A doutoranda Juliani Brignol Walotek, do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental (PPGPlan), do
Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesd), realiza nesta quarta-feira, 12, às 9h, a defesa de sua banca de doutorado intitulada "Territórios Litorâneos Afrodescendentes: trilhando caminhos na pesquisa-ação".
A pesquisa tem como foco o processo de territorialização quilombola no município de Garopaba (SC), com atenção especial às territorialidades, aos usos tradicionais e às transformações vivenciadas pela comunidade quilombola do Morro do Fortunato. A defesa ocorre de modo híbrido (presencial com
transmissão online), na sala 119.
Orientado pelo professor Douglas Ladik Antunes, o trabalho busca compreender como a comunidade construiu e continua construindo suas relações com o território, considerando tanto os processos históricos de ocupação quanto as dinâmicas territoriais presentes nos dias atuais.
“O trabalho mostra como o território regularizado é muito menor do que o território usado no passado. Ela vai olhar para essa luta territorial”, observa o professor, ao destacar o que considera mais relevante da pesquisa.
A pesquisa articula Cartografia Social, pesquisa-ação e história oral para registrar e analisar as formas pelas quais os moradores se relacionam com o espaço. A partir dos dados produzidos junto à comunidade, foram espacializadas diferentes territorialidades e identificados lugares de memória, trajetórias e redes de relações que ajudam a compreender a formação do território quilombola.
Território, paisagem e modos tradicionais de vida
Um dos eixos centrais da tese é a compreensão do território a partir das experiências concretas da comunidade. O estudo recupera caminhos, áreas de plantio, espaços de extrativismo e outras formas tradicionais de utilização dos recursos naturais que historicamente ultrapassavam os limites territoriais formais atualmente estabelecidos.
Durante o doutorado, Juliani também realizou uma experiência internacional por meio do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), desenvolvendo uma imersão em uma comunidade afrodescendente na Costa Rica.
A experiência permitiu ampliar a análise para além da realidade brasileira e estabelecer aproximações entre diferentes experiências latino-americanas e afro-caribenhas. O trabalho compara formas de uso e apropriação do território, relações com a paisagem e processos de construção de identidades e memórias em contextos distintos.
A pesquisa também identifica experiências de racismo e opressão vivenciadas por essas comunidades, além de estratégias de resistência e afirmação de suas identidades e direitos por meio da relação com o território.
O estudo articula, dessa maneira, território, paisagem, memória, patrimônio, identidade, práticas tradicionais e participação social, evidenciando como esses elementos se relacionam na construção das territorialidades quilombolas.
A banca é composta pelos professores Raquel Mombelli, Renato Emerson Nascimento de Souza, André Souza Martinello e Renata Rogowski Pozzo.
Assessoria de Comunicação da Udesc Faed
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