Florianópolis encerrou dezembro de 2025 com variação de 0,43, resultado que coloca a capital catarinense acima da média nacional, que ficou em 0,33 no mesmo período. O desempenho indica uma pressão de preços moderada no fim do ano, em um cenário marcado por diferenças significativas entre as capitais brasileiras.
No ranking das maiores variações, Florianópolis aparece em posição intermediária, em oitavo lugar, atrás de capitais como Porto Alegre (RS), que liderou com 0,63, além de Rio Branco (AC) e Salvador (BA), ambas com 0,59. Ainda assim, o resultado da capital catarinense superou o registrado por importantes centros urbanos, como São Paulo (SP), que teve 0,27, e Belo Horizonte (MG), com 0,41.
Entre as capitais do Sul, Florianópolis apresentou comportamento distinto de Curitiba (PR), que registrou leve deflação de -0,02 no período. O contraste reforça a influência de fatores locais sobre os preços, como turismo, demanda por serviços e custos sazonais típicos do verão, que tendem a impactar a economia da capital catarinense no fim do ano.
No cenário nacional, os dados de dezembro mostram que, enquanto algumas capitais ainda enfrentaram recuos nos preços, como Belém (PA), com -0,10, e São Luís (MA), com -0,19, Florianópolis manteve trajetória de alta controlada.
Na avaliação dos responsáveis pelo Índice de
Custo de Vida (ICV), o resultado reflete o aquecimento do setor de serviços e o aumento da circulação de consumidores durante a temporada, sem, contudo, indicar desequilíbrios significativos.
"Em 2025, os preços subiram mais em Florianópolis principalmente por causa do encarecimento dos alimentos e dos gastos com moradia, que são grupos importantes no orçamento e pesaram mais no bolso das famílias ao longo do ano", argumenta a economista Bruna Soto, do ICV do
Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
No acumulado de 2025, Florianópolis registra a maior alta entre as capitais pesquisadas
No acumulado de 2025, Florianópolis manteve o destaque observado em dezembro e registrou a maior alta entre as capitais pesquisadas. A capital catarinense encerrou o período com variação de 5,17%, acima da média nacional de 4,26%, segundo dados da Udesc Esag, indicando maior pressão de preços ao longo do ano.
O resultado de Florianópolis superou o de importantes centros urbanos, como Grande Vitória (4,97%), São Paulo (4,80%) e Porto Alegre (4,79%). Brasília também apresentou alta relevante, de 4,70%, permanecendo próxima ao grupo das capitais com maior avanço nos preços, concentradas principalmente nas regiões Sul e Sudeste.
Na outra ponta do ranking, Campo Grande (3,16%), São Luís (3,25%) e Rio Branco (3,29%) registraram as menores variações acumuladas. O Rio de Janeiro também apresentou crescimento mais moderado, com alta de 3,44%, figurando entre as capitais com menor avanço de preços no período analisado.
Batata e café lideram altas de preços no acumulado de 12 meses
Os dados do acumulado de 12 meses revelam aumentos expressivos em produtos de consumo cotidiano, com destaque para itens de saúde e cuidados pessoais, alimentação e habitação.
No grupo de alimentação e bebidas, a batata inglesa apresentou forte elevação, com aumento de 68,46% no período. O resultado reflete a sensibilidade do item a fatores climáticos e sazonais, além de custos logísticos e de produção, que impactam diretamente o preço final ao consumidor.
No setor de habitação, os itens relacionados a encargos e manutenção também registraram alta significativa. O preço de pedras, usadas em reparos, subiu 51,23%, evidenciando a pressão dos custos de materiais de construção e manutenção residencial ao longo do último ano.
O café aparece duas vezes entre os maiores aumentos. O café solúvel acumulou alta de 47,75%, enquanto o café em pó avançou 47,00% em 12 meses. Especialistas apontam que fatores como oscilações na oferta, custos de produção e demanda aquecida contribuíram para o encarecimento do produto.
Outros alimentos essenciais também registraram aumentos relevantes. O tomate subiu 46,45%, o chocolate em barra e bombom teve alta de 40,17%, e a melancia avançou 39,05% no período. Já o macarrão, item básico da cesta alimentar, acumulou elevação de 29,82%.
O conjunto dos dados mostra que a inflação em 12 meses foi fortemente influenciada por alimentos e produtos de uso cotidiano, impactando diretamente o orçamento das famílias.
Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br