Melina Cauduro da Silva defende nesta quinta-feira, 30, às 14h, sua dissertação “Eventos extremos e a configuração de um ecossistema de comunicação em organizações efêmeras: um estudo a partir da experiência com as forças-tarefa do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina”, no
Mestrado Acadêmico em Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). A pesquisa foi orientada pela professora Ana Paula Grillo Rodrigues. Além dela, também compõem a banca os professores Daniel Moraes Pinheiro e Francis Albert Cotta Formiga.
As defesas nos programas de pós-graduação do
Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) da Udesc, em Florianópolis, são públicas e abertas a qualquer interessado. A defesa da dissertação será na Sala 110 da Udesc Esag e também pode ser vista virtualmente pelo
link.
Eventos extremos
Os eventos climáticos extremos estão se tornando cada vez mais frequentes e severos no Brasil. De acordo com o Atlas Digital de Desastres no Brasil (2023), entre 1991 e 2023 foram registradas mais de 67 mil ocorrências de desastres, que afetaram mais de 232 milhões de pessoas e causaram 5.142 mortes em todo o país. Em situações como deslizamentos, enxurradas e rompimentos de barragens, as forças de resgate enfrentam desafios que vão além da capacidade de resposta imediata e a comunicação se torna uma ferramenta vital.
A pesquisa realizada com integrantes da Força-Tarefa (FT) do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) analisou como ocorre o encadeamento dos elementos de comunicação em meio a esses eventos extremos. O estudo buscou compreender como se forma um “ecossistema de comunicação” dentro dessa estrutura temporária e dinâmica que surge para lidar com desastres.
Com base em uma abordagem qualitativa e exploratória, foram realizadas entrevistas em profundidade com bombeiros que atuaram diretamente em operações de emergência. O levantamento identificou dois fluxos principais de comunicação: o primeiro, quando as ocorrências acontecem dentro de Santa Catarina, mobilizando diversas equipes e setores; e o segundo, quando as ações ocorrem fora do estado, exigindo coordenação interestadual e integração com outras corporações.
Segundo a pesquisa, a eficácia desse ecossistema comunicacional depende do trabalho em rede e da colaboração entre diferentes níveis hierárquicos, desde os burocratas de nível de rua até os gestores responsáveis pela tomada de decisão. Essa dinâmica revela uma nova ecologia da comunicação, na qual a agilidade, a clareza das informações e a transparência são determinantes para salvar vidas e preservar a imagem institucional da corporação.
O estudo também ressalta que, em tempos de crise, a comunicação não é apenas um canal de transmissão de dados, mas uma ferramenta estratégica de gestão e de confiança pública. Ao compreender os bastidores dessa troca de informações, o trabalho contribui para o aprimoramento dos protocolos de comunicação social e para o fortalecimento da imagem do Corpo de Bombeiros Militar, diante de um cenário de desastres cada vez mais recorrentes no país.
Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br