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Notícia

26/02/2026-15h05

Observatório da Udesc Esag transforma Florianópolis em referência em inovação social

Ciência que transforma: projeto é coordenado desde 2016 pela professora Carolina Andion

O Observatório de Inovação Social da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) vem consolidando Florianópolis como referência nacional e internacional na área. Coordenado desde 2016 pela professora Carolina Andion, do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), o projeto reúne mais de 20 pesquisadores, docentes e estudantes da graduação e da pós-graduação, vinculados ao Núcleo de Inovações Sociais na Esfera Pública (NISP).

A iniciativa se materializa em uma plataforma online colaborativa e de acesso livre (observafloripa.com.br), que mapeia e acompanha iniciativas de inovação social na capital catarinense. O sistema permite identificar coletivos, organizações e instituições que atuam em diferentes problemas públicos da cidade, além de suas conexões com apoiadores e instrumentos de políticas públicas.

O que é inovação social?

Segundo a professora Carolina Andion, o diferencial da inovação social está na sua finalidade: promover transformação social duradoura.

“É a mudança de uma situação que ocorre pelo incômodo vivido e pela intervenção de vários atores que se mobilizam e buscam responder a seus problemas comuns. Esse movimento pode transformar uma situação indesejada em uma nova realidade e também possibilitar a construção coletiva de novos futuros possíveis”, define.

Nesse sentido, o Observatório funciona como um dispositivo público de apoio à governança e à coprodução de políticas públicas. “A plataforma reforça a participação cidadã ao conectar atores e iniciativas das comunidades, empresas, sociedade civil, Universidades e governo e publicizar os problemas públicos da cidade, suas causas e efeitos, bem como as respostas que estão sendo construídas nas diferentes arenas públicas mapeadas”.

Uma rede ampla e conectada

Os dados revelam que Florianópolis conta com uma rede densa e diversificada de atores engajados em arenas públicas ligadas à promoção de direitos, meio ambiente, assistência social, sustentabilidade e questões urbanas.
Hoje, a plataforma reúne mais de 24 campos de atuação e contabiliza mais de 1.800 registros, entre iniciativas, organizações de apoio e instrumentos de políticas públicas. O mapeamento, iniciado em 2017, permite visualizar não apenas quem atua na cidade, mas também a intensidade das conexões entre esses atores.

“Percebemos que essa rede está cada vez mais forte e articulada. A formação promovida pela universidade tem papel essencial no fortalecimento desse ecossistema”, destaca a coordenadora.

Formação que gera impacto

O impacto do Observatório também se reflete na formação acadêmica. Desde sua criação, dezenas de trabalhos, de conclusões de curso a doutorados e pós-doutorados, foram desenvolvidos em diálogo direto com comunidades e organizações.

As pesquisas abordam temas como igualdade de gênero, questões raciais, direitos humanos, resíduos sólidos, governança da água, governança urbana, bem-estar animal e direitos da população em situação de rua.
Um dos diferenciais do projeto é a integração entre ensino, pesquisa e extensão. “Não são estudos feitos apenas dentro da universidade. Os estudantes participam das arenas públicas, se engajam e muitas vezes seguem atuando nesses espaços depois de formados”, afirma Andion.

Ex-orientandos hoje ocupam cargos como conselheiros de direitos humanos, servidores públicos, professores, pesquisadores e consultores, em Santa Catarina e em outras regiões do país.

Desde 2023, o grupo também integra uma rede nacional e internacional de inovação social, com parcerias no Brasil, América Latina, América do Norte e Europa. Atualmente, dois pesquisadores vinculados ao projeto realizam pós-doutorado no exterior, ampliando o intercâmbio científico.

Pesquisa engajada

O principal impacto do Observatório, na avaliação da professora, está na consolidação da chamada “pesquisa engajada”. A metodologia rompe com a lógica tradicional que separa pesquisador e fenômeno de estudo.

“Aqueles que seriam vistos como ‘objetos’ tornam-se sujeitos e coprodutores da pesquisa, participando ativamente de todas as etapas do processo. Já os pesquisadores se engajam nas arenas e acompanham suas experiências, por meio de formações, oficinas, mutirões, cursos e outras ações de extensão. A universidade se expande assim para além dos seus muros, não pela mera transferência, mas por meio da coprodução de conhecimento num processo de investigação pública, cujos resultados são também discutidos, apropriados e aplicados nas/pelas comunidades”, afirma.

O resultado vai além da produção científica. O impacto também é medido pela incidência nas políticas públicas e pela transformação gerada nos bairros e nas comunidades envolvidas. A metodologia da cartografia e o acompanhamento das arenas públicas têm sido replicadas também em outras realidades, dando lugar para a criação de outros Observatórios em outros estados por pesquisadores parceiros.

Ciência a serviço da sociedade

Em um contexto marcado por crise climática e desafios democráticos, Andion defende que a inovação social pode ser um vetor para o exercício da democracia.

“A inovação social pode favorecer a experimentação democrática, possibilitando que as comunidades enxerguem, se incomodem, se mobilizam, interpretem e ajam em relação aos seus problemas comuns, aprendendo e colaborando para construir soluções coletivas e criativas possíveis.”

Para ela, a interdisciplinaridade e a aproximação entre universidade e sociedade são fundamentais.

“A pesquisa ainda é muito especializada e compartimentada. Ao promover uma ciência engajada e dialogar com problemas reais, aproximamos a universidade do cidadão, da sociedade”, observa.

Sonho e visão de futuro

A plataforma digital e de pesquisa colaborativa implementada em parceria pelas professoras Carolina Andion e Graziela Alperstedt nasceu com o objetivo de fortalecer a agenda da inovação social em Santa Catarina, no Brasil e internacionalmente, meta que tem sido conquistada na avaliação dos pesquisadores. O grupo acaba de concluir uma revisão sistemática sobre os ecossistemas de inovação social nas principais bases científicas do campo e os seus trabalhos figuram entre os mais relevantes e citados na área.

O grande desafio agora, segundo a coordenadora, é garantir a continuidade e o aprofundamento dessa agenda de pesquisa em articulação com as políticas públicas, tendo a cidade como um laboratório vivo. “Nosso sonho é que o trabalho tenha continuidade e que possamos ampliar e aprofundar a pesquisa aplicada e implicada, realizando novos estudos nas arenas públicas da cidade e comparados destas com outras regiões do Brasil e do exterior”.

Para tanto, a professora destaca a importância do apoio institucional da Udesc e o financiamento da Fapesc, fundamentais para manter a equipe, atualmente com mais de 20 pesquisadores, e a ampla rede de parceiros da sociedade civil, poder público, setor empresarial e instituições nacionais e internacionais.

“O que construímos até aqui é fruto de um esforço coletivo. A inovação social e a transição socioecológica só acontecerão de fato quando muitos atores transformarem juntos suas interações, práticas e relações com a natureza e isso exige investimento de recursos e trabalho sistemático e de longo prazo”, conclui.

Esta reportagem integra a série Ciência que transforma, da Udesc Esag. O projeto tem como foco principal fortalecer a iniciação científica e estimular a participação da comunidade acadêmica em projetos de pesquisa, com ênfase na linguagem simples.

Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br 




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