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A esporotricose, zoonose causada por fungos do gênero
Sporothrix e considerada emergente no Brasil, foi tema da mais recente edição do programa Minuto da Extensão, da Udesc FM Lages. A entrevista, veiculada nessa quinta-feira, 18, reuniu especialistas para esclarecer formas de transmissão, sintomas, prevenção e controle da doença, que afeta principalmente gatos e pode ser transmitida aos seres humanos.
O programa apresenta informações sobre o Protocolo Estadual de Esporotricose Humana e Animal 2026, publicado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) de Santa Catarina. O documento estabelece diretrizes técnicas para vigilância, diagnóstico, notificação e controle. A publicação acompanha a inclusão da esporotricose humana na lista nacional de doenças de notificação compulsória.
Participaram da entrevista a professora do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Renata Assis Casagrande; a médica veterinária coordenadora do Centro de Bem-Estar Animal de Lages, Geanice Ledo; as biólogas da Dive Cristina Alves Ribeiro e Cláudia Lopes; e o médico veterinário e coordenador do Programa Atenção e Sanidade Agropecuária do Consórcio Intermunicipal Serra Catarinense (Cisama), Thiago Henrique Cordeiro.
Os convidados integram ações vinculadas ao projeto de extensão “Diagnóstico
post-mortem e controle de doenças zoonóticas, transmissíveis e maus-tratos em animais na região da Amures”, desenvolvido em parceria entre a Udesc Lages e o Cisama, sob coordenação da professora Renata Casagrande.
O que é a esporotricose e por que ela preocupa especialistas?
Segundo os entrevistados, a esporotricose pode ser adquirida no contato com o fungo presente no solo, em matéria orgânica e em vegetação contaminada. A transmissão também ocorre entre animais. Nos gatos, principais hospedeiros e transmissores da doença, os sinais mais comuns incluem feridas que não cicatrizam, lesões ulceradas e espirros associados a lesões na região da face, focinho e cabeça.
Em humanos, a infecção costuma provocar lesões persistentes na pele, especialmente em mãos, braços e rosto. A transmissão ocorre principalmente por arranhões, mordidas ou contato com secreções de animais infectados. Pode-se adquirir a doença também pelo contato direto com solo contaminado, motivo pelo qual a enfermidade também é conhecida como “doença do jardineiro”.
Durante a entrevista, os participantes reforçaram a importância do diagnóstico precoce e da busca por atendimento especializado. “Sempre que tiver alguma lesão, alguma feridinha, já correr para o atendimento veterinário”, orientou a médica veterinária Geanice Ledo. Os especialistas alertam que tutores não devem tentar tratar os animais por conta própria, aplicar medicamentos sem orientação profissional ou abandonar animais doentes. Outra recomendação é que animais mortos em decorrência da esporotricose não sejam enterrados em residências, já que o fungo pode permanecer no ambiente e contaminar o solo.
A prevenção envolve medidas como manter gatos domiciliados (sem sair à rua), realizar a castração, utilizar luvas ao manipular animais com suspeita da doença e procurar assistência veterinária diante de qualquer lesão persistente. Para pessoas que trabalham com terra, a recomendação é o uso de equipamentos de proteção individual, como luvas, botas e roupas de manga comprida.
A entrevista também abordou o conceito de Saúde Única (
One Health), que integra saúde humana, animal e ambiental. “Ninguém faz nada sozinho, a gente tem que dar as mãos e correr todo mundo para os mesmos lados”, destacou Thiago Henrique Cordeiro.
Projeto de extensão fortalece vigilância e diagnóstico na Serra Catarinense
De acordo com a professora Renata Casagrande, a esporotricose foi a principal doença zoonótica identificada pelo projeto de extensão desenvolvido entre a Udesc e o Cisama. “A doença infecciosa zoonótica mais diagnosticada por esse projeto foi a esporotricose”, ressaltou. Desde sua criação, a iniciativa já realizou mais de 350 necrópsias em diferentes espécies animais na região serrana catarinense, contribuindo para o diagnóstico, monitoramento e controle de enfermidades de interesse para a saúde pública.
Dados apresentados durante a entrevista apontam registros da doença em municípios da Serra Catarinense. Até o primeiro trimestre de 2026, foram registrados um caso animal em Lages e seis em São José do Cerrito. Em 2025, houve um caso em Bocaina do Sul, quatro em Lages e 15 em São José do Cerrito. Os especialistas observam, entretanto, que ainda existe subnotificação e que o número real de casos pode ser superior ao registrado oficialmente.
A entrevista destacou ainda que o primeiro caso humano da doença na região foi identificado em 2022. Desde então, o fortalecimento das ações de vigilância e a ampliação das notificações têm permitido identificar ocorrências que anteriormente poderiam passar despercebidas.
Segundo os participantes, o enfrentamento da esporotricose depende da atuação integrada de médicos, médicos veterinários, biólogos, laboratórios e órgãos de vigilância epidemiológica. A condição reforça a importância da abordagem de Saúde Única para proteger simultaneamente a saúde das pessoas, dos animais e do ambiente.
Minuto da Extensão, veiculado em edição inédita nessa quinta-feira, 18, tem reprise pela Udesc FM Lages (106,9 MHz) neste sábado, 20, às 18h. Os ouvintes também podem acompanhar pela Udesc FM
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SERVIÇO
O quê: entrevista sobre esporotricose no programa Minuto da Extensão, da Udesc FM Lages.
Quem: professora Renata Assis Casagrande (Udesc/CAV); médica veterinária Geanice Ledo (Centro de Bem-Estar Animal de Lages); biólogas Cristina Alves Ribeiro e Cláudia Lopes (Dive); e médico veterinário Thiago Henrique Cordeiro (Cisama).
Quando: reprise neste sábado, 20, às 18h.
Onde: Udesc FM Lages (106,9 MHz) e transmissão
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