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Notícia

08/06/2026-17h36

Udesc e Ufsc contribuem para reconhecimento da memória audiovisual indígena

Obra do cineasta indígena Siã Huni Kui integrará acervo da Cinemateca Brasileira - Foto: Div.
Em cerimônia marcada para a próxima quinta-feira, 11, às 16h, em São Paulo, o cineasta indígena pioneiro Siã Huni Kui entregará seu acervo audiovisual à Cinemateca Brasileira. O momento histórico para a memória dos povos indígenas e para o cinema brasileiro é etapa final de um projeto realizado com participação de pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc) há cerca de uma década.

Na Udesc, o trabalho teve envolvimento do professor Rafael Gue Martini, do Centro de Educação a Distância (Cead), que é coordenador de Extensão da universidade e do Laboratório de Educação, Linguagem e Arte (Lela).

O professor Alberto Groisman, da Ufsc, o cineasta e restaurador Enio Staub e o próprio Siã Huni Kuĩ integraram a equipe, que também teve colaboração de estudantes e do cineasta Zeca Pires, que foi diretor do Departamento Artístico e Cultural (DAC) da Ufsc.  

Com a entrega, o conjunto documental passará a integrar oficialmente a coleção da Cinemateca Brasileira, garantindo sua preservação e disponibilização para pesquisa e consulta pública. A incorporação será um feito inédito: trata-se do primeiro acervo indígena acolhido institucionalmente pela entidade responsável pela preservação da memória audiovisual do país.

Contribuição histórica

A cerimônia de quinta marcará a conclusão de um esforço iniciado em 2016 pelo Grupo Co-Operativo Acervo Siã (GCOAS), quando foi elaborado um projeto de extensão para transferir e preservar o material audiovisual na Ufsc. Desde então, o acervo foi armazenado no DAC, onde passou por catalogação, indexação e digitalização parcial.

O objetivo do projeto foi reconhecer a contribuição histórica de Siã, preservar e divulgar um acervo até então pouco explorado, composto por fitas VHS, Hi8, Mini DV, JVC DAT P120 XD, DVDs e outros formatos audiovisuais.

Entre os registros preservados, encontram-se importantes acontecimentos da história recente da Amazônia e dos movimentos sociais brasileiros. As imagens documentam a vida nos rios e na floresta, o movimento indígena, o movimento ambientalista e encontros históricos, como o Primeiro Encontro da Aliança dos Povos da Floresta, realizado em 1989.

O acervo também reúne registros dos chamados ‘empates’, ações de resistência dos trabalhadores da floresta contra o desmatamento, incluindo a atuação do líder seringueiro Chico Mendes e de outras figuras centrais do movimento socioambiental desde a década de 1970.

Outro destaque do conjunto documental é o registro da histórica viagem realizada pelo cantor e compositor Milton Nascimento ao Acre, em agosto de 1989. A expedição reuniu lideranças indígenas e ambientalistas, entre elas Marcos Terena, Antonio Macedo e o próprio Siã Huni Kuĩ.

O grupo percorreu diversas terras indígenas em uma demonstração de solidariedade aos povos da floresta, promovendo o diálogo entre indígenas, seringueiros e ribeirinhos. Especialistas envolvidos no projeto destacam o valor histórico, documental, estético e museológico do acervo.

Sobre o cineasta

Conhecido também como José Osair Sales, Siã Huni Kuĩ é cineasta, agricultor, ativista e uma das principais lideranças do povo Huni Kuĩ, anteriormente identificado como Kaxinawá. Nascido em 1964 no Seringal Fortaleza, na região do Alto Jordão, no Acre, aprendeu a língua portuguesa aos 17 anos e dedicou sua trajetória à defesa dos direitos indígenas, especialmente à luta pela demarcação de terras.

Ao longo de mais de duas décadas, Siã construiu um vasto registro audiovisual da vida na floresta amazônica, documentando aspectos culturais, sociais e políticos dos povos indígenas, seringueiros e comunidades ribeirinhas. Seu trabalho tornou-se referência para novas gerações de realizadores indígenas, consolidando-o como um dos pioneiros do cinema indígena no Brasil.

O projeto teve apoio da Reitoria e da Pró-Reitoria de Extensão da Ufsc, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) e dos integrantes do GCOAS. Também contribuíram diretamente para a realização do ato histórico Irineu Manoel de Souza, Olga Regina Ziguelli, Gabriela Costa de Oliveira, Fabrício Augusto Menegon, João Rafael de Faveri Leacina, Luís Carlos Dutra Júnior, Fábio Silva de Souza, Gabriela Sousa de Queiroz e suas respectivas equipes.

Assessoria de Comunicação da Udesc Cead*
E-mail: comunicacao.cead@udesc.br
Telefones: (48) 3664-8454 
*Com informações da Agência de Comunicação da Ufsc
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