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Notícia

20/08/2025-16h36

Observatório de Inovação Social da Udesc Esag alerta sobre violações de direitos das crianças

Dados apontam que 60% das vítimas de violência sexual em Florianópolis têm de zero a 19 anos

O recente vídeo do youtuber Felca, publicado em 6 de agosto, denunciou influenciadores que expõem menores em conteúdos sugestivos com potencial de exploração sexual e reacendeu o debate nacional sobre a "adultização" e sexualização de crianças e adolescentes nas redes sociais. Em paralelo, o Observatório de Inovação Social de Florianópolis, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), com base em amplo estudo da realidade dos municípios catarinenses, alerta para a gravidade das violações de direitos de crianças, adolescentes e jovens no estado.

O Observatório é um programa de extensão universitária ligado ao Centro de Ciências da Administração e Socioeconômica (Esag) da Udesc e traz à tona alguns dados preocupantes. Um dos principais dados que demonstram essa preocupação diz respeito à violência sexual: 60% das vítimas de violência sexual em Florianópolis envolve crianças e jovens de zero a 19 anos. Quando o foco é para Santa Catarina, o número sobe para 74,96% (Datasus, 2022).

“Esses percentuais acendem um sinal de alerta vermelho e revelam a urgência de construir uma rede de proteção robusta e eficaz para nossas crianças e adolescentes. Não basta apenas conscientizar: é preciso transformar políticas públicas, fortalecer serviços de proteção, promoção de direitos e acolhimento e responsabilizar quem viola direitos”, defende a professora Maria Carolina Martinez Andion, coordenadora-geral do Observatório de Inovação Social de Florianópolis, com sede na Udesc-Esag e professora do curso de Administração Pública no centro.

Dados do Observatório apontam situações que preocupam

Outro indicador que aponta para uma situação preocupante diz respeito à vulnerabilidade econômica das crianças e adolescentes em Santa Catarina. De acordo com dados levantados pelo Observatório junto ao CadSuas (2023), 30% deles, o que significa quase uma em cada três crianças, apresentam condição de vulnerabilidade econômica. A professora Carolina chama a atenção para a situação considerando que essa condição em geral abre precedentes para outras violações de direitos. Mas ela destaca que as violações não se restringem à limitação financeira e a violência sexual é um indicador desta constatação, já que envolve todas as classes sociais.

Há ainda um outro dado levantado pelo Observatório que preocupa os pesquisadores: a baixa adesão à vacinação. A vacina BCG, por exemplo, que protege contra as formas graves da tuberculose, como a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa, conta com apenas 37,54% de adesão em Florianópolis, segundo dados do Ministério da Saúde de 2024.

A professora cita ainda um outro dado que chamou a atenção: de seis municípios observados na realidade catarinense (Florianópolis, Itajaí, Chapecó, Jaraguá do Sul, Lages e Criciúma) apenas dois dispõem de Conselhos de Juventudes ativos (Itajaí e Criciúma). Embora as situações de vulnerabilidade dos jovens sejam ainda mais acentuadas do que as das crianças, a rede de proteção parece mais precária seja por parte dos instrumentos de políticas públicas, seja na atuação da sociedade civil.

O Observatório de Inovação Social da Udesc Esag

O Observatório de Inovação Social da Udesc Esag se define como uma plataforma digital e colaborativa que visa mapear, promover a interação e a aprendizagem coletiva no ecossistema de inovação social de Florianópolis e apresentar os resultados de estudos comparados com outras cidades de Santa Catarina, do Brasil e do exterior sobre inovações sociais e sua interface com as políticas públicas. O projeto que articula pesquisa e extensão, ligado ao Núcleo de Inovações Sociais na Esfera Pública (NISP) no Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), tem enfatizado a urgência da proteção à infância.

“O vídeo de Felca funcionou como gatilho para dar visibilidade a um problema estrutural: a adultização e exploração de menores nas redes. E, na esteira dessa denúncia, os dados de Santa Catarina revelam uma realidade igualmente chocante”, observa a professora Carolina. Para ela, em um momento em que a infância está vulnerável, é desse debate que devem surgir políticas, proteção e, sobretudo, mudança cultural. 

Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br 
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