Prédio da Udesc possui características da arquitetura brutalista.
Foto: Alberto Lohmann/Divulgação
O longa-metragem “O Brutalista” está entre os favoritos ao Oscar 2025, premiação que ocorre no domingo, 2 de março. Com 10 indicações, incluindo a de Melhor Filme, a obra de ficção conta a história de um arquiteto húngaro que migra para os Estados Unidos no período pós-guerra.
Além de suscitar debates em relação ao contexto político e social, o filme convida o público a conhecer mais sobre o movimento arquitetônico conhecido como brutalismo. Apesar de gerar questionamentos de profissionais da área em relação à cronologia e obras expostas, para o professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Alberto Lohmann, o longa tem o potencial de promover outras reflexões sobre a arquitetura.
“Um filme como O Brutalista traz à tona a discussão e valorização da Arquitetura e, principalmente, da Arquitetura Brutalista. Mesmo por se tratar de uma obra de ficção e não um documentário, insere essa linguagem arquitetônica em uma narrativa, podendo evocar questões como apoio a preservação patrimonial e contexto social e político e sua influência na Arquitetura”, avalia o docente .
O professor explica que o brutalismo descende do modernismo e tem como características edificações minimalistas, caracterizadas por terem apenas os materiais em seu estado bruto, como o concreto aparente, sem revestimentos, e normalmente com formatos angulares e com paletas de cores monocromáticas.
“No Brasil o brutalismo se desenvolveu no que se chama Escola Paulista. Liderada por arquitetos como João Batista Vilanova Artigas, essa escola enfatizava a técnica construtiva, valorização da estrutura e adoção do concreto armado aparente”, comenta Lohmann.
Em Florianópolis, uma das obras que explora essas características arquitetônicas é o prédio que abriga a reitoria da Udesc. Localizado na avenida Madre Benvenuta, no bairro Itacorubi, o edifício inaugurado em 1976 foi projetado como sede da Telecomunicações de Santa Catarina (Telesc) por Moyses Liz e Odilon Monteiro, passando depois à empresa Oi, de quem foi adquirido pela Udesc em 2021.
Segundo Alberto Lohmann, no edifício é possível perceber a estrutura de concreto aparente, bem como os brises, também de concreto aparente. O docente destaca ainda o formato em “Y” do prédio , que lembra a marca da Telesc, além de outras singularidades, como o acesso funcional através do centro geométrico da construção e a integração do imóvel com o paisagismo e as outras edificações no terreno.
“Do ponto de vista histórico, o edifício representa a expansão da infraestrutura urbana da capital catarinense, junto com outros edifícios públicos, como o da Celesc. Esse conjunto de edifícios de empresas estatais contribuíram para a consolidação dos bairros como Itacorubi, Santa Mônica, Trindade, entre outros”, pontua.
O docente avalia ainda que a construçã o da Udesc se destaca na arquitetura de Florianópolis em conjunto com obras como o CEISA Center, que também carrega características do brutalismo, e outros edifícios da capital, entre eles o Centro Cívico Tancredo Neves e o Fórum Desembargador Eduardo Luz, antiga sede do Governo de Santa Catarina.
“A importância da preservação dessas edificações é de mantê-las como testemunhos tangíveis do passado e deveriam ser tombadas como patrimônio de Santa Catarina”, completa Lohmann.
Modelo para desenhos
No dia 15 de junho de 2024, o edifício da Udesc serviu de modelo para desenhadores que se dedicam à prática do desenho nos locais. O evento foi organizado pelo grupo
Urban Sketchers Florianópolis, que integra o movimento internacional
Urban Sketchers.
Em Laguna, cidade onde está localizado o Centro de Educação Superior da Região Sul (
Ceres) da Udesc, as atividades do Urban Sketchers são coordenadas pelos professores Alberto Lohmann e Patrícia Turazzi Luciano. Saiba mais sobre o projeto no perfil do Instagram
@usklaguna.
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