Pioneira em Santa Catarina, graduação mudou o cenário do design no estado
Há 30 anos, o curso de Design da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) forma, além de profissionais qualificados, cidadãos comprometidos com a ética e a responsabilidade social.
Pioneira no estado, a graduação conta com uma infraestrutura que oferece espaços, materiais e equipamentos adequados à formação, além de proporcionar um ambiente criativo e inspirador. Somado a isso, o corpo docente altamente qualificado levou o curso a alcançar nota máxima (cinco) em avaliação pelo Ministério da Educação (MEC).
Para Julia Gouveia Lima, estudante de Design Gráfico, o acesso a equipamentos e materiais necessários para a aprendizagem da teoria e da prática é um dos maiores diferenciais do curso. “A Udesc mudou minha vida por completo. As oportunidades e os recursos que temos aqui dificilmente encontramos em outra universidade pública. E isso tudo faz uma diferença enorme na nossa formação”, conta.
O bacharelado se divide entre Design Gráfico e Design Industrial e atende, atualmente, a cerca de 180 alunos matriculados, mas já formou mais de 500 profissionais ao longo de sua trajetória. Os currículos das duas habilitações são pensados para transmitir uma base de conhecimento fundamental para a atuação profissional na área com base em uma formação crítica frente aos desafios enfrentados pela sociedade. O ingresso ocorre anualmente por meio do Vestibular de Verão.
Consolidação do curso
Em 1996, a Udesc criava o curso superior em Desenho Industrial, por meio da Resolução Consuni 029/96, logo após a extinção da Licenciatura em Educação Artística – habilitação em Desenho. Em agosto do mesmo ano, as aulas iniciaram com a entrada dos primeiros alunos pelo vestibular, os quais poderiam atuar nas habilitações: Programação Visual e Projeto de Produto.
Em 1999, três anos após a criação do curso, a graduação se dividiu em duas habilitações. O Bacharelado em Design Gráfico, atualmente com cerca de 100 alunos matriculados, ensina a comunicar ideias e mensagens de forma clara e estratégica através de elementos visuais. Já o Bacharelado em Design Industrial, hoje com mais de 80 estudantes (dados de dezembro de 2025), capacita para o desenvolvimento de produtos utilitários do dia a dia.
A primeira formatura foi realizada em 2000. Naquele mesmo ano, o departamento fundou o LabDesign, um laboratório para que os estudantes das duas habilitações pudessem adquirir experiência e se preparar para o mundo do trabalho. Em funcionamento até hoje, entre as atividades realizadas estão o desenvolvimento de marcas e projetos de sinalização, a edição de publicações, a projeção de itens mobiliários e a criação de peças de comunicação visual.
Outros laboratórios oportunizam aos estudantes a prática do Design. Entre eles, o Laboratório de Fotografia e Estúdio Fotográfico, o Laboratório de Modelagem, o Laboratório de Tecnologia Assistiva e o Laboratório de Pesquisa em Design de Interação. Mais recentemente, em 2024, foi criado o Laboratório de Tipografia e, em 2025, o Laboratório de Estudos de Modelagem e Impressão 3D (LEMI 3D). Os dois últimos se encontram em fase de estruturação e futuramente vão atender a demandas dos cursos, propiciar experiências nas áreas aos discentes e oferecer ações de extensão à comunidade.
Para os próximos anos, a expectativa é a construção do novo prédio do Departamento de Design (DDE), cujo projeto já se encontra em andamento. A nova estrutura deve oferecer espaços mais modernos e adequados, com laboratórios e oficinas ampliados, além de áreas destinadas a exposições e atividades abertas à comunidade.
Mudanças curriculares
Desde a sua criação, o bacharelado em Design da Udesc passou por transformações que hoje o fazem ser um dos cursos mais procurados no vestibular dentre os ofertados no Centro de Artes, Design e Moda (Ceart). Ao longo dos anos, o currículo foi sendo aprimorado com reformas sempre alinhadas às tendências do ensino e do mercado.
“Observamos o que já foi construído para agirmos com perspectiva de futuro com o curso e sua responsabilidade social”, explica o professor Célio Teodorico dos Santos. Docente no DDE desde o início, ele relata que além de formar profissionais, o curso objetiva aprimorar o pensamento reflexivo e crítico sobre o desenvolvimento humano.
Em 2023, o curso teve a quarta e maior reforma curricular até então, que foi implementada em 2024. Conforme a professora Anelise Zimmermann, que ingressou no DDE em 2008 como substituta e em 2009 como efetiva, a iniciativa demandou muito estudo e o trabalho coletivo de docentes, discentes e egressos, “resultando em mudanças significativas no currículo, atualizado frente a importantes mudanças sociais, com a inclusão”.
