Projetos com clientes, gestão de equipes e aplicação do conhecimento fazem parte da experiência
Empresas Juniores aproximam estudantes da rotina profissional por meio de projetos, gestão de equipes e atendimento a clientes. Fotos: Divulgação
Atendimento a clientes, elaboração de projetos, organização de equipes, além de negociar serviços e acompanhar demandas reais. Estas são algumas das experiências vivenciadas por estudantes que participam das Empresas Juniores do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Lages.
As atividades permitem aplicar conhecimentos dos cursos em situações práticas e desenvolver habilidades relacionadas à gestão, ao relacionamento profissional e ao empreendedorismo. Atualmente, as iniciativas vivem momentos distintos: a CAV Florestal Jr. e a Vet Symbio Jr. mantêm atividades com clientes, enquanto a Projeta Ambiental Jr. trabalha para retomar sua estrutura e concluir a formalização.
Empresas Juniores funcionam como organizações formadas e administradas por acadêmicos, com atividades relacionadas às áreas de formação dos integrantes. A experiência amplia o contato com situações que fazem parte da rotina profissional e coloca os estudantes diante de responsabilidades que vão além do conteúdo técnico das disciplinas. A rotina pode envolver desde a elaboração de um projeto, até a negociação com um contratante, passando pela organização financeira, pelo cumprimento de prazos e pela entrega do serviço. Este conjunto de tarefas faz com que conhecimentos aprendidos em aula sejam aplicados em situações concretas e que os integrantes desenvolvam competências de comunicação, planejamento, liderança e trabalho em equipe.
Inovação, empreendedorismo e extensão
A atuação das Empresas Juniores também se relaciona às iniciativas de inovação e empreendedorismo desenvolvidas no campus. Segundo a integrante do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), servidora Ana Paula Puhl Sehn, o trabalho do Núcleo aproxima as empresas de oportunidades oferecidas por universidades, parques tecnológicos, eventos e outros atores do ecossistema de inovação.
Ao longo do último ano, acadêmicos participaram de atividades como o Liga
Day: Você no Ágora Verso, realizado no Ágora
Tech Park, em Joinville, além de eventos promovidos no IFSC de Lages, do 2º Udesc Challenge, em Ibirama, e do 2º
Hackathon das Empresas Juniores (EJs) da Udesc. A participação nesses encontros permitiu o contato com temas relacionados ao empreendedorismo e com desafios que exigiam a identificação de problemas e a construção de soluções. Ana Paula avalia que tais experiências contribuem para ampliar a visão dos acadêmicos sobre as possibilidades de atuação profissional. O setor produtivo também apresenta demandas que nem sempre aparecem dentro da universidade e que podem ser compreendidas a partir dessas vivências.
A atuação institucional junto às Empresas Juniores também envolve a Pró-Reitoria de Extensão. Com função formalizada por portaria vinculada à Pró-Reitoria, o professor doutor Rodrigo Figueiredo Terezo atua como apoiador das EJs na Udesc Lages. Entre as atividades desenvolvidas está o apoio à organização de eventos e à elaboração de editais relacionados às empresas. A estruturação das iniciativas, porém, exige continuidade. A rotatividade dos integrantes, a mudança de diretorias e a conciliação entre as atividades acadêmicas e as responsabilidades assumidas pelas equipes estão entre os desafios apontados. A cada nova gestão, conhecimentos e processos precisam ser organizados para que não se percam com a saída dos estudantes.
CAV Florestal Jr. transforma conhecimento técnico em serviços
Uma demanda chega à CAV Florestal Jr. e, a partir dela, os estudantes passam por diferentes etapas até a entrega do trabalho. A organização atende proprietários rurais e empresas da região em atividades relacionadas à Engenharia Florestal, com serviços como inventário florestal, levantamento que reúne informações sobre a vegetação de uma área, levantamento fitossociológico (que permite identificar as espécies presentes e sua distribuição), geoprocessamento (conjunto de técnicas utilizadas para trabalhar com informações relacionadas ao espaço geográfico), planejamento de reflorestamento, tratos silviculturais (práticas de manejo e cuidado das áreas florestais), e colheita florestal. Entre os serviços prestados, também estão regularização ambiental, avaliação de impactos e perícias.
Conforme o presidente da empresa, estudante Carlos Eduardo Ferreira, a equipe conta atualmente com dez pessoas. A divisão do trabalho ocorre entre as áreas de Projetos, Marketing, Administrativo e Financeiro, que correspondem a diferentes etapas da atividade. O Marketing realiza a prospecção e negocia com clientes; Projetos executa os serviços contratados; o Financeiro trabalha com precificação, orçamento, notas fiscais e compras; e o Administrativo organiza processos internos, como seleção e integração de novos membros.
Um dos trabalhos recentes envolveu a obtenção de licença para o corte de uma araucária localizada em área urbana de Lages. A equipe realizou levantamento em campo, avaliação dendrométrica, que envolve a medição de características da árvore, georreferenciamento (processo de associar o trabalho a uma localização geográfica precisa), e análise fitossanitária (avaliação das condições de saúde da árvore e de possíveis problemas que a afetam). O trabalho também incluiu a elaboração de mapa de localização, modelagem tridimensional do entorno e cálculo da volumetria da madeira, estimativa do volume de material lenhoso presente. As informações foram reunidas em um laudo técnico e encaminhadas ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). Carlos explica que o processo aguarda a avaliação do órgão e uma eventual solicitação de alterações.
