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Índice de Custo de Vida (ICV), calculado pelo
Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), registrou alta de 5,17% nos últimos 12 meses, indicando desaceleração em relação ao ano anterior, quando a variação foi de 5,95%. O resultado mantém o indicador próximo da faixa observada nos últimos anos, após o pico recente de 10,54% em 2021, período marcado por forte pressão inflacionária.
“O que preocupa nesse momento seria o possível impacto da questão conjuntural em função da Guerra no Irã que pode trazer consequências para essa estabilidade nos preços”, avalia o coordenador do ICV, Hercílio Fernandes Neto.
A série histórica do índice mostra que, desde 2022, o custo de vida vem apresentando crescimento moderado: 4,61% em 2022, 5,23% em 2023, 5,95% em 2024 e agora 5,17% em 2025. O comportamento contrasta com períodos de inflação mais elevada no passado, como 2015 (10,25%) e 2016 (7,10%), além das décadas de 1980 e início dos anos 1990, quando o país enfrentava hiperinflação.
Entre os itens pesquisados, alimentos e produtos de saúde e higiene estão entre os principais responsáveis pelas maiores altas no período. O produto com maior aumento foi o tomate, com 78,77% de elevação em 12 meses. Em seguida aparecem morango (62,02%) e batata inglesa (58,93%), reforçando a pressão sobre hortifrútis.
O grupo Saúde e Cuidados Pessoais teve papel relevante ao sustentar a pressão inflacionária em diversos itens do dia a dia. Produtos farmacêuticos registraram aumentos expressivos, como anti-inflamatórios (27,14%), hipotensores e hipocolesterolêmicos (26,45%), antialérgicos (21,40%) e vitaminas e fortificantes (20,39%), indicando encarecimento generalizado de medicamentos. Além disso, itens de higiene e cuidados pessoais também avançaram, como artigos de maquiagem (57,67%), produtos para pele (22,55%), produtos para unhas (19,40%) e papel higiênico (18,16%).
Somado ao reajuste de planos de saúde (12,04%), o conjunto mostra que, mesmo com alimentos liderando as maiores variações, os gastos ligados à saúde contribuíram de forma disseminada para a alta do custo de vida no período
Outros itens registraram alta
Outros itens que tiveram aumentos expressivos incluem beterraba (37,37%) e chocolate em barra ou bombom (33,24%). Medicamentos também apresentaram alta relevante, como anti-inflamatórios e antirreumáticos (27,14%) e remédios para pressão e colesterol (26,45%).
No setor de serviços e habitação, houve aumento em mão de obra para reparos (20,47%), condomínio (14,03%) e energia elétrica residencial (12,59%). No transporte, destaque para o aumento da passagem de ônibus intermunicipal e interestadual (16,02%).
Por outro lado, alguns produtos registraram quedas expressivas, contribuindo para conter a inflação no período. Entre os maiores recuos estão agasalho feminino (-32,58%), saia e vestido (-27,38%), TV por assinatura (-26,58%), feijão preto (-25,40%), azeite de oliva (-19,27%) e arroz agulha (-18,03%).
A série histórica do ICV da Udesc Esag também evidencia a trajetória da inflação brasileira ao longo das décadas. Nos anos de hiperinflação, antes do Plano Real, o índice anual chegou a 2.688,74% em 1993, 1.412,43% em 1992 e 1.998,18% em 1989. Após a estabilização econômica em 1994, os valores passaram a ficar, em geral, abaixo de dois dígitos.
O ICV mede mensalmente a variação de preços de um conjunto de bens e serviços consumidos pelas famílias, abrangendo grupos como alimentação, habitação, transporte, saúde, vestuário, educação e despesas pessoais. O indicador é utilizado para acompanhar o custo de vida e auxiliar análises econômicas sobre inflação e poder de compra.
Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br