Please enable JavaScript to view the page content.
Logo da Universidade do Estado de Santa Catarina

Notícia

08/04/2026-16h12

Pesquisadores da Udesc Faed identificam paleotoca em Lauro Muller

Registro inédito fortalece pesquisas sobre megafauna

Membros da equipe BioGeo, Epagri e da família Cattaneo/Bett em frente à paleotoca. Foto: Divulgação
Pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) identificaram e descreveram uma nova paleotoca (túnel escavado por animais pré-históricos) na localidade de Rio Amaral Gruta, em Lauro Müller (SC), no Sul do estado. 

A descoberta foi feita por pesquisadores do Laboratório de Geografia Física (LGEF), ligado ao Grupo de Pesquisa em Estrutura, Dinâmica e Conservação da Biodiversidade e da Geodiversidade (BioGeo), ligado ao Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed) da Udesc, em Florianópolis.

De acordo com o coordenador do laboratório, professor Jairo Valdati, a descoberta representa o primeiro registro documentado desse tipo de icnofóssil (vestígios deixados por organismos vivos, como pegadas, ovos, tocas, túneis, entre outros registros de atividades biológicas) em rochas da Formação Rio Bonito e na unidade de relevo conhecida como Depressão da Zona Carbonífera Catarinense.

Paleotocas

As paleotocas são túneis subterrâneos escavados por mamíferos da ordem Xenarthra, como tatus, preguiças e tamanduás. Essas estruturas foram escavadas pelos animais durante o Período Quaternário, que engloba dos 2,58 milhões de anos até o presente, e serviam como abrigo contra o clima e possíveis predadores.

Classificadas como estruturas de habitação do tipo Domichnia, estão associadas a espaços de moradia, que podiam ser usados de forma temporária ou permanente. Hoje, esses vestígios são encontrados principalmente no Sul do Brasil e na Argentina.

Em Santa Catarina, já haviam sido identificadas paleotocas do tipo em municípios do Vale do Itajaí (Doutor Pedrinho), Planalto Serrano (Urubici), Oeste (Lindóia do Sul) e Sul (Morro Grande, Jacinto Machado e, agora, Lauro Müller). “Encontrar novos registros é fundamental para entender melhor a distribuição desses vestígios no território”, explica o professor Jairo Valdati.

Paleotoca Amaral de Baixo 

A estrutura recém-identificada recebeu a denominação de paleotoca Amaral de Baixo. Ela tem cerca de 25,9 metros de comprimento e apresenta uma ramificação. Para caracterizá-la como uma paleotoca, foram observados a forma, marcas de garra ou de deslocamento dos animais e características externas.

A paleotoca apresenta formato arredondado-elíptico, o que é considerado o padrão para estas cavidades. Algumas partes dos túneis têm marcas de garras, deixadas durante a escavação pelos animais, o que possibilitou inferir que, provavelmente, foi escavada por tatus extintos. A localização em uma área elevada do relevo, próxima a cursos d’água, também reforça essa interpretação.

Importância

De acordo com a equipe de pesquisadores da Udesc Faed, a descoberta amplia o conhecimento sobre a presença da megafauna quaternária (que viveu nos últimos 2,5 milhões de anos, aproximadamente) no Sul do Brasil. Até agora, muitos registros em Santa Catarina estavam concentrados na área do Geoparque Mundial da Unesco Caminhos dos Cânions do Sul, onde o grupo de pesquisa BioGeo também atua.

A identificação da paleotoca em um contexto geológico e geomorfológico diferente indica que esses grandes animais habitaram áreas mais amplas do que se supunha anteriormente, contribuindo para novas interpretações sobre a ocupação do território no passado.

Próximas etapas

Os dados coletados em campo serão apresentados no 4º Encontro Luso-Brasileiro de Patrimônio Geomorfológico e Geoconservação (ELBPGG), de 5 a 10 de outubro, na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em Pelotas (RS). O evento busca fortalecer a cooperação científica entre países de língua portuguesa e a comunidade ibero-americana, promovendo o intercâmbio de experiências relacionadas à inventariação, valorização e gestão do geopatrimônio. 

Entre os próximos passos da pesquisa está a aplicação da tecnologia Lidar (Light Detection and Ranging ou Detecção e Medição de Luz, na tradução em português), recentemente adquirida pelo laboratório, para a criação de modelos tridimensionais das paleotocas e análise mais detalhada dessas estruturas.

A equipe do projeto destacou o apoio recebido durante as atividades de campo no município de Lauro Müller, com a colaboração das pessoas que auxiliaram no acesso ao local e no reconhecimento da área. Em especial, agradeceram aos proprietários, Simone da Silva Cattaneo Bett e Sílvio Bett, pela autorização de acesso à propriedade e pela hospitalidade, e aos membros da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Paulo César Freiberger e Simone de Aguiar, que contataram a universidade e solicitaram a avaliação da cavidade.

 
Assessoria de Comunicação da Udesc 
E-mail: comunicacao@udesc.br 
Telefone: (48) 3664-8007
galeria de downloads
galeria de imagens
  • Membros da equipe BioGeo, Epagri e da família Cattaneo/Bett em frente à paleotoca. Foto: Divulgação
  • Fundo do túnel em direção à entrada da paleotoca, aproximadamente 11 metros. Foto: Divulgação
  • Fundo do túnel da paleotoca, com marcas de garras dos escavadores, possivelmente tatus. Foto: Divulgação
notícias relacionadas
 
ENDEREÇO
Av. Madre Benvenuta, 2007
Itacorubi, Florianópolis / SC
CEP: 88.035-901
CONTATO
Telefone: (48) 3664-8000
E-mail: contato@udesc.br
Horário de atendimento: 13h às 19h