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Notícia

19/02/2026-15h59

Projeto da Udesc Esag aposta em dados e participação cidadã para tornar Florianópolis mais inteligente

Ciência que transforma: estudo é liderado pelo professor Rafael Tezza

Um projeto acadêmico do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) propõe transformar a forma como a administração pública utiliza informações geradas pela própria população para melhorar serviços e o planejamento urbano em Florianópolis. A iniciativa, liderada pelo professor Rafael Tezza, tem como base a coleta, organização e cruzamento de dados produzidos pelos cidadãos, desde consumo de água e energia até produção de lixo e deslocamentos pela cidade.

De acordo com o pesquisador, a proposta é criar um grande repositório de dados que permita identificar padrões e demandas reais da população.

“Para resolver um problema, primeiro é preciso entendê-lo. A tecnologia permite que o cidadão seja ouvido”, afirma.

O trabalho se articula a partir do webapp ParticipAct – Brasil.

Tecnologia como meio, não como fim

Um dos instrumentos em desenvolvimento é app baseado no conceito de crowdsensing, que capta informações georreferenciadas fornecidas pelos próprios usuários. A lógica é semelhante à utilizada pelo Waze, que coleta dados de trânsito em tempo real a partir das contribuições dos motoristas e devolve rotas mais eficientes.

No caso do projeto, os dados coletados poderão orientar decisões públicas sobre mobilidade urbana, coleta de resíduos, abastecimento de água e dimensionamento de serviços durante períodos de alta temporada.

Um exemplo prático já estudado pelo grupo foi a estimativa da população flutuante em Florianópolis no verão. Enquanto projeções oficiais apontavam até 3 milhões de pessoas na cidade, a pesquisa conduzida pelo laboratório estimou cerca de 1 milhão, número que, segundo o professor, tem se mostrado mais próximo da realidade. A diferença revela como o uso inadequado ou a ausência de cruzamento de dados pode levar a superestimativas e a planejamentos ineficientes.

Cidade inteligente vai além da digitalização

Embora Florianópolis figure entre as cidades mais bem posicionadas em rankings nacionais de cidades inteligentes, tendo recentemente alternado posições de liderança com Vitória, o pesquisador destaca que o conceito vai além da tecnologia.

“Cidade inteligente não é apenas cidade tecnológica. A tecnologia é um meio. O que torna a cidade inteligente é o quanto o cidadão participa e está integrado aos processos”, explica.

Entre os pontos fortes da capital catarinense estão o polo tecnológico e os indicadores de educação. No entanto, o professor aponta que ainda há espaço para avançar, especialmente na utilização mais estratégica dos dados já disponíveis.

Engajamento e desafios institucionais

Outro foco da pesquisa em andamento é entender como aumentar o engajamento da população nas plataformas digitais e como garantir que as demandas registradas cheguem efetivamente aos tomadores de decisão.
O grupo também estuda lacunas existentes nas ouvidorias públicas e nos fluxos internos da administração.

“Não basta digitalizar a cidade. Se o cidadão não acompanhar esse processo, ele pode acabar excluído, o que gera ainda mais desigualdade”, alerta.

A expectativa é que os resultados contribuam não apenas para aprimorar a gestão em Florianópolis, mas também sirvam de referência para outras cidades brasileiras interessadas em adotar modelos mais participativos e orientados por dados.

A proposta reforça uma tendência crescente na administração pública: usar inteligência coletiva e tecnologia para transformar informação em políticas mais eficientes, sempre com o cidadão no centro das decisões.

Esta reportagem integra a série Ciência que transforma, da Udesc Esag. O projeto tem como foco principal fortalecer a iniciação científica e estimular a participação da comunidade acadêmica em projetos de pesquisa, com ênfase na linguagem simples.

Publicações do projeto:

Kieling, A. P., Zanquet, M. A., Tezza, R., & Hochsteiner, P. (2025). Pesquisa e aplicação em crowdsensing para cidades inteligentes: o caso ParticipAct. Revista De Ciências Da Administração, 2(Especial), 1–19.

Dias, J. da S., Brocardo, M. L., Amarante, A., Tezza, R., & Traore, I. (2025). Estimating floating population based on the impact of solid waste generation. Current Issues in Tourism, 1–17.

Tezza, Rafael; HOCHSTEINER, PEDRO ; KIELING, ANA PAULA . ANÁLISE DE INDICADORES PARA CIDADES INTELIGENTES. P2P & INOVAÇÃO, v. 10, p. 6879, 2024.


Núcleo de Comunicação da Udesc Esag

Jornalista Magali Moser
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br 
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