Scienco Biotech se destaca entre mais de 3 mil startups e projeta Santa Catarina no cenário internacional
Scienco Biotech esteve ao lado de apenas nove outras startups na final do South Summit Brasil 2026. Fotos: Arquivo pessoal
A
startup Scienco Biotech, originada a partir de pesquisas desenvolvidas no Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Udesc Lages, conquistou o primeiro lugar global no
South Summit Brasil 2026, realizado em Porto Alegre-RS, entre 25 e 27 de março. A empresa - que desenvolve tecnologias que permitem analisar a qualidade do leite de forma rápida e simples, diretamente na fazenda - é a grande estrela de um dos maiores eventos do mundo na área de inovação. Esta edição reuniu cerca de 24 mil participantes e mais de 3 mil
startups de diferentes países.
A trajetória até o resultado final passou por diferentes etapas de seleção e apresentação, em um processo que exige não apenas consistência científica, mas também clareza na comunicação das soluções propostas. Ao longo dessa jornada, a equipe da Scienco chegou à final ao lado de apenas outras nove concorrentes.
A notícia da premiação ainda gera muita emoção entre os envolvidos. “Foi algo gigante. Eu ainda estou extasiada, não acredito nesse resultado. Nós estamos no céu”, comemora a professora da Udesc Lages e fundadora da empresa, Drª Maria de Lourdes Magalhães. Para além da emoção, ela também destaca o que o reconhecimento representa em termos de trajetória científica: “Esse prêmio mostra que estamos no caminho certo, desenvolvendo soluções que realmente respondem a demandas concretas do setor produtivo”.
Esse percurso começou há cerca de dez anos. A Scienco Biotech foi fundada em 2016, a partir de projetos desenvolvidos na própria Udesc Lages, em um momento em que o ecossistema de inovação em Santa Catarina ainda se estruturava. Um dos primeiros impulsos veio do programa Sinapse da Inovação, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), que viabilizou a transição de uma pesquisa acadêmica para uma proposta com potencial de aplicação no mercado.
Da pesquisa ao campo: caminhos da inovação aplicada
No início, como ocorre com muitas iniciativas desse tipo, a estrutura era limitada. Sem laboratório próprio, o desenvolvimento das pesquisas dependia de parcerias institucionais. Nesse cenário, a articulação com o Orion Parque Tecnológico permitiu avançar nas primeiras etapas do projeto e validar as soluções em construção.
Com o acesso a novos editais e fontes de fomento, a empresa passou a estruturar seu próprio espaço de pesquisa. Esse movimento, mais do que uma expansão física, alterou a dinâmica de trabalho: permitiu mais autonomia nos testes, mais agilidade na validação de hipóteses e um controle mais direto sobre os processos experimentais.
Parte desse percurso também passa por políticas de incentivo à inovação que têm ampliado a participação de mulheres na ciência e no empreendedorismo tecnológico. A Scienco Biotech é formada principalmente por mulheres e, nesse sentido, teve apoio de iniciativas como o programa Mulheres Mais Tech, da Fapesc, além de ter sido reconhecida em premiações como o Mulheres Inovadoras, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Nesse caso, o protagonismo feminino não aparece apenas como números na composição de uma equipe, mas como traço estruturante das ideias em desenvolvimento.
É nesse ambiente que, em 2021, surge a DairyTech, uma
spin-off* voltada ao setor lácteo, fundada pela professora Maria de Lourdes junto ao professor da Udesc Lages, Dr. Gustavo Felippe da Silva. A iniciativa marca um direcionamento mais claro da empresa para soluções aplicadas à cadeia produtiva do leite, especialmente em um contexto de crescente demanda por qualidade e por produtos diferenciados.
Um dos principais resultados desse processo é o
MilkTest A2, lançado em 2022. Conforme Maria de Lourdes, esta tecnologia permite identificar, a partir de pequenas amostras de leite e em poucos minutos, se o produto é do tipo A2, característica associada a uma melhor digestão para parte dos consumidores. Até aquele momento, tal identificação dependia de genotipagem, uma técnica mais complexa, cara e com tempo de resposta mais longo.
A tecnologia simplifica o processo e altera não apenas o tempo de análise, mas o próprio local onde ela pode ocorrer. “Nossa tecnologia permite uma análise rápida, acessível e diretamente aplicável na fazenda, o que muda a lógica de tomada de decisão do produtor e amplia o controle de qualidade na cadeia do leite”, explica a professora. Na prática, isso significa aproximar o diagnóstico do momento da produção, reduzindo etapas intermediárias e o tempo envolvido.
Esse tipo de solução dialoga com transformações no setor agropecuário, que necessita cada vez mais de tecnologias capazes de qualificar processos e simplificar a parte operacional. Nesse sentido, como observa a própria pesquisadora, “muitas vezes, a inovação está na simplicidade, porque resolver uma dor real de forma prática pode gerar impacto significativo tanto na saúde quanto na economia”.
Perspectivas da Scienco Biotech
A inserção no mercado internacional é um dos desdobramentos desse percurso. Atualmente, a tecnologia desenvolvida pela
startup já é exportada para países como Nova Zelândia, Portugal, Coreia do Sul e Colômbia. Em alguns desses contextos, como o neozelandês, a solução passa a fazer parte de cadeias produtivas já consolidadas no segmento de leite A2. Tal inserção implica em atender a padrões técnicos e operacionais mais exigentes.
Ao mesmo tempo em que se especializa, a trajetória da empresa também evidencia um movimento mais amplo, já que niciativas tecnológicas vinculadas a universidades têm se tornado cada vez mais presentes em áreas como a agropecuária, em que a aplicação das pesquisas é muito facilitada. No caso da Scienco, esse percurso é complexo, envolve financiamento público, desafios estruturais, formação de recurso humano especializado. Isto porque pode-se dizer que ainda é nova no Brasil a construção de “autoridade de mercado” na saída da universidade em direção às necessidades de um setor cada vez mais competitivo.
Nesse contexto, o reconhecimento no
South Summit funciona como um sinal: soluções desenvolvidas em ambientes acadêmicos podem se desenvolver, circular e concorrer em diferentes mercados, desde que consigam responder a problemas concretos. Para mais informações sobre a Scienco Biotech, acesse o site da empresa
AQUI.
*Spin-off é uma empresa criada para levar ao mercado uma tecnologia desenvolvida em pesquisa.
Assessoria de Comunicação da Udesc Lages
Jornalista Carla Simone Doyle Torres
E-mail: comunicacao.cav@udesc.br
Telefone: (49) 3289-9130