupacional seja implantado na Udesc Cefid, três pontos-chaves são necessários:
Aprovação do projeto pedagógico nas instâncias da universidade;
Aprovação das instâncias da Udesc, do governo estadual e da Alesc para o aumento do repasse mensal de recursos da receita líquida disponível do Estado para a universidade, via duodécimo;
Aprovação das instâncias da Udesc, do governo estadual e da Alesc em relação a ajustes no plano de carreiras da universidade para abrir funções de confiança e vagas de docentes e técnicos no novo curso.
Segundo o reitor da Udesc, os trâmites para implantar o curso já estão em andamento e devem ser concluídos em até dois anos. O projeto pedagógico, por exemplo, passará pela análise de órgãos internos, entre eles a Pró-Reitoria de Ensino (Proen), para aprovação. "São trâmites necessários, que precisam ser obedecidos", ressalvou. "O curso não é para já. Acreditamos que esse processo leva de um ano e meio a dois para ser concluído."
Além disso, o centro tem diversas instalações esportivas, como pista, campo, ginásios e piscina semiolímpica, e a Clínica Escola de Fisioterapia, que é referência na área e presta cerca de 1,3 mil atendimentos gratuitos a pacientes de diversos municípios da Grande Florianópolis mensalmente, por demanda espontânea e encaminhamentos. Confira os serviços da clínica.
A Udesc Cefid também está entre os centros da universidade com mais extensionistas – ao todo, docentes, técnicos e estudantes da unidade realizam hoje mais de 170 ações de extensão nas áreas da saúde e do esporte para a sociedade catarinense.
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