Movimentos Decoloniais: práticas, diálogos e o sentipensar
Coordenadora: Cláudia Mortari
Contato: claudia.mortari@udesc.br
Resumo: o Programa Movimentos Decoloniais: práticas, diálogos e o sentipensar, se constitui enquanto ação transdisciplinar voltada para a troca, produção, transmissão e a apropriação de campos do conhecimento, em especial, das ciências sociais, humanas e políticas, tendo como escopo as populações africanas, afro-brasileiras e indígenas, perpassadas por questões e temáticas LGBTQIAP+, étnico-raciais, de gênero e de classe. Desenvolvido no âmbito do AYA Laboratório de Estudos Pós-coloniais e Decoloniais (FAED/UDESC), envolve professores/as e estudantes vinculados ao Departamento de História (FAED/UDESC) e Departamento de Artes Visuais (CEART/UDESC), pesquisadores/as, integrantes de movimentos sociais, estudantes africanos e indígenas. Realizado em parceria com o Núcleo Diversidade, Direitos Humanos e Ações Afirmativas do Centro de Artes (NUDHA/CEART/UDESC; com a Associação de Mulheres Negras Antonieta de Barros (AMAB); com o Instituto Cultural Sem fins Lucrativos Armazém Coletivo Elza; com o Instituto Superior de Ciências da Educação de Cabinda da Universidade Onze de Novembro – Angola (ISCED), com o Núcleo de Estudos em Relações Étnico-Raciais (NERER) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com o Centro de Documentação e Pesquisa (CEDOPE - UFPR), com o Departamento de Artes Cênicas do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB) e o Grupo de Pesquisa NZINGA - Novos Ziriguiduns (Inter)Nacionais Gerados nas Artes (CARTES/PRPGP/URCA). Portanto, de abrangência internacional, nacional, interinstitucional e inter-centros tem por objetivo contribuir para a implementação das Leis Federais 10.639/03 e 11.645/2008 e das Diretrizes Nacionais de Educação para as Relações Étnico-Raciais e História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (Diretrizes de 2004), e das Diretrizes Operacionais para Implementação da História e das Culturas dos Povos Indígenas na Educação Básica em decorrência da Lei n, 11645/2008 (Diretrizes 2016). A aprovação e implementação das referidas leis é resultado de uma política de reparação do Estado brasileiro diante do reconhecimento das consequências históricas e presentes do processo de escravização e dos epistemicídios (CARNEIRO, 2005) e genocídios indígenas e das populações negras, evidências da permanência de uma política de morte e o consequente apagamento do imenso arcabouço de conhecimento oriundo dessas populações (MBEMBE, 2014). Essas leis fazem parte de um movimento internacional de reconhecimento dos Direitos dos Povos Indígenas e do enfrentamento do racismo nos âmbitos das relações interpessoais e institucionais como a Conferência Mundial das Nações Unidas de 2001 contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância, ocorrida em Durban, na África do Sul. O Programa e suas ações visam colaborar no combate aos racismos e na construção de equidade no país e, especificamente, em Santa Catarina. Portanto, o objetivo central é evidenciar a complexidade e a diversidade de histórias e culturas africanas, afrodiaspóricas, indígenas e LGBTQIAP+. Nos coadunamos com objetivos de um desenvolvimento sustentável (ODS/ONU), particularmente em Educação de Qualidade, Igualdade de Gênero, Redução das Desigualdades e Paz, Justiça e Instituições Eficazes, para pensar soluções viáveis de desenvolvimento em conformidade com as demandas oriundas de um contexto sociocultural plural. Defendemos que as agendas de políticas públicas que consideram a diversidade em suas prerrogativas de desenvolvimento, colaboram para uma educação plural, inclusiva, equitativa e de qualidade. Tal intento se concretiza na realização de ações/atividades que envolvam a qualificação, a produção e difusão do conhecimento entre profissionais da rede de ensino, discentes de graduação e pós-graduação, professores/as de ensino superior brasileiros, indígenas e africanos, pesquisadores/as africanos/as, indígenas, pessoas LGBTQIAP+, entidades de movimentos sociais e demais interessados/as. A intenção das ações é, principalmente, possibilitar a articulação entre o conhecimento produzido no âmbito da universidade e o que provém das experiências e vivências de pessoas que são marcadas pelo processo de violência da colonialidade ocidental. Nesta perspectiva, partimos do princípio de que a proposição de uma educação para a decolonização de corpos, memórias e saberes precisa considerar e incorporar formas diversas de ver, viver e narrar o mundo. Pretende-se que as atividades se constituam enquanto ações transdisciplinares envolvendo a participação direta (como propositores/as, organizadores/as, palestrantes) de pesquisadores/as da área das ciências humanas, migrantes africanos/as, moradores/as de aldeias indígenas, artistas e artivistas. Neste sentido, suas ações referem-se, em especial, a realização de feira, circuito de exposições artísticas e um evento, tendo como eixos suleadores das ações as questões envolvendo as histórias e culturas africanas, afrodiaspóricas, indígenas, LGBTQIAP+, numa