Evento discutiu temas e pesquisas de ponta na área da Física, reconhecida no Nobel 2026
A programação da II Escola de Neutrinos teve início na manhã de quarta-feira (30 de setembro), com a palestra de abertura do professor Jonathan Paley, do Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), nos Estados Unidos, pesquisador com ampla atuação em física experimental de neutrinos. Ao longo do dia – e também na sexta-feira – o evento ofereceu palestras e minicursos com os professores Rodolfo Valentim (Universidade Federal de São Paulo), Diego Gratieri (Universidade Federal Fluminense), Ana Machado (Universidade Estadual de Campinas - Unicamp), Rafael de Lima (Udesc) e Emmanuel de Oliveira (Universidade Federal de Santa Catarina) no Auditório do Bloco I. O segundo dia de programação foi dedicado às oficinas práticas sobre softwares de simulação, detecção e análises de neutrinos nos laboratórios de informática do Bloco L com os professores André Steklain (Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR) e Gustavo Valdiviesso (Universidade Federal de Alfenas - Unifal).
Durante as atividades da Escola de Neutrinos, dez pesquisadores oriundos dos diversos programas de pós-graduação em Física no Brasil apresentaram seus trabalhos na forma de pôsteres, material que foi submetido à avaliação de um corpo de jurados para a definição dos melhores resultados científicos do evento. Os vencedores foram anunciados no último dia do encontro e em primeiro lugar ficou “Pesquisa e desenvolvimento de um detector híbrido de cintilação e Cherenkov para física de neutrinos”, assinado por David Goes Costa, Ieda Andres Rodrigues, Leonardo da Silva Peres, Ana Amélia Bergamini Machado, Ettore Segreto, Anderson Campos Fauth (todos da Unicamp) e José Maneira (LIP-Portugal e Universidade de Lisboa), seguido por “Electromagnetic shower reconstruction performance in ICARUS”, de autoria de Gabrieli Salmória, Hélio da Motta (ambos do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e André Fabiano Steklain Lisboa (UTFPR). O terceiro lugar foi conquistado por Thaís Souza da Silva e Gustavo do Amaral Valdiviesso (ambos da Unifal) com o trabalho “Tomografia da Terra usando neutrinos atmosféricos no Dune via redes neurais informadas pela física”.
“O principal ponto a ser destacado com a realização desta edição da escola na Udesc Joinville foi a interação entre estudantes e pesquisadores em torno de temas de pesquisa de ponta em física de neutrinos”, resume o professor do Programa de Pós-graduação em Física do CCT e um dos organizadores do evento, Edgard Pacheco Moreira Amorim. “As diversas palestras trouxeram um panorama geral dos problemas em aberto na área, bem como dos desafios teóricos e experimentais relacionados às grandes colaborações em física de neutrinos”. A terceira edição da Escola de Neutrinos deverá ser realizada na cidade mineira de Poços de Caldas em agosto ou setembro de 2027 e terá a Unifal como universidade anfitriã.
Neutrinos e o Prêmio Nobel de Física
Os neutrinos são partículas subatômicas de carga elétrica neutra e massa extremamente pequena que se apresentam abundantemente no universo, sendo superados em quantidade apenas pelos fótons. Sua natureza permite atravessar grandes porções de matéria sem praticamente interagir com ela, mantendo-se alheios às forças nucleares fortes ou eletromagnéticas. A interação dos neutrinos com a matéria se dá apenas por meio da gravidade e da força nuclear fraca, razão pela qual são fundamentais para o estudo de eventos cósmicos que a luz não consegue tornar evidentes.
O Prêmio Nobel de Física de 2026 foi anunciado pela Academia Real Sueca de Ciências na manhã de hoje (6 de outubro) e reconhece a pesquisa do professor belga Francis Halzen na utilização das profundas camadas de gelo da Antártida como um sistema de detecção de neutrinos. Halzen é pesquisador da Universidade Wisconsin-Madison (nos Estados Unidos) e foi o idealizador do IceCube, um sistema de sensores que monitoram um quilômetro cúbico de gelo sob a superfície do Pólo Sul. O Dune, por sua vez, é um experimento que se desdobra a partir de um complexo de laboratórios subterrâneos ainda em construção nos Estados Unidos para detecção e aceleração de partículas, esforço levado adiante pela colaboração de mais de 200 instituições em mais de 30 países, mobilizando aproximadamente 1.400 pesquisadores na medição, na classificação e na investigação de fenômenos raros relacionados aos neutrinos.
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