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Notícia

05/02/2026-16h03

Pesquisa inédita da Udesc Esag revela como o envelhecimento da população impacta economia

Ciência que transforma: Estudo é desenvolvido pela professora Marianne Stampe

O Brasil está envelhecendo e a mudança carrega implicações profundas para o crescimento econômico, para a dinâmica regional e para as políticas públicas.

Um novo estudo desenvolvido no Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), liderado pela economista e professora Marianne Stampe, joga luz sobre essas transformações e busca responder a uma pergunta central: como variáveis demográficas influenciam o crescimento da renda per capita no território brasileiro?

A pesquisa, de caráter pioneiro, combina demografia, econometria espacial e análise regional, examinando dados dos Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010. O trabalho investiga se mudanças na estrutura etária impactam de forma distinta o desenvolvimento econômico do país.

Envelhecimento rápido e desigualdades regionais

O processo de envelhecimento da população brasileira altera profundamente a sua composição: menos crianças, mais idosos e uma redução progressiva da população em idade ativa.

Esse rearranjo modifica a estrutura social com impactos profundos. A professora Marianne Stampe explica que os efeitos econômicos desse processo não são uniformes no território. Segundo ela, regiões menos desenvolvidas tendem a sofrer mais, pois contam com menos recursos econômicos, menor capacidade de gerar empregos e enfrentam mais dificuldades para sustentar gastos com saúde e previdência.

Para ela, Santa Catarina funciona como “laboratório” dessa transição acelerada: vive hoje desafios que outras regiões enfrentarão apenas na próxima década.

O bônus demográfico e seus limites

Um dos conceitos centrais da pesquisa é o chamado bônus demográfico, período em que a população em idade ativa cresce mais que a população dependente, favorecendo o crescimento econômico. Esse fenômeno alimentou a expansão de países asiáticos nas últimas décadas e está associado à melhoria do nível de vida quando acompanhado de forte investimento em educação e produtividade.

Mas o bônus tem prazo de validade.

Depois dele, explica Stampe, entra em cena o segundo dividendo demográfico, muito menos discutido no Brasil: estratégias para que uma população mais idosa continue contribuindo para o desenvolvimento. Isso inclui: educação continuada, requalificação profissional, incentivo à poupança e ao investimento, políticas de envelhecimento ativo.

Sem essas ações, o país pode entrar num período de estagnação econômica, com famílias pressionadas pelos custos de cuidado dos idosos e pouca estrutura pública de apoio.

Um alerta: o país não está preparado

A ausência de políticas públicas voltadas ao envelhecimento aparece como um dos principais riscos identificados pela pesquisadora.

Hoje, grande parte dos cuidados com idosos dependentes recai sobre filhos e filhas em idade produtiva, que precisam conciliar trabalho, criação dos próprios filhos e assistência a pais cada vez mais longevos, um cenário que tende a pressionar o mercado de trabalho e a renda das famílias.

“As famílias já vivenciam esse desafio diariamente, e o Estado precisa olhar para isso”, afirma Stampe. Ela destaca a necessidade de redes de apoio, políticas de saúde específicas, adaptação do sistema previdenciário e programas que incentivem autonomia e inclusão para a população idosa.

Por que isso importa agora

O país está muito próximo do fim do seu bônus demográfico. Nos próximos 20 anos, decisões sobre educação, previdência, saúde, mercado de trabalho e apoio familiar determinarão se o Brasil conseguirá aproveitar o segundo dividendo demográfico ou se entrará numa rota de baixo crescimento.

A pesquisa de Marianne Stampe traz evidências de que envelhecer rápido exige planejamento e que a estratégia precisa ser diferenciada para cada região do país.

Em um país tão desigual, onde a demografia muda a passos distintos, entender o mapa do envelhecimento pode ser decisivo para construir políticas públicas eficientes e sustentáveis.

Esta reportagem integra a série Ciência que transforma, da Udesc Esag. O projeto tem como foco principal fortalecer a iniciação científica e estimular a participação da comunidade acadêmica em projetos de pesquisa, com ênfase na linguagem simples.

Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br 
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