Publicação reúne dados sobre os novos fluxos migratórios para o Estado e destaca a importância de políticas públicas de acolhimento e combate à xenofobia e à discriminação
A versão impressa do
Atlas das Migrações Internacionais em Santa Catarina no século XXI será lançada no dia 4 de setembro, sexta-feira, às 14h, no Auditório Tito Sena, do
Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed) na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). A publicação apresenta um mapeamento dos movimentos migratórios recentes para o Estado e contribui para ampliar a compreensão sobre as transformações no perfil da população migrante em Santa Catarina nas primeiras décadas do século XXI.
Com base em dados de 2000, 2010 e 2022, o Atlas dimensiona o crescimento da migração internacional para Santa Catarina e identifica os principais fluxos que marcaram o período. Entre os grupos que ganharam destaque estão migrantes provenientes do Haiti, Venezuela, Gana, Senegal e Síria, além de fluxos mais recentes, como os de cubanos e russos, que ainda não aparecem em grande número nas bases referentes a 2022.
A publicação evidencia também uma mudança na composição da população migrante que chega ao Estado. Além dos deslocamentos internos, Santa Catarina passou a receber pessoas de diferentes regiões do mundo.
“São migrantes da África, Caribe e América Central que mostram que o Brasil se tornou um destino para esses migrantes”, observa a professora Gláucia de Oliveira Assis, coordenadora do Observatório das Migrações de Santa Catarina.
Dados para compreender as novas migrações
O mapeamento utiliza diferentes fontes de dados, entre elas informações do Sismigra - Sistema de Registro Nacional Migratório de 2022 e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, permitindo observar a evolução dos fluxos migratórios e traçar um perfil da população migrante recente em Santa Catarina.
O Atlas procura dar dimensão a um fenômeno que vem transformando a sociedade catarinense. Os migrantes chegam ao Estado para trabalhar, estudar, constituir suas famílias e construir novas trajetórias de vida. Ao mesmo tempo em que contribuem com sua força de trabalho para o desenvolvimento econômico, trazem consigo conhecimentos, experiências, culturas, costumes e diferentes formas de compreender e viver o mundo.
Migração, diversidade e políticas públicas
Ao apresentar os dados sobre os novos fluxos migratórios, o Atlas também chama a atenção para os desafios relacionados ao acolhimento e à integração da população migrante. O conhecimento sobre quem são, de onde vêm e quais são as condições de vida dessas pessoas é fundamental para a formulação de políticas públicas de acolhimento, inclusão e garantia de direitos.
O levantamento reforça a necessidade de ações de enfrentamento ao racismo, ao preconceito e à xenofobia, especialmente diante da diversidade étnico-racial dos novos fluxos migratórios.
A publicação procura aproximar o debate acadêmico e social sobre migração da realidade vivenciada pelas pessoas que chegam ao Estado. Ao lado dos dados estatísticos, o Atlas apresenta também histórias e relatos de vida de migrantes, que ajudam a humanizar os números e a compreender as experiências por trás dos deslocamentos.
O Atlas Geográfico de Santa Catarina na visão da professora Isa de Oliveira Rocha
À convite da Agência de Comunicação (Ascom), da Faed, a professora titular do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental (PPGPLAN) da Udesc Faed Isa de Oliveira Rocha, traz sua visão sobre o Atlas.
"O primeiro Atlas Geográfico de Santa Catarina foi lançado em 1958, coordenado pelo professor Carlos Augusto Figueiredo Monteiro, com a participação de importantes estudiosos da época. Este foi o primeiro atlas estadual com repercussão nacional, modelo para a elaboração dos atlas de outros estados. Em 1986, após quase três décadas, o Gabinete de Planejamento e Coordenação Geral – Gaplan publicou o segundo Atlas de Santa Catarina. E no início dos anos 1990 saiu o Atlas Escolar de Santa Catarina.
Em virtude da ampliação da complexidade geográfica catarinense no tempo presente, resolvemos encaminhar a publicação de um novo Atlas, na forma de fascículos avulsos, para assim agilizar o manuseio e a necessária atualização dos dados e informações. O formato do território catarinense e a quantidade de municípios com pequenas áreas foram determinantes na escolha das escalas dos mapas e no tamanho do Atlas, pois além do prático manuseio é necessário ser didático e legível.
Na organização dos Fascículos optou-se em abarcar a realidade geográfica do estado de Santa Catarina a partir de uma visão de totalidade - da Natureza e da Sociedade e de suas inter-relações, conforme propõe o mestre da geografia – Armen Mamigonian.
O Fascículo 1 – Estado e Território, lançado em 2013 e relançado em 2016, apresenta a gênese e a evolução da divisão político-administrativa municipal de Santa Catarina. Na sequência, o Fascículo 2 – Diversidade da Natureza disponibiliza mapas e textos sobre os aspectos do quadro natural: como análises sobre geossistemas, geologia, relevo, vegetação, hidrografia, ilhas costeiras etc.... Em 2018 lançamos o Fascículo 3 – População, e em 2019 em virtude da significativa procura foi lançada a 2ª edição.
Agora em 2024 a Udesc realiza o lançamento do Fascículo 4 – Infraestrutura do Atlas Geográfico de Santa Catarina, a partir da cooperação técnica entre o Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental (PPGPLAN), a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) e a Secretaria de Estado da Mobilidade e Infraestrutura (SIE).
Este Fascículo 4 – Infraestrutura apresenta mapas e textos com dados, informações e análises, do passado ao presente, sobre o cenário da infraestrutura no território de Santa Catarina, abordado ao longo de nove capítulos por pesquisadores de diferentes instituições governamentais, como: Casa, Ministério Público de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias – SPAF e instituições de ensino (como da própria UDESC, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC e Instituto Federal de Educação de Santa Catarina – IFSC).
A elaboração do Fascículo 4 – Infraestrutura contou com recursos de Edital do CNPq e de Edital da Fapesc. Os trabalhos foram desenvolvidos com o apoio de bolsistas de Iniciação Científica, professores e pesquisadores do Laboratório de Planejamento Urbano e Regional – Labplan, além da Seplan e da SIE. Ainda registramos que as belíssimas fotografias são de autoria de fotógrafos da Secretaria de Estado da Comunicação (Secom), Secretaria de Estado do Turismo (Setur), SC Parcerias (portos) e de vários fotógrafos colaboradores.
A publicação dos fascículos dos Atlas ocorre na versão impressa (5 mil exemplares distribuídos gratuitamente para escolas, universidades e instituições públicas) e no formato eBook.
A publicação dos fascículos representa a socialização de conhecimento territorial atualizado para cerca de 1,3 milhão de alunos da educação básica e superior catarinense e é importante ferramenta de planejamento e gestão para o universo privado e governamental."
Assessoria de Comunicação da Udesc Faed
Jornalista Magali Moser (MTB/SC 02353)
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E-mail: comunicacao.faed@udesc.