Exemplo disso é a criação da disciplina “Diversidades Estéticas e Design Contemporâneo”, voltada ao estudo de manifestações estéticas multiculturais, como as produções indígenas do Brasil e Américas, a arte dos povos africanos, concepções estéticas asiáticas (Japão, China, Índia) e de outras partes do mundo.
Merecem também destaque as novas disciplinas “Tópicos Especiais em Design Gráfico I e II”, que visam trabalhar com abordagens teórico-práticas a respeito de temáticas emergentes referentes às relações entre design gráfico, sociedade, cultura, educação, saúde, meio ambiente e tecnologia. Outra disciplina adicionada ao currículo foi “Tipografia II”, focada no desenho de tipos – campo em expansão no design brasileiro. “Essas mudanças dizem respeito ao mercado, mas sobretudo ao nosso compromisso de oferecermos uma formação completa e crítica e de responsabilidade social”, afirma a docente do DDE.
Palco de protagonismo estudantil
Um dos valores do Ceart é promover autonomia e liberdade de expressão para os universitários. No Design, essa abertura pode ser observada nas diversas iniciativas propostas pelos estudantes. Por exemplo, em 2005, foi criado o Centro Acadêmico de Design da Udesc (CADU), um espaço de representação estudantil para reivindicar e propor necessidades discentes.
Outra ação protagonizada pelos estudantes foi a fundação da Inventório, a Empresa Júnior de Design e Moda (EJDM). Desde 2008, tem o intuito de desenvolver futuros profissionais através da vivência empresarial no decorrer do período universitário. Por meio da empresa, são oferecidos serviços nas áreas de Design de Produto, Design Gráfico e Moda a micro e pequenas empresas.
Alunas e alunos do curso também têm diversas oportunidades de participar de programas de extensão e projetos de pesquisa e ensino, seja como bolsistas ou como voluntários. Um exemplo é o “Projeto de Sinalização da Udesc Ceart”, desenvolvido entre 2022 e 2024 sob orientação da professora Anelise Zimmermann. Além de ser um espaço de aprendizado e prática para os discentes, o trabalho foi selecionado para compor a II Mostra Brasileira de Design da Informação (MBDI) de 2025.
Nessas três décadas, em diversos momentos a excelência dos trabalhos desenvolvidos no curso de Design da Udesc foi notada com o reconhecimento das produções estudantis em premiações nacionais e internacionais. Algumas das mais recentes foram: Latin American Design Awards (2024 e 2025), Prêmio Bornancini de Design (2022) e a conquista do 1º lugar no Prêmio de Jovem Cientista do 12º Congresso Nacional de Iniciação Científica em Design da Informação (CONGIC 2025).
No âmbito da extensão, em sua jornada, o curso de Design da Udesc aproximou a universidade da sociedade por meio de projetos como o “Designação”, que levou a produção acadêmica para além dos muros; o “Entre Livros, Tipos e Desenho”, que celebrou a cultura gráfica; e “Os Usos Sociais do Desenho”, que conecta design e território. Hoje, a missão continua com os projetos “Os Usos Sociais do Desenho” e “Laboratório de Representação Fotográfica”. Conforme a professora Anelise, novas iniciativas estão sendo pensadas para ampliar esse diálogo, buscando atender também às demandas da curricularização da extensão.
Pós-graduação em foco
Em 2011, foram iniciadas as atividades do Programa de Pós-Graduação em Design (PPGDesign) da Udesc, área de concentração “Fatores Humanos no Design”, com o curso de mestrado. No ano seguinte, em 2012, foi publicada a primeira edição do periódico “Human Factors in Design”, publicação semestral editada pelo programa. Em 2019, o PPGDesign expandiu sua atuação com a criação do doutorado.
As teses e dissertações desenvolvidas no PPGDesign abordam desde temas clássicos da área que envolvem questões fundamentais de interação física, antropologia, biomecânica, trabalho humano e fisiologia até as interações cognitivas e os sistemas digitais, interfaces computacionais, realidade aumentada e virtual e os métodos que desenvolvem, gerenciam e avaliam essas tecnologias e sistemas.
Os resultados buscam contribuir para o desenvolvimento de tecnologias educacionais e assistivas, jogos digitais, empresas de tecnologia (startups) e formas de gestão do Design e dos processos de desenvolvimento e criação através de métodos macroergonômicos. Nesse contexto, vários estudos são direcionados a públicos específicos como idosos, crianças e pessoas com deficiência.