O Índice de Custo de Vida (ICV) em Florianópolis registrou alta de 0,92% em abril, resultado impulsionado principalmente pelo aumento nos preços da alimentação no domicílio, superior ao observado em março (0,56%) e também acima do verificado em abril do ano anterior (0,37%). Calculado pelo
Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), o ICV tem o apoio da Fundação de Estudos Superiores de Administração e Gerência (Fesag).
O levantamento considera o comportamento de preços para famílias com renda entre um e quarenta salários-mínimos e é baseado na análise de 297 itens coletados ao longo do mês.
Do total pesquisado, 139 produtos apresentaram aumento, 95 mantiveram estabilidade e 63 registraram queda. Com isso, o acumulado do ano chega a 2,72%, enquanto a variação em 12 meses soma 4,83%.
Alimentação no domicílio pressiona inflação
A principal pressão sobre o índice veio do grupo alimentação e bebidas, que subiu 2,29% em abril. Dentro dele, a alimentação no domicílio teve aumento ainda mais expressivo, de 3,30%, sendo o principal fator para o resultado do mês.
Produtos básicos registraram altas significativas, com destaque para o tomate (29,56%), batata inglesa (8,46%) e cebola (5,99%). Entre os itens de maior peso no consumo das famílias, também chamaram atenção o leite longa vida (17,50%) e o peito de frango (7,92%). O encarecimento desses produtos reforça o impacto direto da inflação sobre o orçamento doméstico.
“O resultado da inflação em abril foi puxado, sobretudo, pela alta expressiva dos preços dos alimentos consumidos dentro de casa, com destaque para itens básicos do dia a dia, como tomate, batata inglesa, cebola, leite longa vida e peito de frango, fazendo com que a alimentação no domicílio se tornasse o principal fator de pressão sobre o índice no mês”, avalia a economista do ICV, Bruna Soto.
A alimentação fora de casa também apresentou aumento, de 0,73%, puxado principalmente pelos preços de lanches e bebidas, mas com impacto menor no índice geral.
Saúde e transportes também avançam
Outro grupo com impacto relevante foi o de saúde e cuidados pessoais, que avançou 2,10%, influenciado sobretudo pelos produtos farmacêuticos. Os aumentos foram por conta do reajuste anual dos medicamentos
Já o setor de transportes teve alta de 0,72%, com destaque para o aumento nas passagens aéreas, que subiram 14,59% no período.
A habitação apresentou variação de 0,56%, pressionada principalmente por aluguel e taxas, enquanto educação registrou aumento de 0,92%, impulsionado por cursos diversos e itens de papelaria.
Quedas ajudam a conter índice
Por outro lado, alguns grupos ajudaram a conter uma alta ainda maior do índice geral. Artigos de residência tiveram queda de 1,82%, com redução significativa nos preços de móveis.
Despesas pessoais também recuaram (-0,13%), assim como itens específicos dentro de alimentação, como óleos, gorduras e massas.
Peso no orçamento das famílias
Na composição do orçamento das famílias, alimentação e bebidas (22,63%) e transportes (22,04%) seguem como os grupos de maior peso, o que explica o forte impacto de suas variações no resultado geral da inflação local.
A trajetória dos preços ao longo do ano mostra uma aceleração gradual: após altas de 0,42% em janeiro, 0,79% em fevereiro e 0,56% em março, abril consolida um movimento de pressão inflacionária mais intensa, especialmente sobre itens essenciais.
Núcleo de Comunicação da Udesc Esag
Verônica Caroline da Silva Gonçalves
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br
(estagiária sob supervisão da jornalista Magali Moser)