O engenheiro agrônomo e doutor em Ciências do Solo, professor Germano Güttler participa nesta sexta-feira, 20, do Encontro Floripa Lixo Zero 2026, em Florianópolis. O evento reúne painéis, formações, atividades práticas e visitas técnicas a iniciativas locais voltadas à sustentabilidade. A programação ocorre no Jurerê Beach Village, empreendimento reconhecido com a Certificação Lixo Zero.
A abertura do encontro dos “embaixadores Lixo Zero” está marcada para as 9h, com o presidente do Instituto Lixo Zero Brasil, Rodrigo Sabatini, além de autoridades estaduais e municipais. Professor e diretor de Pesquisa e Pós-Graduação da Udesc Meio Oeste (Cesmo), em Caçador, Güttler compartilha as experiências acumuladas com o tema a partir das 15h30min.
Compostagem e agroecologia
Germano Güttler é uma das principais referências do país em compostagem de resíduos orgânicos, chamados por ele de “sobras orgânicas”.
Não se trata de uma mudança apenas de nome, mas uma forma de reconhecer o potencial de reaproveitamento desses materiais. Ele coordenou por mais de uma década o projeto Lixo Orgânico Zero em Lages (SC), experiência que se tornou modelo nacional na redução de resíduos urbanos.
Durante o encontro em Florianópolis, o professor compartilha o chamado “Método Lages”, aplicado entre 2013 e 2016 e retomado de 2018 a 2022.
No período, o município de cerca de 170 mil habitantes deixou de gerar aproximadamente 23 mil toneladas de lixo orgânico por ano, índice que colocou a cidade como referência em gestão sustentável.
Segundo o especialista, o grande entrave da reciclagem é o resíduo orgânico misturado aos demais materiais.
“O orgânico é o que impede de fazer a reciclagem. Ele precisa sair da jogada”, defende.
Para ele, sobras alimentares não devem ser tratadas como lixo, mas como recurso reaproveitável por meio da compostagem.
Entre as soluções apresentadas está a composteira vertical de fluxo contínuo com aeração passiva, tecnologia simples e de baixo custo que pode ser adotada em condomínios e instituições. Mas não a única.
“Se cada cidadão tiver um balde de 20 a 30 litros para separar o orgânico, praticamente deixamos de ter lixo. Isso é educação ambiental”, afirma.
Responsabilidade compartilhada
Professor Germano Güttler destaca que a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída por lei federal em 2010, já estabelece a obrigatoriedade da separação e a responsabilidade compartilhada pelo descarte correto.
No entanto, segundo ele, consolidou-se no país a percepção equivocada de que o poder público é o único responsável pela gestão do lixo.
“Precisamos convencer o cidadão de que a responsabilidade é dele também. Sem engajamento individual, os projetos não se sustentam”, pontua.
A Udesc foi a primeira universidade brasileira a iniciar um processo de certificação Lixo Zero, em 2018, articulando-se com a rede nacional vinculada ao Instituto Lixo Zero Brasil. O movimento ganhou força com a ampliação de políticas ambientais e parcerias institucionais.
Experiências como as de Lages, além de iniciativas em municípios como Chapecó e projetos desenvolvidos em comunidades do interior catarinense, demonstram que a redução do lixo orgânico impacta diretamente os custos da coleta e destinação final, além de diminuir o potencial poluidor dos resíduos.
Para o professor, quanto maior a adesão da população, menor a taxa de lixo encaminhada aos aterros. “É uma questão técnica, mas também cultural. Educação ambiental contínua é o que transforma números em resultado permanente”, conclui.
Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br