perspectiva interdisciplinar e interseccional. Pretende-se divulgar as ações e seus produtos no Portal AYA e suas redes sociais (ação que constitui outro programa de extensão do AYA laboratório de Estudos Pós-Coloniais e Decoloniais (UDESC FAED) - https://ayalaboratorio.com/), ampliando a extensão do público abarcado pelo programa. Pretende-se, ao oferecer através das ações desenvolvidas uma reflexão sobre diversidades, interseccionalidades, histórias e culturas, construir possibilidades para o enfrentamento das discriminações (sexual, racial, de classe, de gênero e de religião) e a construção de perspectivas decolonizadas dos conhecimentos e das experiências de pessoas plurais. Além disso, os projetos articulados ao Programa oferecem aos/as acadêmicos/as, vinculados/as como bolsistas e voluntários/as, oportunidade de realizar uma discussão atual, relevante e que têm assumido importância fundamental para a produção de políticas públicas de combate as desigualdades e as exclusões presentes nas práticas sociais da atualidade. Embora os Projetos sejam coordenados por diferentes professores, as atividades de planejamento, discussão, elaboração e execução destes serão feitas em conjunto pelo fato das temáticas permeiam todas as atividades desenvolvidas e estarem articuladas com os projetos de pesquisa e de ensino desenvolvidos pelos e pelas professores/as vinculados/as ao AYA Laboratório de forma indissociável da extensão. É constituído por de três ações, a saber: Feira Armazém Coletivo Elza, coordenado pela Profª Juliana Crispe. A feira Armazém Coletivo Elza propõe apresentar trabalhos em artesanato, arte, moda e produções culturais realizados por mulheres negras e indígenas, bem como pessoas da comunidade LGBTQIA+. As feiras iniciaram-se no ano de 2016 no Espaço Cultural 'Armazém Coletivo Elza' com a perspectiva de abraçar as/es feirantes que encontram-se sem espaço para exposição ou que não conseguem arcar com os valores altos das feiras elitistas de Florianópolis. Desde o ano de 2022 as feiras tornam-se nômades, e o intuito de realizá-las na UDESC é aproximar alunes, professores e comunidade de produtoras/es que carregam saberes especiais, diante de duas ancestralidades e vivências. A transdisciplinaridade, interculturalidade e interseccionalidade são eixos suleadores da ação. Está previsto a realização de três feiras por semestre ao longo do biênio. - Projeto Circuito de Exposições Poéticas da Relação, coordenado pela Profª Juliana Crispe. O Circuito de Exposições — `Poéticas da Relação` pretende promover a circulação e divulgação científica e cultural pós-colonial e decolonial, com ênfase nas temáticas africanas, afro diaspóricas, indígenas, feminismos e diversidades, através da realização de exposições de arte. `Poéticas da Relação`—, lembra o pensamento de Eduardo Glissant ao nos dizer que o contato entre as culturas reflete no contemporâneo os efeitos da colonização e toda a identidade se desdobra numa relação com o outro. As subjetividades apresentadas nas mostras pretendem manifestar a partir da arte que a modernidade definida exclusivamente pela Europa imperialista encontra obstáculos e chegou a termo, abrindo espaço para protagonismos que foram esmagados e ocultados em nossa história, reverberando no agora as contaminações das diferenças e reconhecendo os abismos postos sobre essas experiências. Rizomáticas, essas poéticas têm suas raízes em muitos territórios, crenças, sexualidades, usos do corpo, e se ramificam e crescem no encontro com outras superfícies, outras culturas, rituais, direito ao corpo, ao espaço social, educacional, cultural e político. As exposições do Circuito serão anuais e poderão acontecer em mais de 1 espaço cultural por ano. As/es artistas que participarem serão selecionados a partir de uma convocatória aberta e por curadoria. Serão selecionades artistas negres, indígenas, mulheres e LGBTQIA+; grupos a margens e invisibilizados historicamente nas Artes. Pretende-se organizar a visitação de professores/as e estudantes de escolas municipais e estaduais as exposições. - Jornada de Estudos Africanos, coordenado pela Profª Cláudia Mortari. O evento, em formato presencial, tem como objetivo promover a produção, circulação e divulgação científica e cultural pós-colonial e decolonial, com ênfase nas temáticas africanas e afro-diaspóricas interseccionadas com questões de gênero, interraciais e de classe. Pretende-se incentivar a inovação, troca e produção de epistemologias plurais e de práticas transformadoras no campo das Ciências Humanas, da Educação e da Arte entre pesquisadores(as), professores(as) e estudantes da rede de ensino, de graduação e de pós-graduação, movimentos sociais e coletivos negros e africanos. Estão previstas a realização de Conferências, Mesas Redondas, Simpósios Temáticos, Exposições Artísticas, Apresentações Musicais e Feira Coletivo Elza. Em consonância com o objetivo central do evento na produção, potencializado pelo caráter internacional e pelas possibilidades de circulação do conhecimento a partir das tecnologias de informação e