VI Encontro Nacional e V Colóquio Internacional Antonio Gramsci da IGS-Brasil. Questão Meridional e Colonialismo: da interpretação à transformação do mundo
Coordenadora: Marileia Maria da Silva
Contato: marileia.silva@udesc.br
Resumo: trata-se, a presente proposta da realização de um evento internacional que tem caráter formativo, cultural, acadêmico e científico, integrado a um projeto de popularização da ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento social no Brasil, alinhado ao compromisso de expansão, diversificação e consolidação do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, conforme os eixos I e IV da Portaria MCTI 6.998, de 10 de maio de 2023, particularmente na difusão e o desenvolvimento do ecossistema da Ciência, Tecnologia e Inovação de Santa Catarina, isto porque a presente proposta vincula-se ao aprofundamento e ampla divulgação de conhecimentos e discussões sobre o pensamento e a obra de Antonio Gramsci, e os diversos temas que este importante intelectual italiano tem nos ajudado a decifrar, debater, esclarecer e explicar, considerando as exigências históricas e atuais das diferentes sociedades e contextos. Nesses termos, o evento proposto tem o objetivo de reunir pesquisadores, docentes, discentes e membros da comunidade acadêmica e externa para promoção de intercâmbio de conhecimentos e de instrumentos, métodos e fontes de pesquisa envolvendo o pensamento e a obra de Antonio Gramsci, no intuito de aprimorar a produção intelectual e fortalecer a rede de pesquisa construída pela International Gramsci Society do Brasil (IGS-Brasil) nos seus 10 anos de existência, especialmente em Santa Catarina, que sediará pela primeira vez este evento internacional. Esse evento é mais uma iniciativa de congregar projetos e grupos de pesquisa para construir pautas e despertar novos interesses de estudos e ações de fortalecimento a propostas de formação nos âmbitos da graduação, pós-graduação e internacionalização, de movimentos sociais e populares, propostas de extensão e também de colaborações internacionais conjuntas, dado que envolverá grupos de pesquisa de todas as regiões do país, da América Latina e da Europa. Nesses 10 anos a IGS Brasil tem priorizado o debate de temas diretamente relacionados aos desafios e dilemas contemporâneos que emergem das próprias pesquisas inspiradas e apoiadas na reflexão de Gramsci, assim como do refinamento dos estudos sobre sua obra e a descoberta de textos e documentos inéditos que ainda estão sendo conhecidos. Assim, a temática eleita para este VI Encontro Nacional e V Colóquio Internacional Antonio Gramsci da IGS-Brasil é “Questão meridional e colonialismo: da interpretação à transformação do mundo”. Trata-se de um tema que estimula o debate sobre os processos de colonização, subalternização, colonialidade, revoltas e resistências populares mediante uma perspectiva plural. Esse tema exige uma análise das relações sociais, econômicas e políticas que se estabelecem entre centro e periferia, seja ao nível regional, nacional e internacional, considerando, em especial, o lugar e as características da América Latina, no tocante à análise de seu desenvolvimento, cultura, educação, das lutas sociais e políticas, da formação de intelectuais, dos partidos políticos e movimentos sociais, e assim, como dito anteriormente, dos processos de libertação, colonização, rebeliões e revoluções no contexto latino americano. O VI Encontro Nacional e V Colóquio Internacional Antonio Gramsci da IGS-Brasil apresentam como tema central “Questão meridional e colonialismo: da interpretação à transformação do mundo”. A “questão meridional” foi um tema em debate na Itália da primeira metade do século XX e se referia, fundamentalmente, ao problema das desigualdades de desenvolvimento regional entre Norte e Sul do país e, a respeito dele, Antonio Gramsci escreveu o seu célebre texto “Alguns temas sobre a questão meridional”, em 1926, onde se encontram as primeiras ideias que serão posteriormente desenvolvidas nos Cadernos do Cárcere sobre hegemonia, intelectuais e subalternidade. O tema proposto para este evento se apoia no debate teórico interno aos estudos gramscianos e se consubstancia na trajetória dos eventos anteriores, nas atuais discussões sobre imperialismo e colonialismo, assim como no amplo e necessário debate