Wenceslao Machado de Oliveira Júnior falará sobre formação profissional, corpo, afetos e os encontros que transformam os modos de pensar a Geografia
O curso de Geografia do
Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), realiza nesta quarta-feira, 2, às 18h, no auditório Tito Sena, a aula inaugural do semestre. O convidado é o professor Wenceslao Machado de Oliveira Júnior, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que conduzirá a palestra “A formação de um geógrafo: um corpo afetado pelos desvios do mundo”.
A atividade marca o início de uma nova etapa para a licenciatura em Geografia da Udesc Faed, que neste semestre recebe a primeira turma vinculada ao novo currículo do curso. A matriz curricular foi reformulada após mais de uma década de vigência do currículo anterior, com o objetivo de atualizar e ampliar as possibilidades de formação dos estudantes.
Segundo a professora e chefe do Departamento de Geografia, professora Renata Rogowski Pozzo, a escolha do tema e do convidado buscou estabelecer uma relação direta com as disciplinas cursadas pelos estudantes que ingressam na nova matriz curricular.
“A gente quis que essa aula inaugural dialogasse muito com o curso de licenciatura em Geografia”, explica.
A indicação do professor Wenceslao também partiu dos próprios estudantes. De acordo com a professora, alunos que já tiveram contato com suas pesquisas e produções audiovisuais destacaram a importância de sua obra, especialmente no campo do ensino de Geografia.
A trajetória acadêmica do professor convidado também apresenta conexões com o curso da Udesc. Wenceslao foi orientador de doutorado da professora Ana Preve, docente da área de Ensino de Geografia do Departamento de Geografia da Udesc Faed.
Formação para além da universidade
Na aula inaugural, Wenceslao propõe refletir sobre a formação de um geógrafo para além dos espaços formais de ensino. Para o professor, a constituição de um profissional e de um pensador não ocorre apenas na graduação ou nos percursos de mestrado, doutorado e outras etapas da formação acadêmica. Manifesta-se ao longo de toda a vida, a partir dos encontros com o mundo.
A ideia de “corpo afetado” ocupa lugar central nessa reflexão. O pesquisador considera que são as experiências, sensações, relações e encontros que atravessam o corpo que também mobilizam o pensamento e produzem deslocamentos na trajetória de cada pessoa.
O título da palestra faz referência justamente aos “desvios” que podem transformar uma trajetória. No percurso apresentado por Wenceslao, esses encontros passam pela educação e pela escola, pelas imagens e pelo cinema, pela filosofia da diferença e pelas reflexões sobre o corpo, além de aproximações com outras formas de pensamento, incluindo cosmovisões africanas e indígenas.
Para ele, esse processo também transforma a própria Geografia. A área de conhecimento se modifica a partir dos problemas colocados pelo mundo, dos diálogos com outros campos e dos encontros com diferentes modos de compreender e habitar a realidade.
Corpo, espaço e Geografia
A relação entre corpo e Geografia será outro eixo da aula. Na perspectiva do professor, o corpo é uma dimensão inevitável da experiência humana e evidencia que somos constituídos por relações que são também espaciais.
Nesse sentido, o espaço extravasa uma dimensão física. Envolve distâncias, durações e intensidades das relações que estabelecemos com outras pessoas e com os ambientes que habitamos. O chão, o ar, as paisagens, os seres vivos e as diferentes condições dos ambientes participam dos modos como sentimos e pensamos o mundo.
Essa perspectiva amplia também a compreensão sobre como diferentes corpos ocupam e experimentam os espaços.
Cinema, arte e educação
A pesquisa de Wenceslao também estabelece uma forte interlocução entre Geografia, cinema, imagens, infância e educação, temas que dialogam com diferentes componentes curriculares da nova matriz da licenciatura.
Para o professor, a arte pode contribuir para tornar sensíveis parcelas do mundo que ainda não eram percebidas por determinado grupo de estudantes. Uma obra cinematográfica pode, por exemplo, voltar a atenção para diferentes grupos sociais, modos de vida, paisagens, animais, plantas, rios ou outras dimensões do mundo.
Outra possibilidade é levar para a escola os próprios procedimentos de criação artística. Nesse caso, a arte pode ajudar a desenvolver formas diferenciadas de olhar e prestar atenção ao mundo, além de oferecer linguagens para expressar aquilo que emerge dos encontros com o entorno.
No caso do cinema, o professor destaca o chamado cinema de dispositivo, entendido como uma possibilidade de interromper os modos habituais de observar a realidade e criar outras formas de olhar. A proposta é estimular os estudantes a perceber o que está ao redor por novas perspectivas e desta forma ampliar seus conhecimentos sobre o lugar onde vivem e sobre o mundo.
A aula inaugural é organizada pelo Departamento de Geografia da Udesc Faed, com apoio da Direção de Ensino, por meio de edital do Programa de Apoio ao Ensino de Graduação (Prapeg). A atividade é voltada especialmente aos estudantes do curso de Geografia e busca valorizar a formação docente e os diferentes caminhos que podem constituir a trajetória de um geógrafo.
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