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Notícia

30/09/2026-18h54

CTG Querência Universitária celebra 40 anos de tradição na Udesc Lages

Entidade fundada em 1986 realiza jantar com música ao vivo nesta quinta-feira, 1º de outubro

Pela primeira vez, o único CTG sediado por uma universidade no estado de Santa Catarina tem uma patroa à frente, a estudante de Medicina Veterinária, Larissa Nichele. Fotos: Matheus Rosa.
Há marcas que ficam na madeira. Há outras que permanecem na memória. O Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Querência Universitária, do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), da Udesc Lages, completou 40 anos nessa quarta-feira, 30. Para marcar a data, nesta quinta-feira, 1º, o esteio que será instalado em frente ao CTG receberá, a fogo, as marcas de patrocinadores, sócios, convidados e integrantes da comunidade. A própria logomarca dos 40 anos será transformada em uma dessas marcas.

Fundado em 30 de setembro de 1986, conforme o Estatuto Social reconhecido pela Udesc em julho deste ano, o Querência Universitária atravessa quatro décadas dentro de um espaço universitário sem perder sua essência: ser um lugar de encontro com a cultura e a tradição gaúcha. O estatuto estabelece entre suas finalidades cultivar, preservar, divulgar e valorizar os costumes gaúchos, além de promover atividades culturais, artísticas, campeiras, esportivas, sociais, acadêmicas e de extensão.

O documento foi reconhecido pelo Conselho de Centro da Udesc Lages em 10 de julho de 2026, por meio da Resolução nº 03/2026. A formalização ocorre quatro décadas depois da fundação e passa a registrar oficialmente a organização, os objetivos, a composição e o funcionamento da entidade. Pelo estatuto, o CTG é uma associação da comunidade acadêmica da Udesc, sem fins lucrativos. O quadro social reúne fundadores, servidores, estudantes, egressos e funcionários terceirizados da universidade, além de prever categorias de sócios honorários e beneméritos. A sede permanece estabelecida nas dependências do Centro de Ciências Agroveterinárias.

Ao longo do tempo, o espaço também passou a fazer parte do cotidiano do campus. O CTG já foi cenário de atividades culturais, ações de integração, eventos acadêmicos e iniciativas comunitária e se mantém como o único CTG de Santa Catarina sediado em uma universidade. É uma condição que coloca a entidade em um lugar particular: a tradição que se reúne sob o galpão criou raízes em meio a salas de aula, laboratórios, projetos de pesquisa, atividades de extensão e formação profissional.

Neste aniversário, há outras marcas para além daquela que será feita no esteio.

Pela primeira vez, uma mulher à frente

Aos 40 anos, o CTG Querência Universitária tem, pela primeira vez, uma mulher como patroa. Estudante de Medicina Veterinária da Udesc Lages, Larissa Nichele assumiu a função no segundo semestre de 2026, depois de ter integrado a patronagem em 2024, quando ficou responsável pelo marketing da entidade. O mandato segue até o segundo semestre de 2027.

A chegada ao posto começou antes. Larissa cresceu em Anita Garibaldi, na Serra catarinense, em contato com cavalos, gado, rodeios e o tiro de laço. A tradição vem da família, especialmente do pai. Na escola, a estudante costumava vestir a indumentária gaúcha no Dia do Gaúcho.  Ao ingressar no CAV, porém, descobriu que aquela cultura poderia estar presente não apenas em uma data do calendário. “Eu me encontrei aqui dentro!” – conta ela, sobre o dia a dia no CTG. O espaço passou a ser uma segunda casa. E foi ali que um costume trazido da infância ganhou outra dimensão: a possibilidade de viver o tradicionalismo também dentro da universidade, no cotidiano.

A experiência como patroa é a primeira de Larissa. Para ela, chegar à função representa também a realização de um desejo que parecia distante quando ingressou no CTG. A história tem um detalhe que não passa despercebido: foram necessários 40 anos para que uma mulher ocupasse a função máxima da patronagem. Larissa não fala desse momento apenas como uma conquista pessoal. Ela o coloca como possibilidade para as mulheres que ainda virão. “Que não demore mais 40 anos para acontecer isso novamente”, afirma Larissa. A frase acompanha uma ideia que atravessa a própria história do CTG: tradição não significa apenas repetir o que já foi feito. Também significa encontrar maneiras de fazer com que aquilo que se recebeu continue existindo.