sobre a disputa e configuração de uma nova hegemonia mundial, diante da qual se torna urgente uma reflexão sobre os processos formativos e as novas formas de organização e luta dos grupos, classes, nações e regiões subalternas, buscando a construção de uma outra hegemonia que eleve os patamares de desenvolvimento social, colocando a ciência, a tecnologia e a inovação à serviço de uma vida digna para toda a humanidade.Para dar conta dessa tarefa, serão convidados palestrantes nacionais e internacionais reconhecidos pela sua produção e pela sua capacidade de problematizar e agregar novos conhecimentos aos debates já travados em nosso meio. O tema selecionado para esse evento, como dito antes, é de difícil apreensão e requer uma abordagem interdisciplinar e abrangente, capaz de escrutinar o problema da relação entre imperialismo, meridionalismo e colonialismo sob diferentes perspectivas. Por isso, o convite aos palestrantes internacionais e nacionais indicados merece destaque na justificativa quanto às contribuições do evento para a ciência, tecnologia e inovação, na área das ciências humanas. Antonio Gramsci foi um intelectual e político italiano, preso devido ao seu ativismo entre os anos 1926 e 1937. Atuou como jornalista, militante e dirigente político, tendo dedicado sua vida à reflexão sobre o Estado, a sociedade civil, aos processos de subalternidade, a cultura, a hegemonia, bem como sobre a filosofia da práxis, a educação, a ideologia, as relações de poder, as formas de organização dos trabalhadores e as condições, objetivas e subjetivas, à sua emancipação. No cárcere ele escreveu sua obra mais importante - os Cadernos do Cárcere - que só vieram a público, ainda que não de forma integral, na Itália na década de 1940, e na América Latina a partir dos anos 1950. A maior difusão do pensamento de Gramsci nas décadas 1960 e início de 1970, com efeito, foi estimulada pelos contextos dos conflitos sociais das lutas anticoloniais, das mobilizações contra ditaduras e das lutas pelos direitos civis em diferentes continentes. Convém destacar que a International Gramsci Society do Brasil (IGS-Brasil) foi fundada no Rio de Janeiro no ano de 2015, com a finalidade de divulgar a vida, a obra e o pensamento de Antonio Gramsci (1891-1937) no Brasil, nos âmbitos intelectual, cultural, político e social. A IGS-Brasil é a maior seção da IGS-mundial, sediada nos Estados Unidos, mas com presença em diferentes países da Europa, da Ásia, da África e da América Latina. A International Gramsci Society Brasil – IGS-Brasil é uma associação vocacionada à difusão do pensamento e da obra de Gramsci e, ao longo dos seus 10 anos de existência, tem sido uma das principais responsáveis pelas ações de formação, debate, difusão do conhecimento e incentivo à pesquisa social preconizada pela perspectiva gramsciana em diferentes áreas, já que os temas e questões que podem ser abordadas segundo essa interpretação são diversos e interdisciplinares, articulando conhecimentos e saberes de natureza histórica, geográfica, política, filosófica, pedagógica e sociológica. Não bastasse essa abrangência, os estudos e pesquisas desenvolvidos a partir do arcabouço teórico-metodológico decorrente das reflexões gramscianas são enriquecidos por uma abordagem orgânica e profundamente dialética, possibilitando-nos afrontar questões atuais e relevantes para compreendermos os problemas do nosso tempo, por meio de categorias e conceitos como: Estado, sociedade civil, hegemonia, ideologia, subalternidade, aparelhos de hegemonia, partido, transformismo, revolução, revolução passiva, relações de força, consenso, coerção, consentimento, visão de mundo, filosofia da práxis, cultura, educação, escola unitária, entre outras. Vale destacar ainda o contato direto da IGS-Brasil com a Fondazione Gramsci (https://fondazionegramsci.org/), com sede em Roma – Itália, para atualizar, na bibliografia gramsciana disponibilizada por aquela instituição, as produções brasileiras. A IGS-Brasil, em 2023, apresentou a Fondazione Gramsci o resultado do trabalho intitulado “Mapa bibliográfico de Gramsci no Brasil”. Esse trabalho de cooperação internacional e de comunicação contínua entre a IGS-Brasil e a Fondazione Gramsci de Roma resultou na identificação e integração de 306 livros e capítulos de livros, 448 artigos em periódicos, 