Programa de Pós-Graduação em Música é referência em qualidade acadêmica, técnica e ética
Roda de conversa nos 20 anos do grupo de pesquisa ForMusi/CNPq, em 2024. Foto: Fernanda Ferreira
Capacitar professores-pesquisadores para atender as demandas da área de Artes, com ênfase em Música, e contribuir para a formação de cidadãos críticos e comprometidos com a estética e a ética musical. Essa é a missão do
Programa de Pós-Graduação em Música (PPGMUS) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Criado em 2006, o programa é pioneiro no estado catarinense e já formou cerca de 260 mestres e doutores.
Na última Avaliação Quadrienal da Capes,
divulgada em janeiro deste ano e referente ao período 2021-2024, o PPGMUS manteve-se com nota 5 — conceito que indica desempenho muito bom e o posiciona entre os melhores PPGs do país. A primeira vez que o programa obteve essa nota foi em 2022 (referente ao período 2017-2020).
“Esse reconhecimento é fruto da experiência acumulada e da produção qualificada de docentes, discentes e mestres titulados”, afirma Teresa Mateiro, professora do Departamento de Música (DMU) da Udesc há mais de 25 anos e atual coordenadora do programa. Para ela, os bons resultados refletem o amadurecimento e a excelência da produção acadêmica e artística do PPGMUS, em uma trajetória marcada pelo trabalho colaborativo.
Início e desenvolvimento do programa
Em meados dos anos 2000, os docentes do Departamento de Música (DMU) perceberam que os estudantes formados em licenciatura e bacharelado na universidade que desejavam realizar pós-graduação tinham que ir para outros lugares, já que a instituição não oferecia um programa para isso.
Assim, coube a um grupo de professores a iniciativa de propor e implementar o PPGMUS. Apesar dos desafios para atingir os requisitos necessários, como a aderência e decisão da área de pesquisa dos docentes, ele foi aprovado em 2006. E, após alguns meses, já em 2007, iniciaram as atividades do primeiro curso público em nível de pós-graduação stricto sensu na área de Música em Santa Catarina: o Mestrado Acadêmico em Música.
Para o professor aposentado Marcos Tadeu Holler, o movimento de implementação do PPGMUS foi natural e revelou um papel de destaque na universidade. “As produções científicas dos docentes eram isoladas, então quando é formado um grupo de pesquisa pronto para gerar discussões com todos, o curso ganha um diferencial. Não são só professores envolvidos, são estudantes e convidados de fora [da universidade] também”, afirma.
Em novembro de 2018, o Doutorado em Música da Udesc foi homologado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e, em agosto de 2019, iniciava as atividades. A proposta e a aprovação do curso foram impulsionadas pela obtenção da nota 4 na Avaliação Quadrienal, em 2017. Em 2022, uma nova conquista: o aumento da nota para 5, resultado do trabalho conjunto dos corpos docente, técnico e discente.
A consolidação do mestrado, as avaliações positivas pela Capes e a implementação do doutorado configuram os principais marcos do amadurecimento do PPGMUS e reafirmam sua posição de destaque e qualidade acadêmica.
Qualidade na formação docente
O programa é crucial para a formação de novos pesquisadores e docentes altamente qualificados. Ao cumprir seus compromissos de inserção social, o PPGMUS oferece uma formação que vai além da dimensão técnica, ou seja, capacita profissionais que realizam pesquisas pautadas na qualidade ética das interações humanas e sociais.
Os egressos, enquanto docentes em diversos níveis de ensino, levam consigo uma abordagem crítica e responsável, focada em promover a diversidade em suas práticas pedagógicas e de pesquisa. Esse preparo ético impacta diretamente a qualidade da formação de futuros profissionais da música em escolas, universidades e outros espaços, tanto em Santa Catarina quanto em outras regiões do país onde esses profissionais podem atuar.
Um dos pilares para a qualidade do PPGMUS é a proficiência do Núcleo Docente Permanente (NDP), composto por professores e pesquisadores engajados e ativos tanto na área acadêmica quanto artística, reconhecidos a nível nacional e internacional. A atuação dos professores vai além da sala de aula, estendendo-se à publicação de resultados de pesquisas em periódicos de destaque, à produção artística e técnica, à prestação de serviços à comunidade e à participação em importantes atividades de gestão acadêmica.