comunicação, serão disponibilizados virtualmente os debates oriundos das mesas e conferências pelo canal institucional, o Youtube Laboratório, tornando a abrangência de público muito maior. O evento de caráter transdisciplinar será realizado no mês de maio de 2026 e 2027, em referência ao Dia da África. As reflexões instigadas no desenvolvimento das ações de extensão aqui propostas, em conjunto com estudantes e integrantes de comunidades, se pautam numa abordagem didático-pedagógica e cidadã voltada à garantia dos direitos fundamentais e à valorização da dignidade humana – condições essenciais para o enfrentamento de todas as formas de preconceitos e discriminações. Este programa está articulado de forma indissociável com outros de extensão, com os projetos e grupos de pesquisa e as atividades de ensino, desenvolvidas no âmbito do AYA Laboratório e por seus/suas professores/as. Em relação a extensão apontamos a articulação desta proposta com outro programa “Histórias Africanas e Indígenas; olhares e práticas na Educação”, coordenado pela profª Luisa Tombini Wittmann. No que se refere a pesquisa e grupos de pesquisa, a articulação se dá a partir dos seguintes projetos: “Modos de ser, ver e viver: o mundo Ibo a partir da escrita de Chinua Achebe (África Ocidental, séc. XX)”, coordenado pela profª Claudia Mortari (UDESC FAED); “A revolta do olhar: concepções de história na narrativa audiovisual Guarani”, coordenado pela profª Luisa Tombini Wittmann (UDESC FAED); “Arte menor: movimentos intersseccionais “, coordenado pela profa. Dra. Juliana Cristina Pereira (UDESC CEART).Estes projetos estão vinculados ao Grupo de Pesquisa Estudos Pós-Coloniais e Decoloniais (AYA/UDESC), e aos Grupos de Trabalho da Associação Nacional de História (ANPUH): História da África e Os Índios na História. A produção e difusão das informações acerca das pesquisas de ponta gestadas pelas participantes deste programa são de fundamental importância para fundamentar as ações que serão desenvolvidas. No que se refere às atividades de ensino, é pertinente ressaltar ainda a articulação com as disciplinas no âmbito da graduação e pós graduação. O Programa, na universidade, se constitui em um espaço para exercício de prática extensionista, docente e de pesquisa de estudantes de graduação e pós-graduação, dando suporte às atividades de ensino e de pesquisa. Para a comunidade externa a universidade se constitui enquanto uma possibilidade de acessar a produção de conhecimento e divulgação histórica e cultural fundamental para todos/as aqueles/as que objetivam ampliar suas ações relativas à temática das populações africanas, afro-brasileiras e indígenas nos diversos espaços da sociedade contribuindo para a disseminação de conhecimentos e práticas educativas voltadas para o (re)conhecimento, a promoção da equidade, a valorização das diversidades étnico-raciais, de gênero e orientação sexual e o combate aos racismos e as discriminações. Vale referenciar que a realização da feira, o circuito de exposições e o evento serão pensados e realizados tendo como parceiros e parceiras de trabalho intelectuais, artistas, artivistas, feirantes, integrantes de coletivos e movimento sociais e estudantes indígenas, negras/os e africanos/as. Sua abrangência, as características, os objetivos, a articulação com as equipes de projetos de pesquisa e a prática docente, as ações estabelecidas através dos projetos que compõem o programa fazem com que este cumpra os objetivos estabelecidos para as ações de extensão: 1) a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão com as demandas da sociedade; 2) a articulação entre teoria e prática na produção do conhecimento; 3) a democratização do conhecimento acadêmico; 4) o diálogo e a interação entre a universidade e a sociedade; 5) a contribuição para a reformulação nas concepções e práticas curriculares; 6) a construção de uma prática acadêmica que contribua para formação e qualificação de um profissional ético preocupado com a transformação das práticas sociais, pautado na ética, na cooperação, na solidariedade, na construção da cidadania; 7) ações de Extensão inter-departamentais, inter-centros, interinstitucionais sob a forma de parcerias; 8) interação intercultural e transdisciplinar entre a comunidade universitária e setores da sociedade; 9) possibilidade de acesso ao conhecimento produzido pela universidade, contribuindo para o combate a formas de violências, exclusões, discriminações e desigualdades; 10) contribuir para a implementação de políticas públicas, neste caso, das leis Federais 10.639/03 e 11.645/08 e das Diretrizes Nacionais de Educação para as Relações Étnico-Raciais e História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (Diretrizes de 2004) e das Diretrizes Operacionais para Implementação da História e das Culturas dos Povos Indígenas na Educação Básica em decorrência da Lei n, 11645/2008 (Diretrizes 2016).
Ações:
Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no Portal da Universidade do Estado de Santa Catarina. Ao continuar navegando no Portal, você concorda com o uso de cookies.




