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Notícia

09/02/2026-13h38

Udesc Esag conta com representante no Carnaval de Florianópolis

Willian Tadeu Leite transforma pesquisa acadêmica em samba na avenida

A paixão de Willian Tadeu Leite, 37 anos, pelas escolas de samba nasceu ainda na infância e tem raiz na curiosidade histórica. Natural de Rodeio, no interior de Santa Catarina, ele se mudou para Florianópolis na adolescência, acompanhando uma mudança profissional da mãe.

Foi ali que percebeu algo que mudaria sua trajetória: o samba-enredo também é uma forma de contar história.

“Quando eu era criança, comecei a perceber que a música contava uma história”, relembra. O interesse não ficou apenas na arquibancada. Formado em História pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), com graduação e mestrado pelo Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed), Willian transformou o carnaval em objeto de pesquisa acadêmica.

Seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) analisou as transformações nos modos de narrar das escolas de samba entre 1977 e 1989. No mestrado, orientado pelo professor Rafael Rosa Hagemeyer, ampliou o recorte até a década de 2010.

Servidor da Udesc há 14 anos, atualmente como técnico de suporte da Direção de Extensão (DEX) do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), Willian vê a avenida como um espaço único de comunicação.

“Contar histórias no carnaval é algo muito potente. É difícil pensar em outro lugar que atinja um público tão grande e diverso quanto a avenida”, afirma.

Do virtual à Sapucaí catarinense

Antes mesmo de atuar diretamente nas escolas, Willian começou a “exercitar as artes do carnaval” no ambiente digital.

Em 2005, participou do chamado carnaval virtual, uma proposta de criação de escolas de samba fictícias, com enredos e sambas próprios.

Dois anos depois, em 2007, venceu pela primeira vez um concurso de samba-enredo com a escola Consulado.

Desde então, já compôs mais de 70 sambas apresentados em escolas de diferentes regiões do Brasil.

A musicalidade sempre esteve presente em sua família. Os pais apoiavam e sempre assistiam aos desfiles pela televisão, e os avós, muito musicais. Com o tempo, Willian passou de compositor a carnavalesco, função que exige pesquisa, criação narrativa, desenvolvimento de fantasias e alegorias, uma espécie de direção artística do desfile.

Hoje, ele é carnavalesco da Copa Lord, uma das mais tradicionais escolas de samba de Florianópolis.

Fundada em 1955, em um período de retração do carnaval na cidade, a escola nasceu da iniciativa de jovens do centro que queriam movimentar a festa. É a segunda escola mais antiga da capital, atrás apenas da Protegidos da Princesa, de 1948.

Enquanto a Protegidos soma 26 títulos, a Copa Lord tem 20 campeonatos conquistados e reúne cerca de duas mil pessoas em seus desfiles.

“Não dá pra falar de Montserrat, do Morro da Caixa, sem falar da Copa Lord. Ela é um elemento de identidade muito forte daquela comunidade”, destaca.

Carnaval como construção coletiva

Para Willian, a magia do carnaval está no processo coletivo.

“É a mobilização de muita gente para contar uma mesma história no mesmo momento. Quando chega a hora do desfile, tudo aquilo que foi pensado separadamente acontece de maneira conjunta. Esse movimento é o mais bonito”, define.

As escolas são avaliadas sempre pelos mesmos nove quesitos: enredo, samba-enredo, bateria, harmonia, evolução, fantasias, alegorias e comissão de frente, além de mestre-sala e porta-bandeira.

O tema do desfile costuma ser escolhido ainda em abril, depois de um breve recesso.

Em 2018, Willian foi campeão com a Copa Lord ao levar para a avenida o enredo “Manjericão”, que explorava o significado da planta como elemento de purificação espiritual.

Para este ano, a expectativa também é alta. O enredo “As doces aventuras de Rocambole” se inspira em um folhetim francês do século XIX, com uma proposta leve, divertida e pouco conhecida, exatamente o tipo de narrativa que mais o atrai.

“Gosto de contar histórias inusitadas e desconhecidas. Para mim, é sempre mais interessante”, afirma.

Projeção nacional

Além da atuação em Florianópolis, Willian tem sambas apresentados em escolas de São Paulo, Manaus e Porto Alegre. Desde 2020, ele marca presença anual no Grupo Especial paulista.

Em 2026, assina sambas da Gaviões da Fiel e da Mocidade Unida da Mooca.

Na capital catarinense, os desfiles acontecem em dois dias - 13 e 14, com início às 21h e término por volta das 3h40. A Copa Lord será a última escola a desfilar no sábado.

Entre os destaques da Udesc Esag no carnaval local estão as estudantes Karina Marcelino e Carolina Mayer, que já foram rainhas da festa, reforçando a diversidade de vínculos entre a cidade e o samba.

Willian Leite encerrou a programação do TEDxUdesc no ano passado ao levar a Copa Lord ao palco do Teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC).

Entre a universidade e a avenida, constrói uma trajetória que articula pesquisa acadêmica, arte e cultura popular.

Para Willian, o carnaval continua sendo uma aula de história a céu aberto: cantada, dançada e vivida coletivamente por milhares de pessoas.

Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br 
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