Egressa do curso de Moda da Udesc, Amanda tomou posse como professora efetiva neste ano
Professora Amanda Queiroz// Foto: Acervo Pessoal
Esta é a quinta parte de uma série de conversas com professores do Centro de Artes, Design e Moda (Ceart) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) que também são egressos da unidade de ensino. O especial integra os conteúdos que celebram os 40 anos do Ceart.
Amanda Queiróz Campos ingressou em 2006 no curso de Bacharelado em Moda da Udesc e se formou em 2010. Paralelamente, também iniciou, no mesmo ano, o curso de Design na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), formação que complementou sua trajetória voltada à criação e à estratégia na moda. Com forte inclinação para as artes desde a escola, onde se destacava em atividades como teatro e criação de figurinos, encontrou na moda e no design caminhos para expressar sua criatividade em uma abordagem mais aplicada e sistemática.
Ao longo da sua formação, direcionou seus estudos especialmente para o campo da moda, com foco em estratégia de marca, tendências e desenvolvimento criativo. E sua relação com o Ceart só se fortaleceu ao longo do tempo. Após quase dez anos atuando como professora substituta, Amanda foi efetivada neste ano após aprovação em concurso público. Ela reforça o vínculo afetivo com a instituição: “Agora, oficialmente, o Ceart vai ser o meu segundo lar. Aqui é um lugar onde me sinto muito bem, muito especial”, afirma.
Núcleo de Comunicação (N.C.): Como você descreve a experiência de estudar no Ceart?
Amanda Queiróz (A.Q.): É um espaço muito acolhedor. Há algo mágico aqui, com as intervenções artísticas, exposições, ensaios de música... O Ceart cumpre esse propósito da arte, que é quebrar a rotina e fazer as pessoas pararem com esses vários estímulos e expressões. Eu sempre amei muito o Ceart.
N.C.: O que você considera destaque no curso?
A.Q.: O curso de Bacharelado em Moda é muito versátil, ele abre um leque muito grande de oportunidades para os alunos desenvolverem uma série de habilidades. Além da proximidade dos professores com os estudantes, que favorece trocas e articulações em pesquisas e eventos. Temos vários alunos que participam de concursos, com suporte dos professores na orientação e também apoio financeiro da universidade para participação em premiações.
A base do curso é muito sólida. Em 2024, recebeu cinco estrelas do Ministério da Educação (MEC). Mesmo não estando em cidades como Rio de Janeiro ou São Paulo, que são referências na área, a Udesc e o curso de Moda são bastante reconhecidos. Isso se reflete também no que ministramos hoje. Percebemos que esse legado está sendo construído.
N.C: Como foi a decisão de voltar para a Udesc como professora?
A.Q.: Minha irmã seguiu carreira acadêmica e pela proximidade com ela eu já sabia que queria trabalhar com isso. Brinco que sempre me interessei mais pelo futuro do que pelo passado. Durante a graduação, trabalhei com a professora Sandra Regina Rech na área de tendências e estudos do futuro, por meio da iniciação científica. Foi um caminho muito claro para mim que seguiria para o mestrado e o doutorado.
Fiz o processo seletivo para professora substituta enquanto ainda defendia o doutorado. Quando entrei, passei de uma atuação 100% voltada à pesquisa para uma dedicação integral à docência. Não foi um choque, mas exigia outro tipo de entrega e rotina. Antes, estava mais focada na pesquisa individual, e passei a trabalhar com turmas cheias. Tenho boas memórias desse início.
N.C: De aluna para professora, quais foram as mudanças mais visíveis durante sua trajetória no curso?
A.Q.: Teve uma certa mudança no corpo docente; assim que eu entrei como professora, alguns colegas que foram meus professores estavam se aposentando. Mas a minha primeira chefe de departamento, por exemplo, foi a minha primeira professora do primeiro dia de aula, o que foi uma coisa bem especial.
Então, o curso mudou com a entrada de novos docentes. Percebo diferença também do perfil do aluno, especialmente com a mudança da estrutura político-pedagógica do curso, e de não ser mais um vestibular semi-vocacionado, o que traz um público mais jovem. Tiveram uma série de transformações, mas o curso mantém essas relações próximas, acho que é uma das coisas que mais gosto do Ceart.
N.C.: O que você aprendeu como aluna e hoje aplica como docente?
A.Q.: Lembro de várias experiências como aluna. Talvez por eu já ter essa vontade de ser professora, lembro principalmente das práticas de pesquisa, de como eu gostava muito da pesquisa de tendências.
Também valorizo o incentivo para que os alunos visitem as exposições que estão acontecendo no Ceart. Na minha época de estudante tinha os festivais de inverno, que eram eventos que aconteciam aqui no centro. Eu participava das apresentações de iniciação científica, onde conhecia pesquisas de outras áreas. Essas trocas sempre foram muito ricas e sempre foi muito estimulado que a gente aprendesse não só em sala de aula.
N.C.: E no Ceart como um todo, o que você aprendeu e hoje leva consigo?
A.Q.: Aprendi que, de vez em quando, precisamos parar e observar as coisas ao nosso nosso redor. A vida é muito rasa se a gente só é eficiente. O mundo vai querer que a gente seja eficiente, que peguemos o caminho mais curto, mas o Ceart te traz isso: em qualquer ida à cantina pode estar acontecendo uma apresentação de música, por exemplo. Isso é essencial, especialmente em tempos tão acelerados.
N.C.: Como uma pessoa que faz parte da história do Ceart, o que você imagina para os próximos anos?
A.Q.: Vejo o Ceart, e a Udesc como um todo, se consolidando cada vez mais como uma força na internacionalização. Temos observado o crescimento dos programas de pós-graduação no Ceart, e no caso da moda, com mestrados e doutorados com um bom reconhecimento de nota. A tendência é fortalecer ainda mais o ensino, a pesquisa e esse aspecto extensionista que é bem característico aqui do centro.
Espero que o Ceart continue se estabelecendo como um centro pensante e como um lugar que gera conhecimento, sem perder essa nossa capacidade de criar, de perturbar. Também de ser um espaço aberto, que chama e atrai as pessoas, consolidando essa percepção de estar junto à comunidade.
N.C.: Que recado/dica você dá para um aluno que está iniciando a trajetória no curso?
A.Q.: Aproveitar todas as oportunidade que aparecerem. Se estiver acontecendo uma mostra, um cineclube, vai! Se acontecer um evento de design ou de moda, vai! O Ceart oferece muitas possibilidades. O momento de experimentar é agora; na verdade, pode ser a vida inteira, mas em geral quando quando jovem a sociedade aceita um pouco melhor as nossas mancadas [risos].
Participar de pesquisa, de projetos de extensão e de eventos são experiências que podem abrir muitas portas, mas principalmente vão construir repertório e memória. Então, minha dica é aproveitar todas as oportunidades possíveis e viver a vida um pouco mais leve.
Núcleo de Comunicação Udesc Ceart
Texto pela estagiária Isabella da Rosa, sob supervisão da jornalista Carolina Weber Dall'Agnese
E-mail: comunicacao.ceart@udesc.br
Telefone: +55 (48) 3664-8350