Docente é graduada, mestre e doutora pela Udesc e hoje atua como professora no DAV e no Mestrado Profissional em Artes (Prof-Artes)
Professora Tharciana Goulart. Foto: Valentina Orlandi
Esta é a terceira parte de uma série de conversas com professores do Centro de Artes, Design e Moda (Ceart) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) que também são egressos da unidade de ensino. O especial faz parte dos conteúdos que celebram os 40 anos do Ceart.
Desde pequena, Tharciana Goulart tem apreço pela pintura e pelo desenho. Nascida em uma família de professores em Santo Amaro da Imperatriz (SC), ela sempre admirou o ato de ensinar. Quando cresceu, descobriu que podia juntar suas paixões no curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), no qual ingressou em 2011.
Depois de quatro anos, com o diploma em mãos, Tharciana deu aulas em escolas municipais, estaduais e particulares para crianças da educação básica. Continuou sua formação acadêmica também na Udesc: em 2015, iniciou o mestrado e, em 2019, o doutorado. Em 2023, passou a integrar o corpo docente efetivo do Departamento de Artes Visuais (DAV) e hoje divide os corredores com aqueles que a inspiraram a ensinar.
Núcleo de Comunicação (N.C.): Como você descreve a experiência de estudar na Udesc Ceart?
Tharciana Goulart (T.G.): Quando chega aqui é de encher os olhos. Passar por uma cena de arte, ouvir as músicas, ver o pessoal encenando e as produções das artes visuais, é sentir uma realização. É também conhecer pessoas de diferentes lugares, que têm outras perspectivas de vida ou até culturais. A Udesc é uma referência no estado, sendo a única universidade pública de Santa Catarina que oferece a graduação em Artes Visuais.
N.C.: Como foi a decisão de voltar para a Udesc, agora como professora?
T.G.: Eu sabia que queria trabalhar com artes e educação. E quando cheguei aqui [como aluna], me senti muito satisfeita. Os professores da graduação sempre foram boas referências que me inspiraram a continuar. Eu sabia que queria estar em um instituto federal ou em uma universidade, que são lugares de excelência na educação pública. Hoje ministro as aulas de estágio curricular supervisionado, por causa da minha experiência com educação básica. Também ministro a disciplina de Artes Visuais e Grafismo Infantil, na graduação, e uma disciplina voltada à interculturalidade, no Mestrado Profissional em Artes.
N.C.: De aluna para professora, quais as principais mudanças que você percebeu no curso?
T.G.: Acho que questões estruturais. Nós não tínhamos uma galeria de artes e isso é fundamental para fazer parte da formação dos nossos alunos. A galeria Jandira Lorenz é uma conquista recente
[inaugurada na Udesc em 2022] e as questões estruturais são importantes. Outra mudança significativa é a estrutura curricular. Agora estamos entrando em um novo currículo, que contempla muito mais as perspectivas contemporâneas, tanto da educação quanto do ensino de arte. É um currículo atento ao mundo atual.
N.C.: O que você aprendeu como aluna e hoje aplica como docente?
T.G.: Passa por uma coisa de empatia, sabe?. Eu tinha professores que nos percebiam e isso se tornou uma referência. E também a questão da seriedade com o trabalho, do que você faz e no que você acredita. Daquilo que você pesquisa e como você elabora e ministra uma boa aula. Para tudo isso eu tive referência com os meus professores aqui dentro, que hoje são meus colegas de departamento.
N.C.: E no Ceart como um todo, o que você aprendeu e hoje leva consigo?
T.G.: Acho que tem algo de uma certa sensibilidade com o mundo e com as pessoas. Tem algo de contemplação. Do jeito de se colocar na vida e do jeito como se olha para as coisas. Estamos num lugar muito diverso e acho que isso é importante para a formação humana. É principalmente isso que carrego comigo.
N.C.: O que você considera destaque no curso de Artes Visuais da Udesc?
T.G.: Tem um corpo docente muito forte. Além disso, temos uma boa estrutura de ateliês. Mas, mesmo assim, estamos sempre buscando melhorias. [...] Outra coisa muito boa são os projetos que os próprios professores desenvolvem. Tem projetos de extensão permanente, de pesquisa, de ensino. Assim, conseguimos atender os alunos de diferentes formas. Temos o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, o PIBID, no qual fui contemplada enquanto aluna e do qual hoje sou coordenadora. Gosto de pensar nessa trajetória: uma experiência da graduação que me fez ter vontade de coordenar esse projeto.
N.C.: Como uma pessoa que fez parte da história do Ceart, quais melhorias, evoluções ou sonhos você deseja para o centro?
T.G.: Tem um sonho que é coletivo, de cada vez mais desenvolver o educativo da galeria Jandira Lorenz. As ações educativas na galeria aproximam ainda mais a universidade da escola. No curso que dou aula, a Licenciatura em Artes Visuais, a extensão nos dá uma perspectiva muito legal de aproximação da comunidade, e eu considero isso importante. Outro desejo é um Colégio de Aplicação na Universidade, o que poderia contribuir na qualidade da formação inicial, bem como para realização de pesquisas na Graduação e na Pós-Graduação.
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Entrevista por Isadora Pavei e Valentina Orlandi, estagiárias de jornalismo
Núcleo de Comunicação Udesc Ceart
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