O estatuto reconhecido neste ano estabelece que a Patronagem é o órgão executivo da entidade e prevê, entre suas funções, administrar e representar o CTG, executar as decisões da Assembleia Geral e organizar eventos, cursos e encontros. A estrutura inclui patrão, capataz, sota-capataz, tesouraria, secretaria e diretorias Cultural, Artística, Campeira e Científica.

Quarenta anos depois, a voz do fundador volta a ser ouvida

Há poucos dias, a história ganhou uma espécie de retorno. A família de Luiz Heitor Vasconcelos da Silva visitou o CTG. O jornalista Lúcio Luiz Machado da Silva, filho mais novo do fundador, esteve no espaço acompanhado da mãe e da esposa e levou um material que, para quem hoje vive a entidade, tem o peso de um reencontro: uma entrevista concedida por Luiz Heitor em 1987 ou 1988 ao programa de televisão Roda de Chimarrão, acessível NESTE LINK.

Luiz Heitor foi o fundador do CTG Querência Universitária. Médico-veterinário, nascido em São Sepé, no Rio Grande do Sul, foi também um dos primeiros professores da Udesc em Lages, o terceiro a integrar o quadro docente do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV). Morreu ainda nos anos 1990, aos 42 anos.

O nome, entretanto, permaneceu ligado ao Centro. O Centro Acadêmico do curso de Medicina Veterinária chama-se Luiz Heitor Vasconcelos da Silva. O Salão de Atos do prédio da Administração Central da Udesc Lages também tem seu nome.

Agora, uma gravação antiga devolve sua voz a um espaço que ele ajudou a criar. Na entrevista recuperada pela família, Luiz Heitor apresenta o CTG e fala sobre a composição daquele grupo. Chama a entidade de um “mosaico”, reunindo pessoas de diferentes lugares. Havia integrantes de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e também do Rio Grande do Sul.

Quatro décadas depois, a ideia ainda pode ser reconhecida na entidade. Para Larissa, ouvir aquela entrevista foi também uma forma de conhecer alguém que, embora já não esteja fisicamente presente, permanece na história do lugar. “Há 40 anos ele tinha essa ideia de manter essa tradição, que segue até hoje”, relata.

Mas Luiz Heitor segue vivo além do CTG, dos registros midiáticos e da memória institucional. Lucio tinha apenas três anos quando o pai morreu. Da infância, guarda uma lembrança aparentemente pequena, mas que atravessou o tempo: uma bicicleta que ganhou do pai. “Eu recordo, por algum motivo, da gente brincando numa rampa da casa”, conta. A casa permanece com a família. A bicicleta também.

As lembranças chegam, ainda, de fora da família e do CAV. Lucio conta que, em diferentes momentos, pessoas ligadas ao meio acadêmico, à Udesc e ao movimento tradicionalista compartilharam com o filho histórias sobre seu pai. São encontros em que Lucio passa a conhecer um pouco mais daquele homem que partiu quando ele ainda era muito pequeno.

Segundo Lucio, Luiz Heitor foi um dos pioneiros do movimento tradicionalista em Lages nas décadas de 1970 e 1980. Fez amizades, participou de iniciativas e deixou registros que a família começou a recuperar recentemente. Entre eles estão músicas e poemas escritos pelo professor. Mais de 50 obras já foram digitalizadas pela família. Uma das irmãs de Lucio dá continuidade ao processo de registro do acervo junto à Biblioteca Nacional, para fins de direitos autorais. O trabalho ganhou novo significado quando um músico lageano procurou a família para pedir autorização para gravar um dos poemas de Luiz Heitor, Um mate ao Menino Jesus.

As lembranças trazidas à tona por diferentes registros de sua obra fortalecem a presença simbólica de Luiz Heitor nas comemorações desta semana. Uma de suas frases sobre o Querência Universitária estampará uma camiseta comemorativa que será lançada nesta quinta-feira. A história volta ao ponto de partida. “Engana-se quem morre não leva nada, Seu Luiz Heitor prova até hoje que levamos sim, levamos nosso nome!” – declara Lucio, ao resumir o sentimento da família diante dessa permanência.

Uma cultura que atravessa o campus

A relação entre o CTG e o Centro de Ciências Agroveterinárias da Udesc Lages marca diferentes momentos da vida universitária. Atividades de recepção de estudantes já incluíram visitas ao CTG, além da apresentação de projetos e eventos promovidos pela entidade. O local também recebe iniciativas culturais e de integração da comunidade acadêmica.

