Professora Karina Roggia fala da conquista da equipe "É Sempre o XOR" em Santiago do Chile
Eduardo, João e Enzo foram 14º colocados entre 44 equipes latino-americanas e garantiram vaga na final em Dubai FOTO Divulgação
Batizada de "É Sempre o XOR", a equipe composta por Enzo de Almeida Rodrigues, Eduardo Schwarz Moreira, João Marcos de Oliveira (acadêmicos do Bacharelado em Ciência da Computação) e pela coach Karina Roggia (professora do curso e coordenadora do programa de extensão) foi desafiada a apresentar soluções na forma de algoritmo para doze problemas e, repetindo as boas atuações das etapas anteriores da Maratona de Computação, encerrou a competição em 14º lugar geral e em quinto lugar dentre as instituições brasileiras, atrás apenas das equipes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, bicampeã do torneio), da Universidade de Brasília (UNB), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O próximo desafio da equipe do CCT será reunir os recursos necessários para financiar sua participação na final mundial do International Collegiate Programming Contest, já que nem todas as passagens para os Emirados Árabes estão garantidas. A competição acontece em Dubai, entre os dias 15 e 20 de novembro de 2026. Professora do curso de Ciência da Computação, coordenadora do programa de extensão Maratona de Programação e coach da equipe "É Sempre o XOR", Karina Roggia falou à nossa reportagem sobre a competição, sobre os bastidores da preparação da equipe e sobre as expectativas para a final nos Emirados Árabes.
Karina, pode nos falar um pouco a respeito do International Collegiate Programming Contest e do tipo de provas que a equipe do CCT enfrentou?
A competição tem o mesmo formato desde a década de 1970: um computador sem ligação com Internet, três competidores e um conjunto de 10 a 15 problemas que devem ser resolvidos algoritmicamente. Nesta última prova foram 12 problemas. Os meninos lideraram o placar durante parte da competição, mas ficaram muito tempo empenhados em problemas mais difíceis, o que acabou diminuindo a quantidade de problemas resolvidos. Não foi possível trazer a medalha latino-americana, porém a vaga para a 50ª edição do mundial foi conquistada de forma tranquila e assim alcançamos a principal meta dessa temporada, que iniciou em setembro de 2025 com a primeira fase brasileira do torneio.
Há quanto tempo a equipe existe e treina junto?
Enzo, Eduardo e João Marcos entraram no curso de Computação juntos, embora o Eduardo já tivesse feito um ano de Engenharia Elétrica no CCT. Ainda assim, o trio atual ficou nesse formato nessa temporada. O João e o Enzo têm uma história maravilhosa: eles haviam se conhecido quando tinham algo com 10 ou 12 anos em um projeto da prefeitura que levou alguns destaques da Olimpíada Brasileira de Matemática em Escolas Públicas (OBMEP) para jogos do JEC. Eles se reencontraram nos primeiros dias de Udesc e levou um tempo para lembrarem de onde um conhecia o outro. Eles têm fotografia da ida ao camarote do jogo, junto com o prefeito da época. No primeiro ano de faculdade (eles entraram em março de 2022), Enzo e João competiram com outro colega, Eric Grochovicz. Na temporada 2023/2024 eles continuaram os três competindo juntos e se classificaram pela primeira vez para a etapa mundial, que ocorreu no Cazaquistão. Mas o trio na realidade sempre foi composto pelos quatro estudantes.
Há uma tradição, então, de competições internacionais com esta equipe? Eric Grochovicz não pôde ir ao Chile desta vez?
Cada time é composto de exatamente três pessoas e nos dois últimos anos eles fizeram algumas "danças de cadeiras" entre eles. O Eric continua competindo esse ano, enquanto os três que foram para o Chile estarão compulsoriamente aposentados depois do mundial. Uma pessoa pode participar de, no máximo, dois mundiais ou cinco temporadas, o que vier primeiro.
Qual é a relação entre o Programa de Extensão Maratona de Programação da Udesc Joinville e a Maratona da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) de Programação?
Sim. A competição que chamamos Maratona de Programação é o centro do programa, mas as ações são voltadas para a consolidação, para a promoção e para o fomento da programação competitiva, em especial no sul do país. A Maratona SBC de Programação é o braço brasileiro dessa competição que nasceu nos anos 1970 nos Estados Unidos, promovido pela ACM (Associação Americana de Computação). Temos desde 1996 esta competição no Brasil e, antes de 2024, a última classificação de uma universidade da região sul para a final mundial tinha sido em 2010 ou 2012 com a UFSC. De uns anos para cá a gurizada se organizou com identidade própria e o propósito de ir além na competição. O começo da Maratona na Udesc é em 2004 e em 2010 Joinville sediou a final brasileira, organizada pelo professor Rosso, do Departamento de Ciências da Computação. Em 2022/2023 obtivemos nossa primeira medalha nacional e desde então temos conseguido alguma consistência. A etapa latino-americana tem apenas três edições (Guadalajara em 2024, Salvador em 2025 e Santiago em 2026) e em todas elas a Udesc foi representada. Atualmente a final latino-americana é a prova que classifica para a final mundial e em 2024 fomos para o Cazaquistão.
Além do trio de competidores, quantas outras pessoas compõem a equipe? Qual é o seu papel ou função nesse grupo, professora?
As equipes se formam organicamente e, ao contrário de instituições que fazem seleções e montam o time competitivo, eu sempre achei melhor deixar a gurizada se acertar entre si, pois a prova tem um componente forte de trabalho em equipe e divisão de tarefas. O Brute é o grupo de alunos que treina para a maratona e tem pelo menos 20 alunos, sendo que uma dezena deles se dedica ao estudo e ao treino constante. Em janeiro, nove estudantes passaram duas semanas intensivas em Campinas estudando e treinando, com três horas de aulas e cinco horas de simulado todos os dias. Eu geralmente ponho alguma ordem nas reuniões do projeto e costumo dizer que sou a burocrata da equipe: faço a parte institucional entre a Maratona SBC/ICPC e a universidade, papel que o ICPC chama de coach.
A equipe já tem os recursos e a logística preparada para Dubai?
Ainda teremos que viabilizar os recursos para a viagem. O ICPC garantiu um auxílio de U$ 3 mil para a equipe. Com a cotação atual de passagens para Dubai, seria possível pagar duas das quatro passagens da equipe. Já estou com um edital de Santa Catarina que pode dar até R$ 8 mil para equipes de competição, o que daria a terceira passagem. O programa da maratona tem verba própria, mas essa verba geralmente é utilizada para a promoção de competições locais, para a participação das meninas na maratona feminina e idas às fases brasileiras. Então ainda teremos uma procura por recursos para viabilizar a viagem.
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