Evento marcou abertura do 36º Seminário de Iniciação Científica, que continua nesta quarta-feira
Luciana falou sobre papel da IA na pesquisa. Foto: Beatriz Cordeiro
A palestra de abertura do 36º Seminário de Iniciação Científica (SIC), realizada nesta terça-feira na Udesc Joinville, ofereceu uma panorama sobre o uso da inteligência artificial no mundo acadêmico, com ênfase nas ferramentas mais adequadas para diferentes fases e temas da pesquisa científica. A ministrante, Luciana Mara Silva, chamou atenção também para as questões éticas envolvidas nessa prática e para as limitações da tecnologia atual, que ainda não entrega resultados plenamente confiáveis.
Luciana é doutora em Ciência da Informação e hoje atua como bibliotecária da Udesc em Florianópolis. Ela apresentou os principais conceitos da área, abordou o funcionamento básico do sistema e em seguida falou dos riscos da IA. Além das conhecidas alucinações (informação não fundamentada), citou as deepfakes (manipulação hiper-realista de áudio e vídeo) e os vieses, que podem perpetuar estereótipos e sub-representação estrutural de culturas, ou apenas confirmar qualquer hipótese sugerida pelo usuário (viés de confirmação).
Uma das recomendações que Luciana faz aos alunos é elaborar um diário de IA, anotando os casos de uso durante a pesquisa, por questão de transparência. Ao tratar das boas práticas, citou a nova política de integridade na ciência do CNPq, estabelecida pela Portaria 2.664/2026, e o Guia da Udesc, que na sua opinião deve ser incorporado ao plano de ensino dos professores.
Letramento em IA
Uma parte da palestra foi dedicada ao emprego de prompts para refinamento da pesquisa. Os comandos estão na apresentação de Luciana, a ser disponibilizada em breve. O documento também mostra as inúmeras ferramentas apresentadas em detalhes no encontro. “Letramento em IA” e “uso responsável” foram as expressões mais empregadas.
Segundo a palestrante, há dois tipos de inteligência artificial. Uma é a IA Aberta, que são os bate-papos (chats), em que a máquina gera texto baseado em seus “dados de treino”, com alto potencial de alucinação ou viés. Outra é a IA Ancorada em Fontes, baseada nos documentos (PDFs) que o usuário envia. Exemplos dessa última são o Gemini Notebook, o SciSpace e o Elict.
Apresentação de trabalhos
O início propriamente dito do 36º Seminário de Iniciação Científica do CCT ocorreu mais cedo. A primeira sessão de apresentação de trabalhos da graduação abriu às 13h30 no Coworking do Bloco J. Foram expostos resumos de 42 pesquisas realizadas em três áreas: Química (27 trabalhos), Matemática (13), e Educação Inclusiva (2).
E nesta quarta-feira tem mais. Serão três sessões ao longo do dia, abrangendo Engenharia Mecânica e Física na sessão 2 (9h30 às 11h), Engenharia Civil e Engenharia Elétrica na sessão 3 (13h30 às 15h), Ciência da Computação e Engenharia de Produção na sessão 4 (16h às 17h30). Todas no Bloco J.
Para se ter ideia da diversidade das pesquisas, na página do SIC está disponível a programação completa, com a relação de todos os trabalhos inscritos para o seminário, listados por título, autor e orientador. Mas quem visitou a exposição, circulou entre os 142 pôsteres e conversou com alguns autores, pôde avaliar a importância das investigações realizadas pelos estudantes.
Tendências em Matemática
Marilene Vieira da Silva, orientada pela professora Regina Munhoz, abordou a presença da História da Matemática nos trabalhos acadêmicos do CCT. Como se trata de uma Tendência em Educação Matemática (TEM) ligada à formação docente e às práticas de ensino, a história da área é fundamental em dois aspectos apontados no trabalho de Marilene. Primeiro, “amplia a compreensão dos conteúdos e da origem do conhecimento matemático, favorecendo a reflexão do professor sobre sua prática”; segundo, “contextualiza os conteúdos e atribui significado aos conceitos matemáticos”.
Apesar disso, apenas 11 trabalhos abordaram o tema entre 2012 e 2024 na Udesc Joinville, considerando as dissertações de mestrado e os trabalhos de conclusão da Licenciatura. O desafio, segundo Marilene, é a falta de material histórico adequado e de formação docente para selecionar, adaptar e utilizar a História da Matemática, cujo potencial “depende de planejamento e de formação que transforme o conhecimento histórico em conhecimento matemático”.
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