Em diferentes momentos, o CTG recebeu apresentações, encontros e atividades que colocaram estudantes e servidores em contato com a música, a dança, o chimarrão, a culinária e outras manifestações relacionadas ao tradicionalismo.

Para a comemoração dos 40 anos, essa dimensão retorna por meio da Invernada Artística do projeto de extensão Dançares Serranos, do CAV. Os ensaios são realizados no campus com participação de estudantes. A apresentação será uma das primeiras atividades da nova fase artística que o grupo pretende retomar.

Segundo Larissa, o CTG já teve um grupo de Invernada que participava de eventos e competições. A apresentação dos 40 anos representa, portanto, uma retomada de algo que já fez parte da história da entidade.

A celebração

A programação dos 40 anos começa às 18h desta quinta-feira, 1º, com a abertura da comemoração. Às 19h, será realizado o momento simbólico de marcação do esteio comemorativo, com as marcas de fogo dos patrocinadores, sócios, convidados e público presente.

Às 20h, o Dançares Serranos fará apresentações de “Xote das duas Damas” e “Tirana do Lenço”. O jantar comemorativo será servido às 21h, com costela bovina e borrego (carne ovina) preparados no fogo de chão. O borrego terá ainda um significado relacionado à história do fundador: Luiz Heitor era professor voltado à ovinocultura.

A noite termina com música ao vivo, a partir das 22h, com apresentação de Dudi Marafigo e Túlio Borges. A programação é aberta à comunidade. Os ingressos custam R$ 25 para sócios e R$ 50 para o público em geral. A expectativa é reunir cerca de 100 pessoas entre sócios, convidados, ex-patrões, amigos e autoridades.

Neste dia 1º, a madeira será marcada a fogo, mas muito mais fica para a história: quarenta anos depois da fundação, o CTG permanece no mesmo campus em que nasceu; o estatuto agora reconhece formalmente uma existência que começou quatro décadas atrás; uma mulher ocupa, pela primeira vez, o lugar de patroa; a voz de seu fundador voltou a ser ouvida pela geração que hoje continua a ocupar o espaço. O Querência Universitária torna-se, afinal, um lugar onde diferentes tempos se encontram. Segue, assim, entre aquilo que recebeu e aquilo que ainda vai deixar.

SERVIÇO

O quê: comemoração dos 40 anos do CTG Querência Universitária
Quando: quinta-feira, 1º de outubro, a partir das 18h
Onde: CTG Querência Universitária, no Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV/Udesc), Avenida Luís de Camões, 2090, Bairro Conta Dinheiro, Lages-SC

Programação:
• 18h – Abertura
• 19h – Marcação a fogo do esteio comemorativo dos 40 anos
• 20h – Apresentação do Dançares Serranos, com “Xote das duas Damas” e “Tirana do Lenço”
• 21h – Jantar comemorativo, com costela bovina e borrego ao fogo de chão
• 22h – Música ao vivo com Dudi Marafigo e Túlio Borges
Ingressos: R$ 25 para sócios e R$ 50 para o público em geral.

Para mais informações, acesse AQUI o Instagram do CTG Querência Universitária.

Assessoria de Comunicação Udesc Lages
Jornalista Carla SImone Doyle Torres
E-mail: comunicacao.cav@udesc.br
Telefone: (49) 3289-9130
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  • Pela primeira vez, o único CTG sediado por uma universidade no estado de Santa Catarina tem uma patroa à frente, a estudante de Medicina Veterinária, Larissa Nichele. Fotos: Matheus Rosa.
  • Pela primeira vez, o único CTG sediado por uma universidade no estado de Santa Catarina em uma Patroa à frente. Fotos: Matheus Rosa.
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  • Professor Luiz Heitor dedicava-se aos estudos e à docência em ovinocultura no Centro de Ciências Agroveterinárias da Udesc em Lages. Foto: Acerva do família.
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  • Baile em comemoração ao 1º ano do CTG Querência Universitária, realizado em 7 de novembro de 1987. Foto: Acervo da família de Luiz Heitor Vasconcelos da Silva.
  • Professor Luiz Heitor Vasconcelos da Silva, durante o baile comemorativo ao 1º ano do CTG Querência Universitária, em 7 de novembro de 1987. Foto: Acervo da família.
  • Primeira logomarca do CTG Querência Universitária. Imagem: Acervo do CTG
  • Logomarca utilizada durante a maior parte da história do Querência Universitária. Foto: Acervo do CTG
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