Santa Catarina conta com mais uma ferramenta para subsidiar o manejo da cigarrinha-do-milho. Trata-se do monitoramento do inseto-praga e seus patógenos associados. A cigarrinha-do-milho é o inseto-vetor dos microrganismos causadores das doenças do complexo de enfezamentos, capazes de comprometer substancialmente as safras do grão.
O programa Monitora Milho SC é uma iniciativa do Comitê de Ação contra Cigarrinha-do-milho e Patógenos Associados, que é composto por membros da Epagri, Udesc, Cidasc, Ocesc, Fetaesc, Faesc, CropLife Brasil e Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural.
Informações sobre o monitoramento:
Os informes também ficam disponíveis em:
https://www.epagri.sc.gov.br/index.php/monitoramento-da-cigarrinha-do-milho/
No dia 15 de maio de 2026 divulgou-se o 36° informe, o último do monitoramento da cigarrinha do milho e de sua infecção pelos patógenos causadores dos enfezamentos, referente à safra 2025/26. O Programa Monitora Milho SC acompanhou em torno de 50 lavouras no Estado de Santa Catarina durante este período de 40 semanas. Durante esta safra observamos que:
Populações da cigarrinha-do-milho: nas semanas de 1 a 15 - as populações permaneceram extremamente baixas, próxima de zero; nas semanas 16 a 27 - houve uma ascensão clara na curva, indicando o aumento da população à medida que a safra avançava; e nas semanas 28 a 40 - ocorreu uma grande flutuação com picos elevados. O ponto de maior densidade (mediana) ocorre por volta da semana 33, chegando a ultrapassar 100 indivíduos por armadilha. Ainda, após a semana 25, a variação de captura de insetos aumenta drasticamente, sugerindo que algumas propriedades enfrentam infestações muito mais severas que outras. O momento crítico para o aumento populacional foi por volta da semana 20, quando as lavouras safrinha estão sendo semeadas. As regiões Oeste, Extremo Oeste e Planalto Norte são as que apresentam os cenários mais desafiadores, com a maioria absoluta das armadilhas superando o limiar crítico de 30 indivíduos. A safra termina com uma média aproximada de 50 insetos capturados por armadilha.
Infecção da cigarrinha com os patógenos dos enfezamentos e viroses: Durante a safra, o vírus do raiado fino (MRFV) é o patógeno mais frequente, presente em 41,35% das amostras. Embora comum, o seu impacto econômico isolado é por vezes menor que o dos enfezamentos, mas indica uma alta circulação viral. O vírus do mosaico estriado (MSMV) aparece em segundo lugar com 17,9%. O espiroplasma do enfezamento-pálido (CSS) aparece em 10,84% das amostras, enquanto o fitoplasma do enfezamento-vermelho (MBSP) foi o menos frequente, com 5,97%. O MRFV mantém uma prevalência alta durante todo o ciclo, com picos muito acentuados entre as semanas 31-35 (quase 80%). Isto sugere que, no final da safra, a grande maioria das cigarrinhas está infectada. A infectividade é maior para o CSS no início da safra (semanas 1-10, cerca de 25%) e tende a diminuir e estabilizar em níveis baixos ao longo do tempo. O MSMV, apresenta uma variação oscilante, com uma subida de infectividade na fase final da safra. Já o MBSP mantém-se consistentemente baixo, raramente ultrapassando os 20% de infectividade em qualquer período.
Nos informes do Programa publicados em base semanal foi possível acompanhar quais locais se mostravam mais críticos para a ocorrência da cigarrinha e, mais apropriadamente, a presença dos patógenos, especialmente os mais agressivos, causadores de enfezamentos. Esse foi o grande diferencial do monitoramento realizado pela Epagri, em colaboração com a Cidasc e a UDESC. Foram 36 informes, resultantes de 1394 armadilhas analisadas, 1642 amostras diagnosticadas para a presença dos 4 patógenos em reações de PCR. O exame das armadilhas foram realizados pelos extensionistas da Epagri e técnicos da Cidasc, e os procedimentos moleculares de diagnose foram realizados no Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar da Epagri, com apoio da FAPESC.
Recomendação para a entressafra: Esses componentes do patossistema - a cigarrinha-do-milho e os patógenos do milho - podem sobreviver durante a entressafra em tigueras, que funcionarão como "pontes-verdes" para a próxima safra. Portanto, recomenda-se o manejo de plantas voluntárias durante o período de entressafra, visando reduzir a população de cigarrinhas para a próxima safra. Isso pode ser realizado por meio do controle químico (herbicidas) ou mecânico de todo o milho voluntário pelo menos 30 a 60 dias antes do próximo plantio. Além disso, recomenda-se a sincronização do plantio da safra seguinte para evitar concentração das cigarrinhas nas primeiras áreas semeadas. Usar híbridos com resistência genética às doenças e sementes com tratamento com inseticidas.
monitoramento da cigarrinha-do-milho e sua infectividade com os patógenos dos enfezamentos e viroses estão disponíveis no app Epagri MOB - https://www.epagri.sc.gov.br/solucoes/epagri-mob/
Baixe o aplicativo e encontre as informações sobre o Monitora Milho SC em "Informações Ambientais", e aproveite os diversos benefícios do aplicativo. Disponível para Android e iOS.
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