Please enable JavaScript to view the page content.
Logo da Universidade do Estado de Santa Catarina

Notícia

16/03/2026-14h13

Brasil investe muito em educação, mas resultados ainda são baixos, apontam pesquisas da Udesc Esag

Ciência que Transforma: Estudos estão a cargo do professor Marcos Wink

Mesmo com altos investimentos em educação, o Brasil ainda enfrenta sérios desafios para melhorar a aprendizagem dos estudantes. Avaliações nacionais e internacionais mostram que o país tem desempenho abaixo do esperado em áreas fundamentais como leitura, matemática e ciências, além de registrar altos índices de abandono escolar, especialmente no ensino médio. Os resultados são alguns exemplos das pesquisas em desenvolvimento no Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) a cargo do professor Marco Wink, do Departamento de Economia.

Para ele, o problema não está apenas no volume de recursos aplicados, mas na forma como esses recursos são utilizados. A discussão atual se concentra cada vez mais em identificar políticas que funcionam e que permitam melhorar os resultados sem necessariamente aumentar os gastos.

“Gastamos muito e, muitas vezes, gastamos mal. O desafio é descobrir o que realmente funciona para gastar melhor”, explica o pesquisador.

Políticas simples podem melhorar o aprendizado

Estudos mostram que o aprendizado dos alunos é influenciado por diversos fatores. Entre eles, o contexto familiar tem grande peso no desempenho escolar. No entanto, pesquisas também indicam que algumas políticas relativamente baratas podem gerar impactos positivos, aponta o professor Marco Wink.

Entre os exemplos citados estão programas de xadrez nas escolas e visitação domiciliar na primeira infância. Essas iniciativas ajudam no desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças, o que pode resultar em melhor desempenho escolar no futuro e maior continuidade nos estudos.

Dois grandes problemas da educação brasileira

De acordo com especialistas, dois desafios principais marcam o cenário educacional brasileiro.

O primeiro é o baixo nível de aprendizado. Quando comparados a países com características econômicas semelhantes, os estudantes brasileiros apresentam desempenho significativamente inferior em avaliações internacionais.

O segundo problema é o desinteresse dos jovens pelo ensino médio. Muitos estudantes abandonam a escola para ingressar no mercado de trabalho. Para tentar conter essa evasão, alguns programas públicos têm oferecido bolsas ou incentivos financeiros para estimular a permanência dos jovens na escola.

Segundo o pesquisador Marco Wink, há também uma dificuldade crescente de comunicação com os jovens sobre a importância do ensino médio para o futuro profissional.

Papel do professor e estrutura escolar

Outro ponto frequentemente debatido é a valorização dos professores. Pesquisas mostram que algumas medidas podem ajudar a melhorar o desempenho educacional, como programas de bonificação por metas e políticas que reduzam a rotatividade de professores nas escolas.

A infraestrutura escolar também é considerada importante. Ambientes adequados contribuem para melhores condições de trabalho dos professores e aprendizado dos alunos. Recentemente, iniciativas de melhoria estrutural têm sido discutidas em alguns estados.

Além disso, especialistas apontam que a redução no número de crianças no país, consequência da transição demográfica, pode representar uma oportunidade para melhorar a qualidade da infraestrutura educacional sem aumento significativo de custos.

Nova linha de pesquisa: impactos de desastres naturais na educação

Uma nova frente de estudos do professor Marco Wink pretende analisar um fator ainda pouco explorado nas políticas educacionais: os impactos de desastres naturais no aprendizado das crianças.

Eventos como enchentes, queimadas e outros desastres ambientais podem interromper aulas e causar descontinuidade no aprendizado. Enquanto indicadores econômicos, como o PIB, tendem a se recuperar com o tempo, os efeitos educacionais podem ser mais duradouros.

“Quando uma escola fecha por causa de um desastre ambiental, o aprendizado que a criança perde pode demorar muito mais para ser recuperado”, explica o pesquisador.

Santa Catarina, estado frequentemente afetado por enchentes e outros eventos climáticos extremos, surge como um campo importante para esse tipo de análise.

O objetivo dessas pesquisas é produzir dados mais precisos que ajudem governos e organizações a desenvolver políticas públicas capazes de reduzir os impactos educacionais desses eventos, evitando que crises ambientais contribuam para ampliar ciclos de pobreza e desigualdade.

Esta reportagem integra a série Ciência que transforma, da Udesc Esag. O projeto tem como foco principal fortalecer a iniciação científica e estimular a participação da comunidade acadêmica em projetos de pesquisa, com ênfase na linguagem simples.

Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br
galeria de downloads
galeria de imagens
  • Imagem 1
notícias relacionadas
 
ENDEREÇO
Av. Madre Benvenuta, 2007
Itacorubi, Florianópolis / SC
CEP: 88.035-901
CONTATO
Telefone: (48) 3664-8000
E-mail: contato@udesc.br
Horário de atendimento: 13h às 19h