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Notícia

29/05/2020-11h02

Pesquisadores da Udesc Alto Vale simulam propagação da Covid-19 em Ibirama

 
Estudo da universidade confirma que isolamento total reduz contágio de Covid-19 - Imagem: Reprodução
Pesquisadores da área de Engenharia de Software que atuam no Centro de Educação Superior do Alto Vale do Itajaí (Ceavi), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), estão estudando a propagação do novo coronavírus em Ibirama a partir da simulação de diferentes cenários de isolamento social.

Os resultados preliminares reforçam o entendimento de que o isolamento total, em contraste com alternativas menos restritivas, é o cenário que resulta na menor quantidade de infectados. Acesse o estudo neste link.   

Ainda em andamento, o trabalho é realizado pelo professor Fernando dos Santos e pelo estudante Lucas de Castro Lima Teixeira, ambos do curso de Engenharia de Software da Udesc Alto Vale. Lucas é bolsista de pesquisa na unidade.

Agentes artificiais

A simulação feita pelos pesquisadores considera dados territoriais, populacionais, educacionais e do mercado de trabalho, existentes e estimados, e cria um "agente artificial" (virtual) para cada habitante.

Os agentes reproduzem o comportamento diário dos habitantes, de ida ao trabalho ou à instituição de ensino, e de retorno para suas residências, ocasiões em que uma pessoa saudável pode ter contato com infectadas, ocasionando a propagação da doença.

"É possível simular o isolamento social total ou setorial, por exemplo, apenas de estudantes ou trabalhadores, para verificar o efeito que as medidas restritivas podem causar na curva de contaminação da Covid-19", explica o professor Fernando dos Santos.  

Realizada como parte do projeto de pesquisa Desenvolvimento dirigido a modelos de simulações com agentes, da Udesc Alto Vale, a simulação foi desenvolvida na plataforma NetLogo e pode ser visualizada neste vídeo.

  
Cautela com dados

O pesquisadores destacam que parte dos dados necessários à simulação, como a quantidade de funcionários em cada empresa ou de alunos em cada escola, foi estimada e, portanto, os resultados do estudo devem ser utilizados com cautela, pois podem não refletir a dinâmica real de propagação na cidade.

Os dados utilizados foram obtidos em diversas fontes: territoriais e viários do repositório Open Street Map; populacionais e domiciliares no portal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE); educacionais nos portais do IBGE e do Educa Mais Brasil; e empresariais na Federação Catarinense de Municípios (Fecam).

Já os parâmetros da Covid-19, como taxa de transmissão, duração e mortalidade, foram pesquisados em literatura científica especializada.

Categorias de agentes

Entre os dados utilizados pelo estudo, foi considerada uma população de 17.330 habitantes no município, agrupados em três categorias: estudantes, trabalhadores e não economicamente ativos.

Para estimar o comportamento dos agentes, foi criado um tipo de agente artificial para cada categoria, sendo que alguns foram enquadrados em mais de uma categoria (os que estudam e também trabalham, por exemplo).  

Outros dados avaliados foram extensão territorial e os números de domicílios, empresas e instituições de ensino, além da faixa etária dos habitantes.

Resultados preliminares

Considerando como paciente zero um único agente trabalhador, foram simulados diferentes cenários de isolamento, variando o percentual de estudantes e trabalhadores isolados.

O estudo permite observar a quantidade de agentes infectados em cenários nos quais o percentual de isolamento de estudantes e trabalhadores é o mesmo. Nesse caso, o isolamento total (de todos os estudantes e trabalhadores) resultou em um número de agentes infectados próximo de zero. Já com a situação oposta, sem isolamento dessas categorias, foi obtida a maior quantidade de agentes infectados.

As simulações com percentuais de isolamento diferenciados para as categorias (por exemplo, 25% dos estudantes e 0% de trabalhadores) resultaram em quantitativos semelhantes entre si. "Isso indica que é indiferente isolar 25%, 50% ou 75% de uma classe de agentes, se o percentual de isolamento da outra classe for zero", afirma Fernando.

"Realizamos simulações para estudar a propagação em um período de 90 dias. Cada simulação foi executada dez vezes para obter resultados médios e, assim, mitigar os efeitos que a inicialização aleatória dos agentes poderia causar", explica Fernando.

Próximos passos

Os pesquisadores pretendem atualizar o estudo à medida que novos dados científicos sobre os parâmetros da Covid-19, específicos do Brasil e de Santa Catarina, estejam disponíveis.

"Nos próximos passos, vamos analisar os percentuais de infecções por classes de agente e explorar cenários com mais de um paciente zero. Também faremos análises mais detalhadas sobre a mortalidade dos agentes", conclui o pesquisador.

Mais informações

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail fernando.santos@udesc.br.

Confira todas as ações desenvolvidas pela Udesc no combate à pandemia do novo coronavírus no site udesc.br/coronavirus.

Assessoria de Comunicação da Udesc
E-mail: comunicacao@udesc.br
Telefones: (48) 3664-7935/8010      
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