O projeto exigiu que os integrantes participassem de diferentes etapas, desde o levantamento em campo até a preparação da documentação. Carlos destaca que a atuação da Empresa Júnior aproxima os estudantes de responsabilidades presentes na rotina profissional. “Ela coloca o estudante na prática de verdade: falar com o cliente, entender a dor dele, negociar, precificar, fazer contrato, emitir nota fiscal, ir a campo e entregar um produto com responsabilidade técnica” - afirma o presidente da CAV Florestal Jr. A própria manutenção da equipe traz desafios. A capacitação dos integrantes, a criação de procedimentos para os diferentes serviços e a organização dos processos de seleção e integração estão entre as prioridades apontadas.
Vet Symbio Jr. reúne atuação técnica e gestão
A Vet Symbio Jr., vinculada à Medicina Veterinária, desenvolve atividades principalmente voltadas a produtores rurais. Entre os serviços citados pelo presidente, o estudante Gustavo Moreno Sanches, estão projetos de produção animal, consultorias técnicas, tosquia de ovinos, retirada da lã dos animais, vacinação de galinhas poedeiras, castração acompanhada por médicos-veterinários responsáveis e transporte de alimentos para laboratórios credenciados.
A equipe reúne 17 estudantes, distribuídos entre Gente e Gestão, Projetos, Vendas e Marketing e Diretoria. Parte dos serviços chega por meio de prospecção ativa, realizada pelos próprios integrantes. Atualmente, uma das demandas mais frequentes está relacionada ao transporte de alimentos para análise laboratorial. Um dos projetos recentes foi uma consultoria para o desenvolvimento de um aplicativo de gestão pecuária. Os integrantes organizaram as informações, realizaram pesquisas e dividiram as etapas de estudo antes de apresentar o trabalho ao cliente.
O contato com essas tarefas amplia a experiência para além dos conhecimentos específicos da graduação. A rotina envolve organização do trabalho, apresentação de informações, relacionamento com clientes e compreensão de processos administrativos. Gustavo resume esse aprendizado ao destacar “desenvolvimento de trabalho em grupo de fato, capacidade de organizar informações e conhecimento para apresentar para clientes, conhecimento da área de administração e gestão e experiência em uma empresa com processos e funções definidas”.
Entre os próximos objetivos da Vet Symbio Jr., estão a ampliação da presença no mercado, o desenvolvimento de produtos e soluções recorrentes e o aperfeiçoamento da estrutura interna. Organização gerencial, quantidade de serviços e sucessão estão entre os desafios apontados atualmente.
Projeta Ambiental Jr. trabalha na retomada da iniciativa
A Projeta Ambiental Jr., ligada à Engenharia Ambiental e Sanitária, atravessa uma etapa diferente. O grupo está trabalhando para retomar a iniciativa e concluir o processo de formalização junto à Udesc. A estudante Yasmin Moreira, conta que a proposta surgiu a partir da identificação de uma situação concreta dentro da própria Udesc Lages. A mobilização dos acadêmicos em torno da busca por uma solução contribuiu para reunir o grupo e desenvolver o projeto.
O trabalho atual está concentrado na preparação dos integrantes e na organização interna.
Workshops, minicursos e outras atividades de capacitação fazem parte dessa etapa, enquanto o grupo aguarda o retorno institucional para avançar no processo. A futura atuação deve envolver serviços relacionados à área ambiental. Entre as possibilidades visadas, estão a elaboração de estudos e projetos, a gestão de resíduos sólidos, conjunto de ações relacionadas ao manejo e à destinação desses materiais, a educação ambiental e os levantamentos topográficos, que registram medidas e características do terreno, além de outras atividades previstas pelo grupo.
As exigências burocráticas e documentais estão entre as principais dificuldades encontradas durante a retomada. A expectativa da equipe é concluir as etapas necessárias para voltar a desenvolver projetos e prestar serviços na área de formação dos integrantes. O processo também mostra que a retomada de uma empresa júnior envolve uma etapa de preparação que antecede o atendimento a clientes. Definição de funções, organização de documentos, capacitação e estruturação interna fazem parte da construção da iniciativa.
Uma experiência que ultrapassa a sala de aula
Quem participa de empresas juniores, entende que a experiência empresarial começa antes da prestação de um serviço. O estudante precisa compreender uma demanda, definir como atendê-la, dividir responsabilidades e acompanhar o resultado. Cada uma das trajetórias apresenta desafios próprios. A CAV Florestal Jr. lida com projetos que exigem trabalho de campo, análise técnica e documentação. A Vet Symbio Jr. combina atividades da Medicina Veterinária com prospecção, organização e gestão. A Projeta concentra esforços na retomada da própria estrutura.
Apesar das diferenças, existe um ponto em comum: a participação coloca os acadêmicos diante de situações que exigem responsabilidade sobre o próprio trabalho. Um orçamento precisa considerar custos. Um projeto precisa cumprir o que foi acordado. Um cliente precisa receber uma resposta. Uma equipe precisa se organizar para entregar o que foi planejado. A experiência também pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades que serão utilizadas depois da graduação. Comunicação, negociação, liderança, organização, tomada de decisão e trabalho coletivo aparecem tanto nas atividades técnicas quanto na gestão das próprias empresas.
A aproximação com o mercado e com o ecossistema de inovação também amplia as possibilidades de aprendizado, ao apresentar aos estudantes diferentes formas de atuação profissional e problemas concretos do setor produtivo, avalia Ana Paula. As diferentes trajetórias mostram, portanto, que uma Empresa Júnior não é apenas um espaço para executar serviços vinculados ao curso. A experiência envolve construir uma equipe, administrar processos, lidar com clientes e aprender a tomar decisões diante de situações reais.
Assessoria de Comunicação Udesc Lages
Estagiário Matheus Rosa*
E-mail: comunicacao.cav@udesc.br
Telefone: (49) 3289-9130
*Sob supervisão da jornalista Carla Simone Doyle Torres