Professor Jarbas fez abordagem multidisciplinar. Foto: Beatriz Cordeiro
A palestra “Hackeando a mente: o que a neurociência revela sobre hábitos de estudo eficazes”, realizada nesta terça-feira na Udesc Joinville, foi povoada de calouros, que frequentam o campus do Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) há pouco mais de um mês e ainda estão se adaptando ao mundo da universidade. O interesse da plateia, em atenção máxima e sem tocar nos smartphones —atendendo pedido do palestrante —, permitiu ao professor Jarbas Ferrari abordar um conteúdo extenso em 60 minutos e usar exemplos daquele ambiente para ilustrar a sua fala.
“O maior desafio universitário é transformar o tempo de estudo em verdadeira aprendizagem”, disse o palestrante, destacando de saída o papel do smartphone no “roubo da atenção” dos jovens e na queda dos índices de aprendizado. Matemático de formação e com especialização em neurociência, o professor Jarbas fez uma abordagem multidisciplinar do problema, que também é generalizado.
Jarbas Ferrari adaptou a metodologia 5W2H, nascida na indústria automobilística e usada como ferramenta de gestão no universo corporativo, para ajudar os estudantes na organização dos estudos. No ponto “Como estudar”, por exemplo, ele enfatizou uma técnica usada no Curso Pré-Vestibular Comunitário Edusca, do qual faz parte, que são os “simulados com protocolo de erro”.
“A vantagem dessa técnica é que você consegue identificar precisamente os três tipos de erro cometidos em provas, e esse diagnóstico direciona para a melhor estratégia de estudo”, afirmou o professor Jarbas. Segundo ele, ou o erro é de desatenção, ou é de interpretação, ou é de conteúdo não assimilado. Com relação a esse último erro, lembrou que é comum ocorrer a chamada “ilusão de influência”, que é quando se tem familiaridade com o tema e, por isso, não o inclui nos estudos, sendo depois derrubado por uma questão mais complexa.
Orientar o condutor
O palestrante ainda citou um ditado da sabedoria oriental, segundo a qual é preciso “orientar o condutor, motivar o elefante e preparar o caminho”. Na concepção do professor, o condutor é a mente racional, que necessita de clareza, direção e objetivos concretos. O elefante seria a mente emocional, que requer estímulos compensatórios para agir. Quanto ao caminho, Jarbas relaciona ao rumo da vida de cada um, e lembra a famosa frase de “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carrol: “Para quem não sabe o caminho, qualquer caminho serve”.
Práticas comprovadamente benéficas e bem documentadas pela neurociência também foram abordadas, como aquelas que envolvem o bem-estar físico. Todos sabem que alimentação equilibrada, sono adequado e atividade física regular ajudam o cérebro, mas muitas vezes isso é negligenciado porque mudar de hábitos é difícil, reconhece o professor Jarbas, que recorre e uma frase provocativa do campo da psicanálise e da neurociência: “Há quem prefira o inferno conhecido ao paraíso desconhecido”.
Ao final, o palestrante encerrou com uma citação motivacional dirigida ao “elefante” de cada um, tirada da obra “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria. Aperta e daí afrouxa. Sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”
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