Uma minicidade educativa criada para ensinar conceitos de educação financeira a crianças da educação infantil deu mais um passo rumo à implementação em escolas municipais de Florianópolis. O protótipo foi validado durante reunião realizada semana passada, na Udesc Esag, reunindo pesquisadores, bolsistas, especialistas e representantes de núcleos de educação infantil participantes do projeto Construindo Futuros, uma continuação do projeto Din-dim.
A iniciativa integra uma parceria entre a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e o Instituto Brasileiro de Finanças, sob coordenação da professora Marianne Z. Stampe, do Departamento de Economia do
Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag).
"Acredito que a minicidade seja implementada no ano que vem, por enquanto é só o protótipo, depois, adaptações para crianças neurodivergentes", avaliou a professora.
Durante o encontro, os participantes avaliaram o protótipo da minicidade e os materiais pedagógicos que compõem o projeto, como moedas, cédulas, jogo da memória de profissões e livretos educativos. O objetivo foi analisar aspectos pedagógicos, ergonômicos e de acessibilidade antes da implementação nas unidades de educação infantil.
A minicidade é formada por estruturas modulares de encaixe que representam diferentes espaços urbanos, como moradias, mercados, farmácias e hospitais. O projeto foi concebido para permitir múltiplas configurações, adaptando-se às atividades propostas pelos professores e aos diferentes espaços escolares.
Segundo os participantes, a proposta apresenta vantagens pedagógicas ao favorecer o trabalho em pequenos grupos, estimulando a cooperação e a interação social. O sistema de montagem também foi considerado simples e intuitivo, permitindo que as próprias crianças participem das atividades de construção e organização dos ambientes.
O protótipo foi desenvolvido artesanalmente na própria universidade, utilizando equipamentos de marcenaria da Udesc. Nesta fase, alguns ajustes ainda serão realizados, incluindo melhorias nos encaixes, acabamento das peças e adequações ergonômicas para garantir maior conforto e segurança durante o uso.
Inclusão e acessibilidade
Um dos principais focos da reunião foi a adequação dos materiais para crianças neurodivergentes e para diferentes contextos sociais.
Também foram discutidas adaptações nas moedas e cédulas utilizadas nas brincadeiras. Entre as sugestões estão o uso de cores diferenciadas, tamanhos variados e elementos em relevo para facilitar a identificação tátil dos valores.
Outro ponto destacado foi a preocupação em abordar temas financeiros de forma inclusiva, evitando discursos normativos sobre poupança ou consumo que possam desconsiderar as diferentes realidades econômicas das famílias. A equipe também trabalha para ampliar a representatividade nos materiais, contemplando diversidade de perfis, incluindo raça, gênero e trajetórias profissionais.
Aprendizagem por meio do brincar
Bolsistas da Udesc acompanharão as atividades em ideia de que a aprendizagem na educação infantil ocorre de forma mais significativa quando associada a experiências lúdicas. Na minicidade, as crianças assumem papéis sociais, realizam trocas, simulam situações cotidianas e exploram conceitos relacionados ao uso, ao gasto e à origem do dinheiro.
Durante a reunião, foi apresentado ainda o jogo da memória de profissões, desenvolvido para trabalhar a compreensão sobre diferentes formas de geração de renda. O material será acompanhado por um livrinho com atividades destinadas às famílias, fortalecendo a conexão entre escola e ambiente doméstico.
Próximas etapas
O projeto já conta com experiências em desenvolvimento no Núcleo de Educação Infantil Municipal (Neim) Pequeno Príncipe e deverá iniciar novas aplicações no Neim Campeche, registrando observações sobre o comportamento das crianças e a efetividade dos materiais pedagógicos. Além das duas unidades, o projeto também será implementada no Colégio Logosófico.
Entre os encaminhamentos definidos estão a revisão final das moedas e cédulas, a conclusão dos materiais de comunicação alternativa, o aperfeiçoamento do manual pedagógico e o planejamento de exposições da minicidade em diferentes espaços da universidade.
A intenção da equipe é que a versão final da minicidade amplie as possibilidades de aprendizagem sobre educação financeira desde os primeiros anos da infância.
Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br