O museu "é um ambiente que favorece a experimentação
e impacto visual" afirma Lucas Flygare. Foto: Luiz Moraes
Pensada especialmente para o hall do Museu da Escola Catarinense (Mesc), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), localizado em Florianópolis, a exposição “Forma e Farsa”, do artista visual Lucas Flygare, tem suas primeiras intervenções a partir de 19 de fevereiro.
Até 25 deste mês, o artista realizará uma residência artística inédita no local e a montagem da intervenção site-specific, que consiste em uma criação artística a partir da arquitetura de um lugar específico, no caso, as dependências do museu.
O público visitante poderá observar o trabalho em andamento e terá a oportunidade de dialogar com o artista.
A instalação será composta por filme stretch, grama sintética e objetos escultóricos produzidos com madeira reaproveitada, cerâmica e outros materiais recuperados.
Esses elementos constroem um ambiente que traz reflexão sobre o sentido pleno das representações na arte e no mundo, questionando a encenação persistente e mostrando os meios para o funcionamento dos corpos nos espaços.
“Gestos se repetem sem produzir avanço, corpos se mantêm em posição, objetos prometem utilidade e oferecem ruína. Entre o monumental e o precário, entre o espetáculo e a exaustão, as obras tentam construir um teatro silencioso no qual a forma expõe suas próprias engrenagens”, explica Lucas sobre as significações e possibilidades da sua obra.
Programação
Além de acompanhar a montagem da instalação, o público poderá participar de duas rodas de conversa. Uma na quarta-feira, 25 de fevereiro, e outra na quinta-feira, 5 de março, ambas às 18h. Os dois encontros contarão com intérpretes de Libras.
A visitação à exposição poderá ser feita até 6 de março, de segunda a terça-feira das 13h às 19h, de quarta a sexta-feira das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 17h.
O coletivo constrói uma obra única
Formada por diferentes tipos de esculturas, “Forma e Farsa” funciona como uma obra única, articulada pela relação entre arquitetura, diferentes materiais e corpos. “A instalação propõe ao visitante atravessar esse campo instável, onde a encenação persiste e os mecanismos que organizam corpos e objetos se tornam visíveis”, destaca o artista.
A curadoria da mostra é de Lucila Horn, que acompanha o trabalho do artista na consolidação de uma pesquisa, iniciada em 2023, após a exposição individual na Galeria Municipal Pedro Paulo Vecchietti, em Florianópolis.
“Desde então, tenho aprofundado tanto os aspectos conceituais quanto as experimentações materiais que agora se consolidam nesta mostra”, compartilha Lucas.
O artista tem uma ligação com o Mesc, mesmo sendo sua primeira exposição no local, já que uma de suas obras integra o acervo do museu.
Para Lucas, o espaço é um dos locais expositivos mais marcantes de Florianópolis. “O hall de entrada oferece uma escala ampla e uma arquitetura que permite pensar a instalação em dimensões maiores, criando possibilidades que dificilmente seriam viáveis em outro espaço na cidade. É um ambiente que favorece a experimentação e impacto visual”, completa o artista.
Sobre o artista
Lucas Flygare, natural de Florianópolis, é artista visual, bailarino e coreógrafo. Sua prática investiga as relações entre corpo, tempo e espaço a partir de linguagens como fotografia, instalação, performance, vídeo, objeto, pintura e dança contemporânea. A fisicalidade aparece em seus trabalhos como zona de conflito, tensionada por normas sociais, teatralidades e rastros de poder, especialmente em torno da farsa, da encenação e dos padrões estéticos que moldam as formas de se mover e de ocupar a cena.
Assessoria de Comunicação da Udesc
Com informações do jornalista Juliano Zanotelli
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