As teses e dissertações desenvolvidas no programa, dentro das linhas de pesquisa “Educação Musical” e “Musicologia e Processos Criativos”, são um testemunho da relevância da produção acadêmica do PPGMUS. Os trabalhos revelam inovação metodológica, impacto social e contribuições substanciais para o campo da música, no âmbito pedagógico, artístico e cultural. Nas defesas, bancas examinadoras contam com especialistas de renomadas instituições nacionais e internacionais para garantir o rigor acadêmico e a interdisciplinaridade nas avaliações.
Ao considerar os compromissos do percurso, como vocação pública, capacidade de inserção na trajetória profissional, acadêmica e musical, o programa reúne pessoas comprometidas com os desafios e atividades desenvolvidas. São elas: egressos, estudantes, bolsistas de iniciação científica, pesquisadores em pós-doutoramento, docentes visitantes, docentes colaboradores, docentes permanentes e técnicos universitários.
Diversidade e inclusão como pauta
Nesses quase 20 anos, o programa teceu uma rede de correlações educacionais, políticas e socioculturais. Nos primeiros anos, o PPGMUS atraía principalmente estudantes da Grande Florianópolis. Logo, passou a receber pessoas de outras regiões metropolitanas de Santa Catarina, além de municípios situados no interior da Região Sul. Com o tempo, discentes oriundos de outros estados passaram a procurar o programa, que também tem recebido alunos de países como Angola, Argentina, Colômbia e Estados Unidos.
Reforçando o compromisso com a democratização do acesso e a redução das desigualdades, o PPGMUS passou, por um período, a oferecer vagas suplementares regionais em seus processos seletivos. “Inspirada em ações afirmativas e apoiada em diagnósticos da Capes e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sobre a concentração de programas de pós-graduação nas regiões Sudeste e Sul, a iniciativa buscava ampliar as oportunidades para candidatos de regiões historicamente sub-representadas, como Norte, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil”, explica a coordenadora Teresa Mateiro.
Desse modo, o programa se consolidou como um espaço de formação, produção, estudo e pesquisa musical povoado por múltiplos sotaques e escutas. Para Teresa, a abrangência geográfica do programa é decisiva para promover diversidade e inclusão na academia: “O PPGMUS não só enriquece a pesquisa com múltiplas vozes e abordagens, como também forma docentes aptos a criar ambientes de aprendizagem e pesquisa mais inclusivos e representativos, influenciando positivamente a cultura acadêmica musical no Brasil”, acrescenta.
Essa diversidade também cria um ambiente intelectual dinâmico. A riqueza de referenciais impacta diretamente na constante atualização das linhas de pesquisa, grupos de estudo, ementas de disciplinas e nos problemas de investigação desenvolvidos pelos docentes e discentes. A professora Teresa ressalta, ainda, o objetivo de combater discriminações de cultura musical, escolaridade, classe socioeconômica, raça, religião, orientação política e identidade de gênero nos processos e produtos intelectuais do programa, o que posiciona o PPGMUS como referência na sociedade.
Em suma, o programa impacta a pesquisa em Música ao ser um polo gerador de conhecimento singular no estado. Além disso, comprometido com a formação docente, prepara profissionais competentes acadêmica e e socialmente responsáveis e engajados na construção de uma Musicologia e de uma Pedagogia da Música mais justa e inclusiva no país.
Processo seletivo 2026
O ingresso de novos estudantes no mestrado e no doutorado acadêmicos do Programa de Pós-Graduação em Música (PPGMUS) ocorre uma vez por ano. Os editais para as turmas de 2026 já foram lançados e podem ser acessados
nesta página. As inscrições para alunos regulares irão de 16 de fevereiro a 9 de março.
O programa também publicou o edital da seleção para alunos especiais – aqueles que cursam disciplina isolada sem ter vínculo com a universidade. A seleção é uma oportunidade para profissionais e pesquisadores conhecerem o programa. As inscrições, nesse caso, irão de 4 a 6 de fevereiro. Mais informações também podem ser obtidas
nesta página.
Os cursos são públicos e 100% gratuitos.
Reportagem por Isabella Rosa e Isadora Pavei, estagiárias de jornalismo, com edição pela jornalista Carolina Dall’Agnese.
Texto original produzido para a 9° edição da revista Hallceart, disponível para acesso nesta página.
Núcleo de Comunicação Udesc Ceart
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