223 teses e 426 dissertações aos arquivos virtuais da Fondazione, o que socializa, divulga e coloca a produção brasileira ao alcance de pesquisadores e estudiosos de Gramsci do mundo todo. Outra iniciativa relevante da IGS-Brasil é a Articulação Nacional com os Grupos de Pesquisa que se autorreferenciam em Gramsci, presentes nas 5 regiões brasileiras. Essa iniciativa se materializou, ao longo do biênio de 2022 e 2023, na realização de Encontros Regionais com os grupos de pesquisas identificados, com objetivo de articular os grupos, socializar os trabalhos e pesquisas, construir e fortalecer redes e parcerias, tendo em vista o avanço da produção de conhecimentos sobre o pensamento, a obra e as temáticas relacionadas debatidas a partir de Gramsci. Esses Encontros foram realizados no formato virtual e transmitidos pelo canal da IGS/Brasil no Youtube, com a coordenação dos membros da Coordenação e do Conselho Nacional da associação, envolvendo professores, estudantes e pesquisadores das diferentes regiões. Maiores informações podem ser encontradas no site: https://www.youtube.com/channel/UCbLfDps19_8kRQ9ahmUOn8Q. Pelo trabalho que vem sendo realizando ao longo desses 10 anos, fica demonstrado o compromisso, a seriedade, o potencial desta associação na proposição de um evento internacional do tamanho e da complexidade proposta para esta chamada. A IGS-Brasil é uma associação consolidada, consistente, pautada em princípios éticos e políticos comprometidos com a ciência, com a transparência, com a internacionalização, com o acesso público e universal ao conhecimento, portanto, com os melhores valores institucionais, sociais e humanos. Por essas razões justifica-se o apoio, a confiança e o financiamento público de suas ações e deste evento proposto para 2026. Finalmente, cabe destacar que o tema ainda envolve uma reflexão sobre as relações internacionais com foco na América Latina e no Sul Global a partir das relações de forças, hegemonias e resistências, permitindo explorar as mudanças no campo das Cooperações Internacionais e suas diferentes formas de relação, tais como Organizações Internacionais, Governança Global, Regimes Internacionais, Integração Regional, relações Sul-Sul, entre outras. Todas essas questões, enquanto relações de hegemonia, podem ser compreendidas, segundo a abordagem gramsciana, como relações pedagógicas. Portanto, o tema da educação é central e ao mesmo tempo um eixo que articula e atravessa a reflexão sobre as demais relações centro-periferia, relações de forças sociais e políticas, relações de cooperação, relações ético-políticas, relações entre movimentos e lutas, relações culturais e intelectuais. Essa temática, complexa e de difícil abordagem, requer um debate amplo com diferentes áreas e sob diferentes enfoques, precisamente porque se trata de um problema que envolve a experiência histórica e atual de países de formação econômico-social colonial ou de regiões que vivenciaram, ou ainda vivenciam, processos de dominação, opressão e subalternidade. Disso decorre a necessidade de um diálogo com diferentes atores capazes de anunciar e explorar aspectos específicos desses fenômenos, extraídos de realidades sociais marcadas por características históricas, econômicas, culturais e geopolíticas particulares. Este é o caso dos pesquisadores de países da América Latina e Caribe, do Norte e Nordeste brasileiro, assim como das regiões empobrecidas e historicamente subalternizadas, ainda que situadas no coração do continente europeu, a exemplo da Sardenha – Itália, terra de Antonio Gramsci.Nesse contexto de recomposição das relações de forças internacionais e de uma disputa cada vez mais acirrada pela hegemonia mundial, um evento que coloque no centro do debate a questão meridional e o colonialismo pode nos ajudar a aprofundar os conhecimentos sobre as determinações históricas e as circunstâncias atuais que freiam ou permitem avançar o desenvolvimento econômico, social e educacional de determinados países e regiões, assim como as táticas e estratégias, no campo da cultura, da política e da educação, a serem articuladas às lutas e aos movimentos pela emancipação humana e social. Todas essas razões evidenciam a relevância do evento proposto e justificam o financiamento da presente proposta.
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