Mostra inaugural de Renata Gordo reúne fotografias, imagens de arquivo e objetos a partir da convivência com a artista Nara Guichon
Obra "Nara Evangeline", de Renata Gordo. Foto: divulgação
A estudante do curso de Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Renata Gordo inaugura, na quinta-feira, 8 de outubro, a exposição "Movimento Nara Evangeline". A mostra individual da artista estará em cartaz até novembro na Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti, no centro de Florianópolis. A entrada é gratuita.
A exposição é fruto de sete anos de convivência entre Renata e a artista e ambientalista Nara Guichon, um acompanhamento próximo que se transformou em amizade e trocas criativas. Desse encontro nasceu, nas palavras de Renata, "um vórtice, onde encantos e memórias se mesclaram: restos de barcos, árvores frondosas, costuras de histórias em trapos, verdades inventadas e brincadeiras sérias". Fotografias produzidas ao longo da convivência se somam a imagens do arquivo familiar da artista, além de tecidos e objetos cotidianos, compondo um universo no qual memória e imaginação se entrelaçam.
A abertura reúne Renata e Nara em uma roda de conversa sobre o processo criativo e os temas centrais da exposição, com tradução em Libras.
Entre a memória e o futuro sonhado
Renata descreve que "Nara Evangeline" habita um entre-lugar. A pesquisa caminha de forma não linear, composicional, mas sempre movida pelo desejo de transformar a memória em um terreno vivo e em constante composição e decomposição, para nutrir sonhos. Ao revisitar documentos e arquivos de família, a artista pratica o que a escritora e pesquisadora estadunidense Saidiya Hartman chama de "fabulação crítica": uma forma de contar histórias que disputam a memória coletiva por meio das lacunas. A proposta busca novas narrativas nos arquivos e espaços públicos, defendendo o direito à diferença, ao incompreendido e ao que não pode ser capturado, ao mesmo tempo que reverencia as antepassadas.
Na exposição, a casa surge como espaço de pesquisa e criação, um lugar onde se cultivam gestos, saberes e afetos transmitidos ao longo do tempo. Cuidado, modos de fazer e estratégias de sobrevivência aparecem como formas de vidência, uma inteligência sensível herdada e reinventada a cada geração. O encontro entre Renata e Nara não é apenas o assunto da mostra, mas seu próprio mecanismo: aquilo que movimenta, compõe e recompõe memórias, natureza, território e feitiços, fazendo brotar novas possibilidades de existência.
Programação
Ao longo de outubro e novembro, a programação inclui atividades formativas e diálogos abertos ao público, realizados na Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti, exceto quando indicado: