Celebração possibilitou o encontro de professoras que
marcaram a história da instituição. Foto: Rafaella Junkes/
Secom Udesc
Em 16 de novembro, a aprovação do projeto que deu origem ao
Museu da Escola Catarinense (Mesc) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) completou 33 anos. Para marcar a data, a equipe do Mesc realizou, na segunda-feira, 17, um evento de comemoração mais de 40 pessoas que fazem parte da história do museu.
O Mesc foi pensado, inicialmente, como um centro de memória e preservação das sabedorias e vivências da educação de Santa Catarina. O projeto foi aprovado em 16 de novembro de 1992, com o objetivo de mapeamento de acervo museológico no território catarinense.
Hoje o museu está instalado em um edifício histórico no centro de Florianópolis, construído no início do século 20 para abrigar a antiga Escola Normal (voltada à formação de professoras). Depois de algumas mudanças de nome e de perfil, a escola daria lugar à Faculdade de Educação, hoje Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed) da Udesc e depois ao Mesc.
Projeto
A professora e idealizadora do projeto “Resgate da História e da Cultura Material da Escola Catarinense”, Maria da Graça Vandresen, esteve presente na celebração. “Quando dava aula, a escola era referência no ensino público do estado, tínhamos bons materiais e aulas didáticas e a princípio minha pesquisa buscava relatar somente isso”, afirma a professora.
A pesquisa se tornou um pontapé para o desenvolvimento do museu, que pretendia criar um espaço interativo, instigante e dinâmico, desenvolvendo atividades e manifestações culturais como o Café Literário, ponto de encontro de ex-alunos e professores. O Mesc seria também um espaço multiuso para apresentações musicais, cênicas, exposições de curtas e longas, laboratórios de conservação e ateliês.
Apesar do carinho e da proximidade (a neta de Maria da Graça chegou a apelidar o espaço de “museu da vovó”), a professora destaca que não se considera a única responsável pela iniciativa. Segundo ela, o projeto de fundação do Museu só avançou graças ao apoio de diversos professores da Udesc.
Para que museu?
A educadora e antiga diretora da escola, Graça Soares, também esteve presente na celebração. Para ela, o Mesc continua com uma aura de lar, apesar das adversidades enfrentadas na sua institucionalização.“Criar um museu? Para que isso? Para além do apoio, sofremos muita oposição também, o museu era dito como algo velho, caído e pejorativo”, afirma Graça.
“Foi mais difícil lidar com as pessoas que não acreditaram que era possível transformar o prédio em um museu, do que a implantação em si”, relembra.
O encontro que reuniu as duas Graças, aconteceu das 14h às 16h e recebeu um público atento às falas das professoras. Além delas, outros profissionais da área que fizeram parte da história da escola e das instituições, Mesc e Udesc, marcaram presença, como a professora Vera Lúcia Gaspar da Silva.
Implantação
Vera Lúcia Gaspar da Silva foi presidente e membro da Comissão responsável pelos estudos e implantação do Museu da Escola Catarinense. “O estudo da Maria da Graça nos permitiu identificar vocações para dinamizar o espaço do local, alinhar a estrutura do prédio ao Plano Diretor da cidade e estudar o esvaziamento da escola”, afirma.
Em sua fala, a professora apresentou as cinco fases de criação do Mesc:
Na primeira fase foi feito o levantamento de atividades universitárias da Udesc que retratavam o prédio. O primeiro foi jo projeto de Maria da Graça e o “Guia de Acervos”, resultado de pesquisa que catalogava os itens que poderiam ser expostos. Em seguida foram realizadas reuniões com pesquisadores, professores, alunos bolsistas e voluntários para discussão e recolha de peças.
“A partir disso, foram realizadas intervenções emergenciais em peças que estavam em estado de deterioração, pelo Laboratório de Conservação e Restauro, sendo possível trabalhar na limpeza de fungos e reparação de materiais”, conta Vera.
A segunda etapa foi marcada pela inserção do Mesc no Regimento Geral da Udesc, elaborado pela Comissão Estatuinte, em 2006. A partir do novo regimento, o museu se torna um órgão suplementar superior, vinculado diretamente à Reitoria. A partir do regimento, foi possível a tramitação do tombamento da edificação nas esferas federal, estadual e municipal.
Foi também criada uma comissão responsável pela elaboração do Plano Museológico do Mesc.
Na terceira fase, foram elaborados projetos culturais para captação de recursos. O projeto “Implantação do Museu da Escola Catarinense” foi encaminhado ao Funcultural do Governo do Estado de Santa Catarina.O documento trazia um orçamento das obras e serviços emergenciais necessários para a edificação.
Também foram feitos projetos globais de instalação definitiva do museu e criação de um ateliê de conservação e restauração de objetos em madeira e metal do acervo.
A execução dos projetos e organização de atividades foram as últimas etapas, dedicadas à definição do espaço físico do museu e às tramitações da implementação. Assim como, a conexão com outras escolas do estado para consolidação dos “centros de memória”, espaços destinados a preservar documentos, objetos e histórias da comunidade escolar.
As fases finais marcaram a expansão do papel do museu como orientador, articulador e formador de redes de memória da educação pública de Santa Catarina.
O Mesc hoje
O Mesc foi instalado definitivamente no prédio a partir de 2007 e nesses 18 anos se tornou um grande símbolo cultural de Florianópolis.
Atualmente, possui diversas salas que retratam a história do edifício, como a Sala Harmonia Espaço Positivo, que apresenta brinquedos antigos artesanais construídos pelo professor e desenhista Aldo Nunes, e a Sala Salene, que traz uma reconstituição das salas de aula dos anos de 1930 a 1950.
A atual coordenadora do Mesc, professora Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva, discute a importância do museu no acesso à cultura e ensino da cidade. “É preciso reconfigurar a escola como um modelo de educação e resgatar o pensamento educacional para o Mesc”.
O museu também abriga o Cineclube Presença, que oferece exibições semanais gratuitas de filmes nacionais, com objetivo de democratizar o acesso ao cinema. Também o projeto “A escola vai ao museu” com visitas guiadas e transporte gratuito a estudantes da rede pública.
Maria da Graça diz que é inspirador ver tudo em que o museu se transformou hoje em dia. “É lindo ver as coisas que um dia a gente sonhou, e hoje tem gente aqui levando tudo isso para frente”, afirma emocionada.
Para informações sobre agendamento e funcionamento do museu entre em contato pelo e-mail
educativo.mesc@udesc.br ou pelo telefone (48) 3664-8112.
Assessoria de Comunicação da Udesc
Estagiário de Jornalismo Felipe Manica Paze*
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comunicacao@udesc.br
Telefone: (48) 3664-7935
*Sob supervisão da jornalista Tabita Strassburger